sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Disciplina do Evangelho


Se alguém quer ser Meu discípulo, diz Jesus, o indivíduo  tem de tomar consciência de que existe uma montanha de impressões sobre si que precisa ser jogada fora. O discípulo tem de encarar os fatos e fazer a viagem “após Mim, olhando para Mim, tendo a Mim como sua única referência, dando-Me razão em tudo” – é o que Jesus está dizendo. E ainda que, de forma sofrida, tenhamos de dizer: O Senhor tem razão. Mesmo não gostando das razões de Deus, como Abraão, que não achou nada gostoso, nada delicioso, nem foi cheio de gozo, nem de gáudio, nem falando em línguas ou profetizando, andando para o Monte Moriá. Não. Ele foi gemendo, mas foi. E quando viu o monte, chamou os servos e disse: “Ficai aqui, e eu e meu filho, tendo ido e adorado, voltaremos para junto de vós”. Mas ele não disse: Aleluia, nós somos levitas do monte Moriá! Não era essa adoração panaca. Era adoração que se adora com dor, com perplexidade, sem entender nada, mas dizendo: Tu És Deus, e, contra tudo o que sinto, eu vou. Isso é “após Mim”.

O caminho do discípulo é o caminho das abençoadas desilusões das eternas verdades. O caminho do discípulo vai reduzindo a vida ao pouco que seja necessário, ambicionando chegar o dia em que ele diga: Basta-me uma coisa somente. Esse é o Caminho.

Olhe para dentro de você e pergunte se você quer esse Caminho.

O Evangelho é assim... São as decisões de andar após Ele. De dizer: Eu dou razão ao Evangelho na minha vida.  Não temos de fazer uma reflexão secundária de como vamos tratar o nosso inimigo. Jesus já disse como é que ele tem que ser tratado. Não temos de fazer reflexão secundária e nem ponderar com Deus o tamanho das nossas raivas, das nossas justiças ofendidas, dos nossos direitos aviltados, e que, portanto, temos direito a uma instância superior de vingança. Ir após Ele é simplesmente entrar em todos os buracos com Jesus; é sofrer na presença de Jesus, ver a revelação da nossa incoerência na presença dEle, enquanto somos disciplinados pelo Evangelho, dando lugar à disciplina. Disciplina do Evangelho, é quando o Espírito Santo coloca na nossa consciência a razão do Evangelho contra todas as nossas certezas ou opiniões. É quando o nosso coração diz: Eu quero para mim. Aí começa um caminho que não será perfeito, mas será perfeitamente imperfeito e gracioso até o dia em que ele se tornar pleno e total.

 
Caio Fábio. O caminho do discípulo.

sábado, 25 de agosto de 2012

Vasos de barro para Sua manifestação

        Roberta Bondi fala de um monge do séc.VI que supervisionava uma comunidade tumultuada. “Nossos irmãos irascíveis estão buscando o verdadeiro amor por Deus”, queixavam-se alguns monges. “vocês estão errados”, Dorotheos os informou. “Pensem no mundo como um grande círculo com Deus no centro e a vida humana na circunferência. Imaginem agora que haja linhas retas que partam de fora do círculo, onde se encontram todas as vidas humanas, e cheguem a Deus, no centro. Percebem que não há como chegar a Deus sem se aproximar das outras pessoas, nem há como se aproximar das outras pessoas sem se aproximar de Deus?”

Quando minha identidade muda de dentro para fora, meus olhos se levantam para ver os que precisam do amor e da misericórdia de Deus. Paulo reforça seu conselho aos romanos de se transformarem “pela renovação da sua mente” com a primeira menção completa à analogia do corpo de Cristo; depois apresenta uma série de ordens abruptas, como: “compartilhem o que vocês têm com os santos em suas necessidades” e “façam todo o possível para viver em paz com todos”. Em outras cartas, pede aos leitores que alimentem os famintos, que demonstrem hospitalidade aos ministros que viajam, que busquem com amor os incrédulos que os cercam. Mentes renovadas expressam-se em relacionamentos com outros corpos. “O caminho para a santidade”, disse Dag Hammarrskjöld, “passa necessariamente pelo mundo da ação”.

Constantemente, recordo-me de um homem que se aproximou de mim depois de uma palestra e disse, bruscamente?

- Não foi você que escreveu um livro intitulado Deus sabe que sofremos? – quando respondi afirmativamente, ele continuou: - Bem, não tenho tempo de ler o livro. Não daria para você resumir do que ele trata em uma ou duas frases? (Os escritores adoram pedidos como esse, depois de passarem meses escrevendo um livro.)

Pensei um pouco e respondi:

- Bem, acho que terei de responder com outra declaração: “A igreja sabe que sofremos”. Veja – expliquei -, a igreja é a presença de Deus na terra, seu Corpo. Se a igreja fizer sua tarefa, se aparecer na cena das tragédias, visitar os enfermos, dirigir clínicas para aidéticos, aconselhar vítimas de estupro, alimentar os famintos, agasalhar os sem-teto, acho que o mundo não fará a primeira declaração com perplexidade. Ele saberá onde Deus está quando sofremos no corpo que é o Seu povo, ministrando a um mundo decaído. Na verdade, a conscientização da presença de Deus geralmente acontece em conseqüência da presença de outras pessoas.

Durante muitos anos, acompanhei um amigo que passou por um período muito difícil. Ele lutou contra a depressão profunda e, nesta batalha, acabou se divorciando e perdendo o emprego. Passou um período internado em uma clínica de recuperação e sobreviveu a pelo menos três tentativas de suicídio. Encontrava-me com ele, orava e passávamos longas horas ao telefone. Na maior parte do tempo, sentia-me desamparado e inútil. As respostas que eu dava faziam pouca diferença e, depois de algum tempo, cheguei à conclusão de que ele precisava de meu amor, e não de meus conselhos. Simplesmente coloquei-me à sua disposição tanto quanto possível.

Finalmente, meu amigo encontrou a cura que o trouxe de volta à sanidade. Ele me disse: “Você era Deus para mim. Não conseguia contato com Deus Pai, pois Ele parecia distante e retraído. Mas continuei crendo em Deus por sua causa”. Queria desenganá-lo, refutá-lo, pois sei quem sou e sei que estou distante de Deus. À medida que o ouvia, porém, percebi o profundo significado da expressão “corpo de Cristo” que Paulo usou. Seja qual for o motivo, Deus escolheu a mim e a outros como “vasos de barro”, pelos quais derramou Sua presença. Não fazemos essa viagem sozinhos, e sim unidos uns aos outros.

Philiph Yancey, o Deus (in)visível.

domingo, 19 de agosto de 2012

O Verbo que fala

         João é um escritor de grande competência, que emprega com habilidade nuanças e alusões. O texto apresenta uma simplicidade convidativa, mas essa simplicidade que esconde insights profundos. Seria irreverente e profano reduzir seu evangelho a umas poucas “verdades” ou “princípios” (a abordagem gnóstica). Devemos deixá-lo agir à sua própria maneira. Nossa tarefa é nos sujeitar à arte narrativa de João e permitir que ele nos fundamente no Jesus da criação, essa criação na qual Jesus revela a plenitude de Deus; e, depois, seguir Jesus e adotar a vida de fé firmada na criação, cuja plenitude tome forma dentro de nós.

João escreve a história de Jesus de maneira bastante diferente de seus companheiros canônicos Mateus, Marcos e Lucas, que seguem outro plano. A abordagem de João apresenta a mesma história, mas a mudança de tom e de ponto de vista nos envolve de maneira distinta. O romancista John Updike observa que, se considerarmos Mateus, Marcos e Lucas progressivamente sedimentares, João é metafórico – todas as camadas intensamente combinadas em algo muito diferente.

A narrativa de João é constituída principalmente das conversas de Jesus. No relato reescrito que João apresenta da criação de Gênesis, a característica mais conspícua é que Jesus fala. Ele é, afinal das contas, o Verbo. Mas, ao contrário das frases curtas de Gênesis, as palavras de Jesus fluem em diálogos e discursos. A oração inicial de João: “No princípio era o Verbo” é detalhada nas conversas de Jesus com pessoas de todo o tipo vivendo em quaisquer circunstâncias, conversas curtas e longas, incisivas e complexas, mas todas conversas.

Essas conversas se desenvolvem e se acumulam: conversas entre Jesus e Sua mãe, Jesus e Seus discípulos, Jesus e Nicodemos, Jesus e a samaritana, Jesus e o paralítico, Jesus e o cego, Jesus e os judeus, Jesus e Marta, Jesus e Maria, Jesus e Caifás, Jesus e Pilatos e, sem nenhuma mudança de tom ou dicção, entre Jesus e Deus, entre o Filho e o Pai. Em várias ocasiões, as conversas se transformam em discursos, mas o tom dialogal é sempre preservado. Não se trata de declamações para um “mundo” generalizado, mas de conversas pessoais. O Senhor da linguagem usa a linguagem não para dominar, mas para formar relacionamentos de Graça e Amor, criar comunidades e amadurecê-las em oração.

Eugene H. Perterson

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Obedecer e seguir

         Dois imperativos traçam o caminho dos cristãos batizados ao vivermos juntos na comunidade da ressurreição. Nenhum dos dois é difícil de entender, mas é preciso uma vida inteira de atenção e disciplina para ser moldado por eles. As palavras são “Arrepender-se” e “Seguir”. Esses termos são unidos e interiorizados por um terceiro imperativo: “Ore”.

“Arrepender-se” é o “não” e “Siga” é o “sim” da vida batizada. As duas palavras devem ser praticadas em condições variáveis ao longo de toda a vida comunal e na vida individual. Nunca chegamos a dominar essas ordens a ponto de podermos passar para esferas mais elevadas. Elas são básicas e permanecem básicas.

“Arrepender-se” é uma palavra de ação: mude de direção. Você está indo pro lado errado, pensando coisas erradas, imaginando tudo ao contrário. A primeira providência a tomar ao começarmos a vida na comunidade é parar tudo o que estamos fazendo. Não importa do que se trata, é quase certo que está errado; não importa quanto nos esforçamos e quão bem intencionados somos. Praticamente tudo em nossa cultura nos leva a pensar que controlamos nossa vida, que somos a medida de todas as coisas, que tudo depende de nós. 

Depois disso, siga. Siga Jesus. Seguir o Senhor Jesus Cristo é o “sim” batismal subseqüente ao “não”. Renunciamos à iniciativa e adotamos a obediência. Renunciamos às asserções insistentes e passamos a ouvir silenciosamente. Observamos Jesus trabalhar, ouvimos Jesus falar, acompanhamos Jesus Cristo em novos relacionamentos, até em lugares estranhos e com pessoas estranhas. Andar com o Senhor Jesus, observar o que Ele faz e ouvir o que Ele diz são práticas que se desenvolvem numa vida receptiva e responsiva a Deus, ou seja, numa vida de oração.

A oração é a linguagem batismal aprendida e usada na comunidade dos batizados. Isso porque seguir Jesus não é marchar atrás d’Ele como robôs em formação rígida. A prática de seguir penetra nosso ser, é interiorizada, chega aos nossos músculos e nervos; torna-se oração. A oração é aquilo que se desenvolve em nós depois que saímos do centro e começamos a responder ao centro, Jesus. E essa resposta é sempre física, um ato de seguir, pois Jesus está Se dirigindo para algum lugar: Ele vai para Jerusalém e para o Pai. Seguimos Jesus na companhia de Seus seguidores, cultivando uma vida de oração em nome de Jesus, descobrindo que o Espírito está ornado ao Pai em nós e por meio de nós.
 
Eugene H. Peterson. A maldição do Cristo genérico.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A fé é uma jornada, não um destino

        No Livro de Atos, a fé era, para cada cristão, um início, e não um fim; era uma jornada, e não uma cama para se deitar enquanto esperava o dia do triunfo de nosso Senhor. Crer não era um ato praticado uma única vez; era mais do que um ato, ou seja, era uma atitude do coração e da mente que inspirava e permitia ao cristão pegar sua cruz e seguir o Cordeiro para onde que Ele fosse.

“E perseveraram”, diz Lucas. Não está claro que apenas sendo perseverantes eles confirmariam sua fé? Em um determinado dia, eles creram, foram batizados e juntaram-se à comitiva dos fiéis. Isto é ótimo, mas e o amanhã? E o depois de amanhã? Como seria possível saber se a conversão deles havia sido genuína? Como poderiam apagar da memória daqueles que os criticavam a acusação de que tinham sido pressionados a tomar uma decisão? A acusação de que tinham cedido à pressão psicológica feita pelas multidões e decorrente do entusiasmo religioso? É evidente que só havia uma forma: perseverar.

Eles não apenas perseveraram, mas persistiram firmes. Assim escreveu Lucas, e o termo “perseveraram” aparece no versículo para nos mostrar que eles perseveraram contra uma terrível oposição. A firmeza só se faz necessária quando estamos sob um ataque, mental ou físico, e a vida daqueles primeiros cristãos é uma história de fé provada pelo fogo. A oposição era real. 

Aqueles primeiros cristãos voltaram-se para Cristo plenamente conscientes de que estavam unido-se a uma causa malquista que poderia custar-lhes tudo. Sabiam que daquele momento em diante seriam membros de um grupo minoritário odiado, cuja vida e liberdade sempre estariam em perigo.

Esta não é uma inquietação inútil. Pouco depois do pentecostes, alguns foram presos, muitos perderam todos os seus recursos materiais, alguns foram mortos logos em seguida e centenas “se dispersaram”.

Eles poderiam ter escapado de toda esta situação valendo-se do simples recurso de negar sua fé e abraçar o mundo; contudo, eles firmemente se recusaram a agir desta forma.

  
A. W. Tozer. Verdadeiras Profecias.

sábado, 11 de agosto de 2012

Técnica de Oração

Quando for orar a primeira coisa a ser feita é confessar, se tiver algo atrapalhando,
criando barreira entre você e o nosso Deus, confesse. Abra seu coração, porque Ele lhe conhece, Ele sabe tudo. Então, confesse!

Segunda coisa: exalte-O .  Fale das maravilhas. Quando pensamos num Deus como o nosso nos faltam palavras. Aí, pedimos ao Espírito de Deus que nos dê palavras para exaltá-lO.

Terceira coisa: Agradeça. Você está vendo que não se falou em pedir. Agradeça o que você já recebeu.E, mais ainda, agradeça, pela fé, aquilo que você tem de promessa de Deus. Por exemplo: essa rica, maravilhosa, singular, única Salvação. Isso é para nós ficarmos no chão estendidos só agradecendo. Porque Ele nos tirou das trevas e nos transportou para o Seu Maravilhoso reino de Luz.

Percebeu como é bom orar?

Você não precisa fazer aquela oração relâmpago: Obrigado, Jesus, amém. Você terá razão para falar com Ele com profundidade. Outra coisa é a boa posição para se falar com Ele é “orar com o pé para trás”, ou seja, orar de joelhos. Se orarmos desta forma ao Senhor nem vamos lembrar de pedir nada para nós. E vamos pedir pelos outros, como foi com Jó. Deus mudou a sua sorte quando ele orou por seus amigos.

Então, vamos orar?

          Desfrutar de uma vida de comunhão com Deus significa que algumas decisões foram tomadas anteriormente. Primeiro, você decidiu crer em Deus, “pois sem fé é impossível agradá-lO”, Hb 11: 6. Segundo, você decidiu conhecê-lO profundamente, lendo e meditando na Sua Palavra, pois “Jesus é o Verbo que Se fez carne”, Jo 1:14. Terceiro, você decidiu depender totalmente de Deus, levando uma vida de oração, “pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, lhe será  aberto”, Lc 11: 10. 

         Se você já tomou as duas primeiras decisões, aproveite esta oportunidade para começar uma fase de intimidade com Deus. Ore!!! Ore sempre em nome do Senhor Jesus, o nosso Mediador, 1Tm 2:5.

         Pois, “muito pode a oração do justo em sua eficácia”, Tg 5: 16.

         Receba as bênçãos de Deus por meio de Cristo Jesus.

Washington Souza

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Salmo 25


SALMOS 25

A Ti, Senhor, elevo a minha alma.
Deus meu, em Ti confio; não seja eu envergonhado;
não triunfem sobre mim os meus inimigos.
Não seja envergonhado nenhum dos que em Ti esperam;
envergonhados sejam os que sem causa procedem traiçoeiramente.
Faze-me saber os Teus caminhos, Senhor; ensina-me as Tuas veredas.
Guia-me na Tua Verdade, e ensina-me;
pois Tu és o Deus da minha Salvação; por Ti espero o dia todo.
Lembra-Te, Senhor, da Tua compaixão e da Tua benignidade, porque elas são eternas.
Não Te lembres dos pecados da minha mocidade, nem das minhas transgressões;
mas, segundo a Tua misericórdia, lembra-Te de mim, pela Tua bondade, ó Senhor.
Bom e reto é o Senhor; pelo que ensina o caminho aos pecadores.
Guia os mansos no que é reto, e lhes ensina o Seu caminho.
Todas as veredas do Senhor são misericórdia e verdade
para aqueles que guardam o Seu pacto e os Seus testemunhos.
Por amor do Teu nome, Senhor, perdoa a minha iniqüidade, pois é grande.
Ao homem que teme ao Senhor, Ele o ensinará no caminho que deve escolher.
Ele permanecerá em prosperidade, e a sua descendência herdará a terra.
A intimidade do Senhor é para aqueles que O temem,
aos quais Ele dará a conhecer a Sua aliança.
Os meus olhos estão postos continuamente no Senhor, pois Ele tirará do laço os meus pés.
Olha para mim, e tem misericórdia de mim, porque estou desamparado e aflito.
Alivia as tribulações do meu coração; tira-me das minhas angústias.
Olha para a minha aflição e para a minha dor, e perdoa todos os meus pecados.
Olha para os meus inimigos, porque são muitos e me odeiam com ódio cruel.
Guarda a minha alma, e livra-me; não seja eu envergonhado, porque em Ti me refúgio.
A integridade e a retidão me protejam, porque em Ti espero.
Redime, ó Deus, a Israel de todas as suas angústias.
  

Amado (a) de Deus,

Jesus disse: Eu Sou o Caminho, e a Verdade, e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim.” Jo 14:6.

Ele é o Deus da nossa Salvação, e a Sua Aliança é com todos os que O reconhecem como o Filho de Deus e reconhecem que o Seu sacrifício é único e suficiente para perdão dos pecados.

“A todos quantos O receberam deu-lhes o Poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no Seu nome; os quais não nasceram do sangue nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas da vontade de Deus”. 

Todos os que se voltam para Ele O encontram porque Jesus tem prazer em Se revelar a nós. “Buscar-me-ás e Me acharás quando Me buscares de todo o teu coração” . 

Há uma promessa:

“Respondeu Jesus: Se alguém Me ama, guardará a Minha Palavra; e Meu Pai o amará, e viremos para Ele e faremos nele morada”, Jo 14:23.

Se Jesus e o Pai vêm morar em nós quão grandes serão os livramentos. Qual o inimigo chegará perto de nós? Quem ousará tocar na menina dos olhos do Senhor?

Quem entrega a sua vida a Jesus só tem duas opções na vida: vencer ou vencer. Porque Ele é o Vencedor! E faz de nós mais que vencedores.
Denise Gaspar – 05-11-2006

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A preparação da noiva

“Então, se dispôs Eliasibe, o sumo sacerdote, com os sacerdotes, seus irmãos, e reedificaram a Porta das Ovelhas; consagraram-na, assentaram-lhe as portas e continuaram a reconstrução... Junto a ele edificaram os homens de Jericó; também, ao seu lado, edificou Zacur... Os filhos de Hassenaá edificaram... Ao seu lado, reparou Meremote... e Mesulão... e Zadoque... ao lado destes, repararam os tecoítas...”, (Ne 3).
Até o versículo 31 são enumerados todos os que participaram da reconstrução dos muros e o que cada um fez, mas no versículo 5 é feita uma ressalva, “os nobres, porém, não se sujeitaram ao serviço do Senhor”. 
              E no capítulo 4:1 diz: “Tendo Sambalá ouvido que edificávamos o muro, ardeu em ira, e se indignou muito e escarneceu dos judeus”. E Sambalá fez tudo o que lhe foi possível para interromper a reconstrução e o reparo dos muros e das portas, e fez tudo para enganar e confundir a Neemias para tirá-lo do seu propósito de obedecer à ordenança do Senhor e permanecer na tarefa da reconstrução da cidade que estava em ruínas.
Cada um de nós é a cidade cujos muros derribados Jesus quer reconstruir. O Filho do Deus Criador, Aquele que participou diretamente da Criação tem Poder e Autoridade para realizar essa obra. E as demolições de velhas construções, a limpeza do terreno, a construção, os reparos e os fechar de brechas e tudo o que for necessário, só se realiza através do Poder do Sangue e da Palavra de Jesus. 
São muitas as circunstâncias e as aflições deste e neste mundo, muitas e terríveis notícias nos chegam dos quatro cantos da terra. Todo tipo de violências e atrocidades, de mentiras e enganos, acontecendo fora e dentro da Igreja do Senhor. Coisas horríveis que entristecem e tentam nos fazer desistir e parar. São as artimanhas de Sambalá para desviar nossos olhos e nossa atenção do Alvo. São as mentiras do inferno que tentam prevalecer, que tentam nos convencer de que a obra não chegará ao fim.
O Senhor Jesus nos previniu de que no “mundo temos aflições”, (Jo 16:33), mas nos garantiu: “de todas Eu os livro”. Ele nos avisou que ouviríamos rumores de coisas terríveis, mas nos animou afirmando que neste momento estaríamos perto de nosso encontro com Ele face a face nos ares. Maravilhoso o dia do arrebatamento, e grande o dia de Sua volta em Poder e em Glória. E nos disse “levantai vossas cabeças e exultai...” E todos dizemos Maranata, “e o Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem!”.  
Glória a Deus, os sinais estão aí, exultemos e digamos “Vem!”. Não deixemos de meditar profundamente na Palavra. Para exultarmos e nos alegrarmos com Sua volta temos de estar prontos para encontrá-lO. Sabemos que não será toda a ‘igreja’ arrebatada, alguns ficarão para a segunda e última chamada. No livro de Amós, cap 5:18, somos alertados: “Ai de vós que desejais o Dia do Senhor! Para que desejais vós o Dia do Senhor? É dia de trevas e não de luz.” Que possamos ser encontrados reconstruídos, cidades fortificadas  para encontrar com nosso Rei, (na primeira chamada)!
Cada um de nós deve buscar no Senhor as áreas a serem reconstruídas, a serem limpas e adornadas. Devemos dar lugar ao Seu Santo Espírito para que possa trabalhar em nós. A obra é feita por Ele, mas a nós foi dado o direito de querer ou não, permitir ou não a Sua ação. No tempo de Neemias nem todos quiseram participar da reconstrução, hoje, infelizmente, nem todos querem ser reconstruídos. Naquele tempo eles tinham de fazer a obra, hoje temos de nos entregar ao Poder de Deus e nos expormos à Sua Palavra para que Ele a faça em nós.
Todo o segredo de Vitória é o obedecer voluntária e conscientemente ao Senhor.  A Igreja, que é cada um de nós, deve se preparar como noiva para o casamento. Vemos em Neemias que cada um fez a sua parte, todos participaram para a vitória da cidade. Cada um de nós se preparando, se despindo deste mundo, se despojando dos valores seculares, se lavando da cultura mundana e nos adornando para a Grande Festa. É a preparação da noiva, a preparação da Igreja sem máculas e sem rugas. Por não sabermos a sua data exata devemos estar prontos, não deixando sujar nem amarrotar nossas vestes brancas, e manter nossas sandálias e pés limpos, sem o pó deste mundo.
Se nós tivéssemos que fazer isto sozinhos, por nossa própria conta, com o trapo de  imundícia que é a nossa justiça, com toda certeza, não o conseguiríamos. Mas Ele é Fiel e Poderoso para nos guardar e nos garantir a Vitória. Aleluia!!! Por isso nos deu as armas necessárias: Sua Palavra, Seu Sangue, Seu Nome, Seu Santo Espírito.
Graças Te damos, Senhor, por cada uma delas!!!!
A reparação dos muros não são proibições, “não faça isso, nem aquilo...”, mas o reconhecimento de que só Jesus nos reconcilia com o Pai, que só Ele pode operar maravilhas e a nossa total rendição a Ele. Os adornos da noiva são o que devemos fazer: ter fé e perseverar. Pois o justo vive pela fé no Filho de Deus, e tem na sua perseverança a salvação de sua alma.
Jesus diz: “Aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda, esse é o que Me ama”. Todas as Suas ordenanças são realizáveis apenas e unicamente quando desejamos e permitimos que Ele as realize por nós em nós, e o que nos assegura a Sua ação é a Paz sem explicação que nos enche e a transformação dos desejos e das inclinações de nossos corações. Pois, como escrito no livro de Isaías 26:12:  “Senhor, concede-nos paz, porque todas as nossas obras Tu fazes por nós”.
Vencendo vem Jesus!!!           

Denise Gaspar, 20-08-2001

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Alegrem-se maltrapilhos


“Folguem e em Ti se rejubilem todos os que Te adoram”, Sl40:16a.
 
Sempre em todos os lugares, a suprema questão para a ralé maltrapilha é a Pessoa de Jesus Cristo.
O que são os maltrapilhos? Quem são eles?
A obscura assembléia de pecadores salvos, que sabem que são inexpressivos, têm consciência de seu quebrantamento e da sua incapacidade diante de Deus, pecadores que se fiam na misericórdia divina. Atônitos diante do extravagante Amor de Deus, não dependem de sucesso, fama, riqueza nem poder para autenticar o valor que eles têm...
“Fiel é a Palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”, 1Tm1:15. Aturdido e confuso pela experiência pessoal com o Messias dos pecadores, percorrendo as ruas barulhentas das grandes cidades e as estradas de terra dos vilarejos, o maltrapilho segue pela vereda da confiança cega no perdão irreversível do mestre. As defesas que ele construiu contra sua verdade como pecador salvo são destruídas no redemoinho da Misericórdia que brilha como relâmpagos em sua vida.
“Se o Senhor Jesus Cristo me lavou em Seu próprio Sangue e perdoou todos os meus pecados”, diz o maltrapilho para si mesmo, “não posso e não preciso deixar de me perdoar”.

O maltrapilho reverbera as palavras de Paulo: “Eu sei em quem tenho crido”, 2Tm1:12. O conhecimento que se sente da ternura de Jesus, estando nós assustados e deprimidos pelo pecado, e que nos ergue gentilmente a ele é o coração da espiritualidade maltrapilha. Depois de tropeçar e cair, o maltrapilho não afunda em desânimo nem em autocondenação sem fim; ele logo se arrepende, oferece ao Senhor aquele momento de quebrantamento e renova sua confiança no Messias dos pecadores. Ele sabe que Jesus Se relaciona com pessoas quebrantadas que se lembram de amar.
Alerta às manipulações e esquemas da justiça própria dos fariseus, os maltrapilhos se recusam a entregar o controle da vida a regras e regulamentos. Sabem que a religiosidade desgastada dos legalistas, apanhados no narcisismo fatal do perfeccionismo espiritual, torna obscura a face do Deus de Jesus. Eles não vendem a alma em troca da falsa segurança de uma religiosidade cheia de medos que deixa aleijado o espírito humano. O lema do maltrapilho são as palavras que se vêem nas placas dos carros do estado de New Hampshire: “Viver com liberdade ou morrer”.
Durante os últimos 03 anos de oração, estudo e autoexame, o Espírito Santo me levou a uma conclusão inevitável: a confiança cega é a solução para este maltrapilho. Se for a sua solução, o sinal em que você pode confiar será a transformação lenta, constante e miraculosa da autorejeição em autoaceitação arraigada na aceitação de Jesus Cristo.
Brennan Manning

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A escolha entre o clube e o caminho

Há dois modelos básicos de igreja. Há os chamados para fora... e os chamados para dentro. Igreja, de acordo com Jesus, é comunhão de dois ou três... em Seu Nome... e em qualquer lugar... E mais: podem ser quaisquer dois ou três... e não apenas um certo tipo de dois ou três... conforme os manequins da religião.
Igreja, de acordo com Jesus, é algo que acontece como encontro com Deus, com o próximo e com a vida... no ‘caminho’ do Caminho. Prova disso é que o tema igreja aparece no Evangelho quando Jesus e Seus discípulos estavam no ‘caminho’ para Cesareia de Filipe: um lugar ‘pagão’ naqueles dias. Assim, tem-se o tema igreja tratado no ‘caminho’ e em direção à ‘paganidade’ do mundo.
Para Jesus o lugar onde melhor e mais propriamente se deve buscar o discípulo é nas portas do inferno, no meio do mundo! Não posso conceber, lendo o Evangelho, que Jesus sonhasse com aquilo que depois nós chamamos de ‘igreja’. Digo isto porque tanto não vejo Jesus tentando criar uma comunidade fixa e fechada, como também não percebo em Seu espírito qualquer interesse nesse tipo de reclusão comunitária.
No Evangelho o que existe em supremacia é a Palavra, que tanto estava encarnada em Jesus como era o centro de Sua ação. No Evangelho nenhuma igreja teria espaço, posto que não acompanharia o ritmo do reino e de seu caminhar hebreu e dinâmico. Jesus escolhe doze para ensinar... não para que eles fiquem juntos. Ao contrário, a ordem final é para ir... Enfim... são treinado a espalhar sementes, a salgar, a levar amor, a caminhar em bondade, e a sobreviver com dignidade no caminho, com todos os seus perigos e possibilidade (Lc 10).
No caminho há de tudo. Jesus é o Caminho em movimento nos caminhos da existência. E Seus discípulos são acompanhantes sem hierarquia entre eles. No mais... as multidões..., às quais Jesus organiza apenas uma vez, e isto a fim de multiplicar pães. De resto... elas vem e vão... ficam ou não... voltam ou nunca mais aparecem... gostam ou se escandalizam... maravilham-se ou acham duro o discurso... Mas Jesus nada faz para mudar isto. Ele apenas segue e ensina a Palavra, enquanto cura os que encontra.
Ao contrário..., vemos Jesus dificultando as coisas muitas vezes, outras mandando o cara para casa, outras dizendo que era preciso deixar tudo, outras convidando a quem não quer ir...; ou mesmo perguntando: Vocês querem ir embora?
Não! Jesus não pretendia que Seus discípulos fossem mais irmãos uns dos outros do que de todos os homens. Não! Jesus não esperava que o sal da terra se confinasse a quatro dignas e geladas paredes de maldade. Não! Jesus não deseja tirar ninguém do mundo, da vida, da sociedade, da terra... mas apenas deseja que sejamos livres do mal. Não! Jesus não disse “Eu sou o Clube, a Doutrina e a Igreja; e ninguém vem ao Pai se não por Mim”.
Assim, na igreja dos chamados para fora, caminha-se e encontra-se com o irmão de fé e também com o próximo que não tem fé... e a todos se trata com amor e simplicidade. Em Jesus não há qualquer tentativa de criar um ambiente protegido e de reclusão; e nem tampouco a intenção de criar uma democracia espiritual, na qual a média dos pensamentos seja a lei relacional.
Em Jesus o discípulo é apenas um homem que ganhou o entendimento do Reino e vive como seu cidadão, não numa ‘comunidade paralela’, mas no mundo real. Na igreja de Jesus cada um diz se é ou não é...; e ninguém tem o poder de dizer diferente... Afinal, por que a parábola do Joio e do Trigo não teria valor na ‘igreja’? Na igreja de Jesus... pode-se ir e vir... entrar e sair... e sempre encontrar pastagem.
O outro modo de ser igreja é, todavia, aquele que prevaleceu na história. Nele as pessoas são chamadas para dentro, para deixar o mundo, para só considerarem ‘irmãos’ os membros do ‘clube santo’, e a não buscarem relacionamentos fora de tal ambiente. A comunidade de Jerusalém tentou viver assim e adoeceu! Claro! Quem fica sadio vivendo num mundo tão uniforme e clonado? Quem fica sadio não conhecendo a variedade da condição humana? Quem fica sadio se apenas existe numa pequena câmara de repetições humanas viciadas? Sim, quem pode preservar um mínimo de identidade vivendo em tais circunstâncias? Nesse sapatinho de japonesa?
É obvio que os discípulos precisam se reunir..., e juntos devem ter prazer em aprender a Palavra e crescer em fé e ajuda mutua. Todavia, tal ajuntamento é apenas uma estação do caminho, não o seu projeto; é um oásis, não o objetivo da jornada; é um tempo, não é o tempo todo; é uma ajuda, não é a vida.
De minha parte quero apenas ver os discípulos de Jesus crescendo em entendimento e vida com Deus, em amizade e respeito uns para com os outros, em saúde relacional na vida, e com liberdade de escolha, conforme a consciência de cada um. O ‘ajuntamento’ que chamamos igreja deve ser apenas esse encontro, essa estação, esse lugar de bom animo e adoração.
O ideal é que tais encontros gerem amizade clara e livre, e que pela amizade as pessoas se ajudem; mas não apenas em razão de um certo espírito maçônico-comunitário, conforme se vê... ou porque se deu alguma contribuição financeira no lugar. A verdadeira igreja não tem sócios... Tem apenas gente boa de Deus... e que se reúne e ajuda a manter a tudo aquilo que promove a Palavra na Terra.

A escolha que se tem que fazer é essa: ou se quer uma ‘comunidade’ que existe em função de si mesma, e para dentro; ou se tem um ‘caminho de discípulos’, e que se encontram, mas que não fazem do encontro a razão de ser da vida. A meu ver, no dia em que prevalecer o modelo do ‘caminho’, conforme Jesus no Evangelho, a vida vai arrebentar em flores e frutos entre nós e no mundo à nossa volta; e as pessoas serão sempre muito mais humanas, descomplicadas e sadias...
Caio Fábio

terça-feira, 24 de julho de 2012

Toda a graça é concedida pela fé

Se fôssemos entrar num acordo a respeito da palavra “fé”, descobriríamos que toda a graça que Deus dá aos homens é concedida pela fé. A fé é tão essencial, que
Deus não concederá graça por nenhum outro motivo. Por que muitas pessoas parecem ser muito obedientes e dispostas a fazer o bem, mas não recebem muito da graça divina? Precisamos observar que, no plano de redenção traçado por Deus, existem quatro princípios básicos:

1 – A obra de Cristo. O primeiro passo é termos a redenção consumada por Cristo. Por meio da morte e da ressurreição, Jesus efetuou a obra de redenção por nós.

2 – A Palavra de Deus. Por Sua Palavra, Deus nos diz o que fez por nós, homens. A Palavra de Deus divulga as boas novas concernentes à obra consumada por Cristo.

3 – Os homens crêem na Palavra de Deus. Cremos na Palavra de Deus e não na de Cristo. A obra de Jesus satisfez o coração de Deus, pois Ele realizou o que Deus havia planejado. Confiamos na obra de Cristo, mas cremos na Palavra de Deus, porquanto, sem ela, não podemos colocar nossa confiança na obra de Cristo. Sem a Palavra de Deus, não temos conhecimento da obra de Cristo. Por isso, crer na Palavra de Deus é confiar na obra de Cristo.

4 – O Espírito Santo opera, nos crentes, a obra consumada de Cristo. Quando a Bíblia menciona o Espírito Santo, enfatiza a comunhão do Espírito, pois é Ele quem canaliza a obra consumada por Cristo até nós e nos conduz à verdade divina. Verdade é a realidade, ou seja, realidade espiritual. A concepção bíblica de verdade é dividida em duas partes:
 (a) a verdade aponta para Cristo e para o que Ele realizou, pois diz Ele: “Eu Sou a Verdade”, (Jo14:6);
(b) a verdade aponta para a palavra de Deus, pois Cristo também declara: “a Tua (de Deus) Palavra é a Verdade”, (17:17).
O Espírito Santo é o Espírito da Verdade. É Ele quem faz com que entremos na presença de Cristo e participemos de tudo que Cristo realizou por nós. Além disso, é Ele quem torna a Palavra de Deus verdadeira em nossa vida.

Sendo este o plano de redenção traçado por Deus, ninguém pode receber nada sem fé. Embora Cristo tenha consumado todas as coisas, e a Palavra de Deus tenha testificado disso, o Espírito Santo nada poderá fazer, e nós não receberemos nada se não crermos.

Watchman. Nee

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O som da tentativa

C.S. Lewis escreveu certa vez que “Parece que Deus não faz por Ele mesmo nada que pode delegar às suas criaturas. Ele nos ordena a fazer devagar e desajeitadamente aquilo que poderia fazer perfeitamente num piscar de olhos”. Não existe ilustração maior deste princípio do que a igreja de Jesus Cristo, à qual Deus delegou a tarefa de encarnar a presença de Deus no mundo. Todos os nossos esforços são exemplos dessa delegação divina.
Todo pai e mãe conhece um pouco o risco de delegar, com sua alegria e sofrimento. A criança que toma seus primeiros passos segura, solta a mão, em seguida cai, depois luta para levantar-se e tenta outra vez. Ninguém descobriu outra maneira de aprender a andar.
Sim, a igreja falha em sua missão e comete sérios erros exatamente porque é composta de seres humanos que sempre carecem da glória de Deus. É o risco que Deus correu. Aquele que vem à igreja esperando encontrar perfeição não entende que o casamento é o início, não o fim, da luta por fazer o amor funcionar, todo cristão precisa aprender que a igreja é apenas um começo.
Certa vez o compositor igor Stravinski escreveu uma peça musical que continha um trecho muito difícil para violino. Depois de diversas semanas de ensaio o solista procurou Stravinski e disse que não conseguia tocar. Tinha se esforçado ao máximo mas era um trecho difícil demais, até mesmo impossível de tocar. Stravinski respondeu: “Eu entendo isso. Mas o que procuro é o som de alguém que esteja tentando tocá-lo”. quem sabe algo semelhante é o que Deus tinha em mente com a igreja.
Lembro-me de uma ilustração de Eric Palmer, um pastor que defendia a igreja contra os críticos que diziam ser ela cheia de hipócritas, de fracassos e incapazes de viver conforme os altos padrões do Novo Testamento. Palmer, que naquela época vivia na Califórnia, escolheu deliberadamente uma comunidade por sua falta de sofisticação cultural.
“Quando a orquestra do Colégio de Milpitas tenta tocar a Nona sinfonia de Beethoven o resultado é horroroso”, disse Palmer. “Eu não me surpreenderia se a apresentação o velho Ludwig virar no seu túmulo apesar de ser surdo”. Pode ser que você pergunte: Por que então tentar? Por que infligir sobre aqueles pobres jovens o terrível fardo de tentar produzir o que tinha em mente o imortal Beethoven? Nem a grande orquestra sinfônica de Chicago consegue atingir tal perfeição.
Minha resposta é a seguinte: quando a orquestra do Colégio de Milpitas tocar, dará a algumas pessoas no auditório o seu único encontro com a grande Nona Sinfonia de Beethoven. Longe da perfeição, contudo será a única forma em que ouvirão a mensagem de Beethoven”.
Penso na analogia de Eric Palmer sempre que começo a me encolher de vergonha num culto. Embora, talvez, nunca alcancemos o que o compositor tinha em mente, não existe outra maneira de se ouvir sons sobre a Terra.


Philip Yancey

Oração

As cinco orações que marcam o começo da vida de Jesus no evangelho de Lucas e as três histórias de oração que instam nossa participação ativa nessas orações encontram ligações narrativas no livro de Atos, no qual lemos a história da formação da comunidade de Jesus. Da mesma forma como foi instituída como linguagem básica para os participantes da obra do Espírito na concepção, gestação e nascimento de Jesus, a oração é instituída aqui como linguagem básica da comunidade que vem a existir pelo Espírito e, depois, continua a orar com naturalidade, ousadia e honestidade como aprendeu a fazer por meio das histórias de Jesus.

E está orando. A linguagem comum da comunidade é a oração (At2:42). Na história da comunidade de Jesus que Lucas continua a contar, a oração aparece tanto de forma implícita quanto explícita: quando Pedro e João foram libertos da prisão e voltaram para relatar o que lhes havia ocorrido, os irmãos da comunidade, “unânimes, levantaram a voz a Deus”, (At4:24-31); quando o trabalho de atender às necessidades das pessoas tornou-se excessivo, os doze reuniram a comunidade e nomearam diáconos para esse trabalho, de modo que eles próprios pudessem se “(consagrar) à oração”, cuidando para que ela não fosse diluída ou dissipada, (6:1-6).
Enquanto era apedrejado até a morte, Estevão orou – a oração era a linguagem mais natural e profunda em seu interior (7:59); em Damasco, cego e sem comer a três dias, Paulo orou pedindo ajuda, que lhe foi dada por meio de Ananias e do Espírito Santo (9:36-43); toda ação na história magnífica e decisiva de Cornélio deu-se no contexto da oração (10:2,9,30-31); a primeira linha de defesa da comunidade contra as tramas assassinas do rei Herodes Agripa I foi a oração (14:23); quando a decisão do Concílio de Jerusalém foi transmitida, o seu conteúdo – fruto de muitas orações – foi descrito na expressão maravilhosa: “Pareceu bem ao Espírito e a nós” (15:28).
Quando Paulo e Silas chegaram a Filipos, procuraram “um lugar de oração” (16:13,16); quando foram presos, os dois missionários transformaram o cárcere filipense imediatamente numa capela de oração, onde “oravam e cantavam louvores a Deus” (16:25); a despedida triste de Paulo dos presbíteros efésios terminou quando, “ajoelhando-se, (Paulo) orou com todos eles” (20:36); depois de passar sete dias em Tiro, Lucas, que na época estava viajando com Paulo, relata que, “ajoelhados na praia, oramos” (21:5); quando Paulo contou, mais uma vez, a história de sua conversão a uma multidão de judeus hostis em Jerusalém, mencionou que Jesus lhe falou “enquanto orava no templo” (22:17).
Em sua última ida a Roma, uma viagem repleta de tempestades, pouco antes de o navio naufragar, Paulo dirigiu-se à tripulação dizendo-lhes o que havia acontecido enquanto ele orava na noite anterior – uma mensagem de consolo e segurança divinos (27:23-26); na manhã do naufrágio, Paulo, falando aos passageiros e à tripulação, 276 pessoas ao todo, rogou que comessem e “deu graças a Deus” (27:35-36); e, em Malta, a ilha do naufrágio, quando ficou sabendo que o pai de um homem que fez amizade com eles estava enfermo e à beira da morte, Paulo, “orando, impôs-lhe as mãos, e curou” (28:8).
A freqüência e a persistência da linguagem da oração na comunidade de Jesus ficam evidentes ao longo de toda a narrativa; no entanto, não é inoportuna. Não somos instados a orar nem recebemos exemplos de oração. Trata-se apenas do modo como a comunidade usa a linguagem. Lucas não comenta esse fato como incomum ou forçado. Pelo contrário: a oração é a linguagem natural e espontânea da comunidade.
Eugene H. Peterson.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O cristianismo é difícil ou fácil?

A vida cristã é diferente: é mais difícil e é mais fácil. Cristo diz: “Quero tudo o que é seu. Não quero uma parte do seu tempo, uma parte de seu dinheiro e uma parte do seu trabalho: quero você. Não vim para atormentar o seu ser natural, vim para matá-lo. as meias-medidas não Me bastam. Não quero cortar o ramo aqui e ali; quero abater a árvore inteira. Não quero raspar, revestir ou obturar o dente; quero arrancá-lo. Entregue-me todo o seu ser natural, não só os desejos que lhe parecem maus, mas também os que se afiguram inocentes – o aparato inteiro. Em lugar dele, dar-lhe-ei um ser novo. Na verdade, dar-lhe-ei a Mim mesmo: o que é Meu se tornará seu”.
Isso é mais difícil e mais fácil do que aquilo que todos nós tentamos fazer. Acho que você já percebeu o próprio Cristo às vezes descreve a via cristã como algo muito difícil. Diz: “Tome a sua cruz” – em outras palavras, prepare-se para ser espancado num campo de concentração. Mas, um minuto depois, diz: “Meu jugo é suave e Meu fardo é leve”. Ele de fato quis dizer as duas coisas, e, se fizermos um pouquinho de esforço, veremos porque as duas são verdadeiras.
Qualquer professor lhe dirá que o aluno mais preguiçoso da classe é aquele que, no fim, tem de trabalhar mais. O que eles querem dizer é o seguinte: se você der a dois meninos um exercício de geometria para resolver, por exemplo, o menino mais bem disposto procurará entendê-lo. O preguiçoso tentará aprendê-lo de cor, pois é isso que, naquele momento, exige menos esforço. Seis meses depois, porém, quando estiverem ambos se preparando para um exame, o menino preguiçoso estará penando horas a fio para estudar coisas que o outro compreende em poucos minutos, e das quais até gosta. Com o tempo, o preguiçoso tem de trabalhar mais. Vamos dar outro exemplo. Numa batalha ou numa escalada de montanha, muitas vezes há uma manobra que exige coragem; mas é ela também que, no final, constitui o movimento mais seguro. Se você optar por outro curso de ação, ver-se-á horas depois num perigo muito maior. O caminho do covarde é também o caminho mais perigoso.
Assim é a nossa vida aqui. A coisa que lhe dá horror, que lhe parece quase impossível, é entregar todo o seu ser – todos os seus desejos e precauções – a Cristo. Mas isso é muito mais fácil que aquilo que todos nós tentamos fazer. Pois o que cada um tenta fazer é continuar sendo aquilo que chama de “ele mesmo”, é continuar tendo a felicidade pessoal como grande objetivo na vida e ao mesmo tempo ser “bom”.
As Palavras d’Ele nunca foram vagas e idealistas. Quando disse “Sede perfeitos”, Ele estava falando sério. Queria dizer que temos de fazer o tratamento completo. Não é fácil: mas a solução de meio-termo pela qual ansiamos é muito mais difícil – na verdade, impossível. Pode ser difícil para um ovo transformar-se numa ave; mas seria muitíssimo mais difícil aprender a voar sem deixar de ser ovo. Atualmente, nós somos como ovos. O problema é que ninguém pode continuar sendo um simples ovo para sempre. Ou o pássaro quebra a casca ou o ovo gora.

 C.S. Lewis, “Cristianismo puro e simples”

sábado, 7 de julho de 2012

Eu não trocaria de lugar com os discípulos...

“(A Deus) aprouve revelar Seu Filho em mim”, Gl 1:16.

Ainda que pudesse, eu não trocaria de lugar com os discípulos, nem com aqueles que estavam no Monte da Transfiguração. O Cristo com quem conviveram estava limitado pelo tempo e espaço. Ele estava na Galiléia? Portanto, não poderia ser encontrado em Jerusalém. Estava em Jerusalém? Logo os homens O procuravam em vão na Galiléia. Hoje Cristo não se limita pelo tempo nem pelo espaço, pois vive segundo o Poder da Vida Eterna, e aprove ao Pai revelá-Lo em meu coração. Ele esteve com eles por vezes; porém, está comigo sempre. Eles O conheceram segundo a carne, viram-no, tocaram-no, conviveram com Ele no mais íntimo contato. “E, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não O conhecemos deste modo”, (2Co5:16) e, não obstante, eu O conheço em verdade, pois O conheço segundo aprouve a Deus que Ele fosse conhecido. Deus não me concedeu o espírito de sabedoria e revelação no conhecimento de Cristo?

Watchaman Nee

domingo, 1 de julho de 2012

O sinal...

Jesus nos deixou de sobreaviso enumerando vários sinais pelos quais discerniremos o tempo como sendo o tempo do fim. Quando certas coisas acontecem, de um modo geral, as pessoas pensam nos sinais do fim como “os sinais do fim do mundo”.
É interessante perceber que esse pensamento é breve e logo, engolido pelos afazeres e pelos prazeres temporais e temporários dessa vida.  Nem percebem que o ‘fim do mundo’ está sendo patrocinado e gerenciado pelos homens, sua ganância, sua ciência e evolução tecnológica.
Quando se fala ‘nos sinais’ o entendimento bíblico que salta a mente e faz o coração se alegrar é outro: a eminente volta de Jesus.  Foi exatamente para esse acontecimento que Ele nos deixou em alerta.
Ele disse, que quando os sinais se tornassem notórios, (infelizmente muitos nem se quer o percebem), que levantássemos a cabeça em regozijo, pois nossa redenção estará próxima.
A volta de Jesus não significa o ‘fim do mundo’ em sua materialidade como, em geral, se comenta. A destruição do mundo e a extinção todas as formas de vida é fruto das intervenções humanas na natureza no decorrer da história.
A volta de Jesus será a derrocada final do império das trevas, o fim daquele que cega o entendimento das pessoas e as ilude com enganos e filosofias vãs. Será o fim do medo. Significa o Reino de Paz e Amor. É o Reinado de Jesus. 
No entanto, quero falar sobre os sinais que antecedem e anunciam a volta de Jesus. Ou melhor, um dos sinais. De todos os sinais enumerados por Jesus, os que já se cumpriram e os que estão se cumprindo, há um sinal que me salta aos olhos. E este sim, para mim, é ‘o sinal’.
“O amor se esfriará de quase todos”.
Nunca se viu tanto caos e desordem. Barbárie e violência gratuita em todos os setores e em todas as relações sociais. A ponto de, estar se tornando comum, mães abandonarem seus filhos ainda com o cordão umbilical e sujos do sangue do parto, os jogam numa lixeira, num lago, por cima de um muro, ou deixam dentro de um sanitário público. Os espancamentos, a exploração infantil e a pedofilia são práticas rotineiras. ‘Honrar pai e mãe’ não tem nenhum significado numa sociedade que mal trata, tortura e explora seus velhinhos. Assaltantes não se ‘contentam’ mais em roubar; espancam, violentam, matam... e dão entrevistas em que defendem a legitimidade de seus atos: “ele não devia ter tentado reagir...”. “São as regras do ofício”, disse um advogado.  A corrupção, inerente ao homem e, portanto, existente desde sempre, tomou proporções indizíveis de descaramento e falta de princípios. Isso citando apenas alguns fatos de âmbito local-nacional.
Desrespeito à vida, falta de amor ao próximo, falta de amor-temor a Deus... “O amor se esfriará de quase todos”.
No entanto a abrangência desse texto vai muito além. Refere-se a uma situação maior, pior e mais triste do que a brevemente descrita. O amor se esfriará naqueles que estão dentro das ‘igrejas’.
Pessoas que fazem parte da religião, que dizem amar a Deus, usam o nome de Jesus para legitimar seus atos e suas crenças, mas que, na verdade, não conhecem Jesus nem a dimensão do Amor de Deus. Desconhecem que foram comprados por preço de Sangue, não sabem que não têm mérito algum para alcançar tamanho favor de Deus: a Salvação. Vêem tantas atrocidades, descasos e violências, tantas vítimas do caos espiritual deste mundo e não se sentem compelidos a amar como foram amados. Não expressam a Graça pela qual foram alcançados e libertos. Negligenciam a busca de intimidade com o Pai.
Estão dispensando a Presença de Deus pela prosperidade temporal. Trocando a Vontade de Deus pela vontade pessoal. Valorizando personalismos, títulos e reconhecimentos. Buscando poderes políticos e favorecimentos econômicos.
Em suma, o amor se esfriará naqueles que, mesmo freqüentando a ‘igreja’, mantêm seus corações com pouco óleo enquanto esperam o Noivo.
“O amor se esfriará de quase todos”.
Para mim esse é o sinal. A ‘igreja’ que não ama a Deus com todo o seu entendimento e com todo o seu coração. A ‘igreja’ que não ama a seu próximo como a si mesmo. A ‘igreja’ que não abre o seu coração a ação do Amor de Deus. A ‘igreja’ que não se importa com a Vontade do Pai, mas apenas com seu ventre, a satisfação de seus ego, desejos, necessidades e “justiças’’.
E o amor se esfriará a tal ponto que Jesus mesmo pergunta se achará fé na terra quando voltar. Achará quem O ame e creia n’Ele?
Sim, achará! Há o outro lado desse sinal. O amor não se esfriará em alguns poucos.
Estejamos entre a minoria fazendo parte dos poucos em que o Amor de Deus se manterá vivo e avivado. Entre os que desejam e buscam intimidade com Deus expondo-se a ação da Palavra e manifestando o fluir da Presença de Deus em amor pelo próximo... tanto mais quanto esse não o mereça. Entre os que experimentam as maravilhas do Perdão. Entre os que desejam conhecer e viver a Vontade de Deus para cada um de nós.
Estejamos entre aqueles que ouvirão: Vinde, bendito de Meu Pai!

Denise Gaspar - maio, 2011

sexta-feira, 29 de junho de 2012

o que é básico

“Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?” (Mt 6:25).

No sermão que fez no Monte Jesus está dizendo para não nos preocuparmos com a satisfação de nossas necessidades básicas: comer, beber e vestir. O que seria mais básico? E diz que a vida não é só isso!
Tudo bem, ela não é só isso, mas qualquer outra coisa para ser na vida precisa que estas coisas estejam satisfeitas, ou não?
Não! Porque, de fato, há algo mais básico (fundamental) para a vida do que comer, beber, vestir. Mas antes, quero dizer que nós nunca estamos plenamente satisfeitos com aquele basicão. Comemos mais de uma vez por dia, no mínimo três vezes, há quem coma seis, há quem não pare de comer, “beliscar”, o dia todo e ainda assim, no dia seguinte terá fome e sede outra vez e terá de correr atrás de meios para satisfazê-las de novo. Temos mais roupas que o necessário e sempre estamos querendo mais alguma porque enjoamos das que temos, ou porque alguém disse que não está mais na moda, ou porque “o mundo trata melhor quem se veste bem”...
Jesus está dizendo que há algo maior!
A satisfação dessas necessidades básicas pode carregar em si um distanciamento de Deus. A idolatria. Há pessoas que são escravas da comida, que fazem dela o seu deus. Há os que fazem do seu estilo, preocupados com a aparência, o seu deus. Há os que fazem do seu ritmo de vida, da sua busca incessante por ter, o seu deus.
As necessidades físicas são satisfeitas temporariamente, mas se vivemos para elas e por elas, a alma passa a reger-nos e a alma é insaciável, ela se nutre de sua própria insaciabilidade. Está sempre querendo ter mais, ser aquilo que não é, ou seja, em cuidar de sua aparência, em maquinar, em como ter e em como aparentar. A alma se alimenta do ‘estar precisando’, do ‘procurar meios e formas de conseguir mais’ e do ‘manipular para ser satisfeita’. É um ciclo interminável, porque insaciável.
Jesus está afirmando que há algo maior. Muito mais básico e essencial do que o comer, beber, vestir e ter. Algo que satisfará seu espírito e sua alma de tal forma que você poderá desfrutar do comer, beber e vestir; você se regalará com o fruto de seu trabalho sem se corromper com isso.
Isso normalmente é entendido no meio ‘evangélico brasileiro’ como um chamado à vagabundagem, à vida contemplativa. Mas não é isso! O trabalho foi instituído como um desfrute para o homem já no jardim do Édem. As pessoas que vivem a fé na Palavra de Deus, sem distorcê-la, são pessoas que trabalham e têm prazer em trabalhar. São pessoas que se dedicam ao que fazem, porém sem se tornaram escravas do trabalho.
Jesus diz que devemos buscar, antes de qualquer outra coisa, o Reino de Deus e a Sua Justiça, e, que fazendo isso, todas as outras coisas das quais necessitamos nos serão acrescentadas.
A comunhão com o Pai é a essencialidade de que depende a vida. Não há vida afastado de Deus. Jesus veio para que tenhamos vida e a tenhamos em abundância.
No v. 24 diz que não há como servir a Deus e às riquezas. Ou sua vida está presa à satisfação das suas necessidades físicas e seculares e desconectada do Pai. Ou você está visceral e espiritualmente buscando conhecer e continuar conhecendo e tendo intimidade com Deus e todas as demais necessidades serão saciadas.
Porque os que não conhecem a Deus é que vivem em função da satisfação destas coisas; pois o nosso Pai celeste, com quem desejamos ardentemente intimidade, sabe que necessitamos de todas elas e nos capacitará e abrirá portas para que todas sejam satisfeitas.

Em Cristo, de Quem dependo visceralmente,

Denise Gaspar - 2009

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Banhos de amor no Caminho

Jesus deu o exemplo: sem humildade e sem amor não se limpa os pés.
Nem os nossos, nem os de ninguém.

O que é humilde limpa os pés do outro que são mais preciosos que os seus.

O que ama limpa os pés do outro que são mais valiosos que os seus.

Se não deixarmos que Jesus lave os pés dos homens através de nós, não temos parte com Ele.

Uma das bem-aventuranças diz: “os limpos de coração verão a Deus”.

O coração é limpo pela Palavra,
mas os pés são limpos pela manifestação da Palavra em nós uns pelos outros.

Denise Gaspar

terça-feira, 12 de junho de 2012

A vida procede da Cabeça

Sendo Cristo a Cabeça da Igreja e a Igreja o Corpo de Cristo, toda a essência do Corpo está na Cabeça. Não há nada no Corpo que possa viver fora da Cabeça. Se nosso corpo humano for separado da cabeça, isso significa automaticamente sua morte. Todos os movimentos de uma pessoa são governados pela cabeça. Quando a cabeça é ferida ou perde parte de suas faculdades, as atividades do corpo ficam paralisadas e o corpo acaba morrendo, pois ela é o controle central da vida do corpo.
Entendamos que Deus não nos separou uma pequena quantidade de Cristo, de modo que a pudéssemos tomar e afastar-nos. Não; Deus nos deu o Cristo completo, Seu Filho, e nos uniu intimamente com Ele. Todo o poder de nossa existência baseia-se em Cristo. No caso de perdermos a comunicação com o Senhor porque nos afastamos d’Ele, instantaneamente nos tornamos sem vida. Desse modo, ainda que um cristão receba vida de Cristo, essa vida permanece no Senhor.
Cristo é a vida do Corpo; Ele também é sua autoridade como a Cabeça. Visto que a vida está n’Ele, a autoridade também está n’Ele. Ele é nossa vida; portanto, Ele tem autoridade; e quando nós obedecemos a Sua autoridade, temos vida.
Todo aquele que confessa com a boca que conhece a vida do Corpo deve se perguntar se tem se submetido a autoridade do Senhor. O fato de alguém estar submisso ou não à autoridade da Cabeça prova se ele realmente conhece ou não a vida do Corpo, se alguém não segue as ordens de seu superior é chamado de insubordinado. Visto que Cristo é a Cabeça, e não nós, não temos nenhum direito de não obedecer-Lhe.
Você alguma vez disse ao Senhor: “Ó Senhor, Tu és minha Cabeça. Eu não tenho o direito de decidir nada nem tenho a autoridade de fazer qualquer escolha por mim mesmo. Liberte-me de tentar ser a cabeça e liberta-me de outras pessoas que se estabelecem como cabeça”? Cada um necessita aprender a aceitar a ordem de Deus: Cristo é a Cabeça e, portanto, ninguém pode seguir sua própria vontade.
A possibilidade de você viver satisfatoriamente ou não a vida do Corpo está baseada no relacionamento que você tem com a Cabeça. Lembremos que não nos tornamos cristãos por termos achado que os outros cristãos são pessoas agradáveis, nem temos êxito como crentes por dominarmos com perícia algum tipo de habilidade cristã. Tornamo-nos cristãos porque conhecemos Cristo. E a maneira pela qual continuamos vivendo com êxito a vida cristã é a mesma maneira pela qual nascemos como cristãos: nascemos ao ter um relacionamento adequado com a Cabeça, a qual é Cristo, o Senhor.
Isso não significa que os cristãos não necessitam ter comunhão entre si; simplesmente afirmo que a comunhão entre os crentes está baseada em seu relacionamento com Cristo. Necessitamos da comunhão porque o Cristo que habita em mim e o Cristo que habita em você são inseparáveis. A comunhão entre cristãos deve ser como a que se relaciona com Cristo. Não temos base para a comunhão fora da Cabeça.
Se nosso relacionamento com a Cabeça é adequado, nosso relacionamento com o Corpo também será. Precisamos entender claramente que cada membro tem um relacionamento direto com a Cabeça. No corpo físico, por exemplo, se a mão esquerda for ferida, a cabeça é que ordenará à mão direita que a ajude.
O amar-se entre si tem de abarcar a todos os membros do Corpo. O que é menor do que os limites do Corpo não é permitido por Deus. Somente ao manterem-se ligados firmemente à Cabeça os cristãos podem se amar sem cair em partidos e seitas.

Watchman Nee

Achareis descanso para vossa alma

Há um descanso que é concedido: “E Eu vos aliviarei”, mas há também um descanso que tem de ser encontrado.

Obtém-se o primeiro simplesmente por irmos a Deus e receber Seu dom da vida.
Isso significa algo mais do que simplesmente crer em um evangelho bem pregado. Significa vir como pecador cansado e sobrecarregado, e ter seu contato pessoal com o próprio Senhor Jesus Cristo.

Este contato infalivelmente traz-nos descanso.

Graças a Deus por todos os Seus filhos que possuem este dom fundamental!

Mas, tendo chegado a este ponto, encontramo-nos no limiar de algo mais. Devemos aprender d’Ele, descobrir a profunda satisfação a ser encontrada em um crescente conhecimento do próprio Senhor. Sobretudo, devemos aprender Sua mansidão e humildade de coração.

Ao fazê-lo, Ele diz, encontraremos descanso. Este descanso não é um dom; é para Seus discípulos, ou melhor, aqueles que aprendem com Ele.

Leva tempo aprender; no entanto, é algo infinitamente gratificante.


Wachman Nee

sábado, 2 de junho de 2012

Maravilharam-se de Seu Poder

“Então, entrando Ele no barco, Seus discípulos O seguiram. E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto, Jesus dormia. Mas os discípulos vieram acordá-lo, clamando: Senhor, salva-nos! Perecemos! Perguntou-lhes, então, Jesus: Por que sois tímidos, homens de pequena fé? E, levantando-Se, repreendeu os ventos e o mar; e fez-se grande bonança.
E maravilharam-se os homens, dizendo: Quem é Este que até os ventos e o mar Lhe obedecem?”.
Mt 8: 23 a 27.

Ao ouvirem o Sermão do Monte as multidões se maravilharam de Sua Autoridade. Agora, nessa passagem descrita por Mateus, os homens agora se maravilharam com Seu Poder.
Depois de ter curado muitos doentes e de ter expulso muitos demônios, vendo Jesus que havia muitas pessoas ao Seu redor, ordenou aos discípulos que entrassem no barco e passassem à outra margem. Como estava cansado, Jesus dormiu.
Eis que sobreveio grande tempestade e aqueles homens, experientes no mar, amedrontaram-se tal a violência das ondas e dos ventos. E Jesus permanecia dormindo como se estivesse numa cama confortável, num quarto aconchegante, numa casa segura e amiga. Dormia como se não houvesse tempestade alguma, mas uma brisa suave e tranqüila.
Desesperados Lhe acordaram suplicando por socorro: “Senhor, salva-nos! Perecemos!”. Diante do grande mal só lhes restava gritar e se desesperar até serem tragados pela morte. Jesus despertando questionou a fragilidade da fé, da segurança, da estabilidade daqueles homens diante das tempestades.
Não é o enfoque dessa reflexão, entretanto, abramos um parêntesis porque muito é dito sobre essa repreensão. Creio que Jesus os repreendeu por se desestabilizarem. Perderam a estabilidade emocional e da fé diante da tempestade mesmo tendo plena convicção de que Jesus estava com eles. No mundo teremos tempestades e aflições, mas, se Ele está no barco conosco, se Ele está no controle de nossas vidas, não há porque perdermos a estabilidade. Podemos sentir medo, frio, angústia, fraqueza, impotência. De fato, assim somos nós, somos pó. Contudo, devemos manter nossos olhos postos n’Ele, o Autor e Consumador de nossa fé. Não só o Autor, mas também o Consumador. O início e o fim. Não devemos nos importar se estamos na bonança ou na tempestade, na chuva ou no sol, importa que Jesus esteja no controle ainda que nos pareça dormir. Jesus homem precisava dormir, descansar, comer, beber. Mas, agora, glorificado, o Guarda de Israel, o Senhor dos Exércitos, não dorme nem dormita, (cochila).
Parêntesis fechado, voltemos ao barco. Jesus levantou-se e repreendeu os ventos e o mar e fez-se grande bonança. O texto não diz, mas posso imaginá-lo voltando a dormir. Porque aquilo que fizera não era em si nada de extraordinário. Ele criou todas as coisas e tudo subsiste pelo Poder de Sua Palavra. Mas aqueles homens maravilharam-se por contemplarem o Poder de Jesus, por serem testemunhas vivas do Poder da Palavra.
Se antes não pensaram em descansar em Jesus, depois de tudo resolvido, tão grande lhes fora o impacto, é que eles não devem ter conseguido dormir mesmo!


Denise Gaspar - 20-02-08

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Maravilharam-se de Sua Autoridade

“Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da Sua doutrina, porque Ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas”. Mt 7: 28, 29.

Aquela multidão vinda de diferentes cidades estava ali assentada ouvindo Jesus ensinar a Seus discípulos. E o que ficou conhecido como o Sermão do Monte começou com as bem-aventuranças e passou por pontos delicados e estratégicos da vida. O sermão é muito mais difícil de ser cumprido-vivido do que as leis estabelecidas por Deus através de Moisés. Ninguém conseguiu cumprir a lei. Já que os que vivem pela lei têm de cumpri-la toda. Por conseguinte, o cumprimento das “regras” da Nova Aliança que Jesus estava estabelecendo ali, são impossíveis de serem cumpridas. Porque convergem para um único ponto: o Amor de Deus. Para que possamos vivê-lo só há um meio: que Deus habite em nós e viva em nós esse Amor.
Mas nem a multidão e nem os discípulos discerniram isso. Esses só puderam entender isso depois do Pentecoste. No entanto, as multidões estavam maravilhadas com Sua doutrina.
Ora, como podiam maravilhar-se com ensinamentos impossíveis de serem cumpridos por esforço e méritos próprios? Porque Ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas. Os escribas ensinavam a lei no estilo “façam o que digo e não façam o eu faço”. Jesus mesmo disse que eles punham fardos pesados ao povo os quais eles mesmos não cumpriam, embora fossem ótimos fiscalizadores, cobradores e juízes.
Aquelas multidões se maravilharam porque não estavam ouvindo falar de regras e sanções. Estavam ouvindo falar do Amor genuíno, o Amor de Deus e de Sua prática. E ouviam de quem tem autoridade para falar porque Jesus é o próprio Deus cuja essência é o Amor. Estava mostrando que o cumprimento da Nova Doutrina só é possível para aquele que tem uma aliança com Ele.
Maravilharam-se porque Jesus estava lhes mostrando a Sua Essência e Caráter.

Denise Gaspar - 20-02-08