quinta-feira, 29 de março de 2012

A cabeça e o corpo

Uma cena, mais do que qualquer outra, simboliza para mim o papel da cabeça no corpo humano e da Cabeça no corpo espiritual. Ela envolve um cego, um paciente que chamarei de José.
O corpo de José já havia sofrido enormes danos causados pela lepra, na época em que ele veio de Porto Rico para Carville para buscar tratamento. Sua insensibilidade ao toque era tamanha que, quando vendado, não conseguia perceber quando alguém entrava no cômodo e segurava sua mão. As células do tato e da dor tinham silenciado. Em razão disso, cicatrizes e úlceras cobriam as mãos, o rosto e os pés, tornando-se testemunha muda dos maus tratos não intencionais que seu corpo havia suportado sem nenhuma sensação de dor. Nada além de cotocos em suas mãos assinalava o local onde costumavam ficar os dedos.
Uma vez que as células de dor em seus olhos já não o alertavam sobre quando piscar, os olhos de José gradualmente se ressecaram. Essa condição, agravada pela intensa catarata e pelo glaucoma, logo o tornou cego. Minha mulher, Margaret (cirurgiã oftalmologista), disse a ele que uma cirurgia corrigiria a catarata, restaurando um pouco de sua visão, mas ela não poderia operá-lo enquanto a inflamação da íris não fosse debelada. Infelizmente, uma terrível desgraça acabou com a última ligação de José com o mundo externo. Em uma tentativa desesperada de deter a lepra resistente à sulfona, os médicos tentaram tratá-lo com uma nova droga. José teve uma rara reação alérgica e perdeu a audição.
Dessa forma, com a idade de 45 anos, José perdeu todo o contato com o mundo. Ele não conseguia ver nem ouvir se uma pessoa falasse. Ele não podia nem ao menos usar a linguagem dos sinais táteis – a lepra havia entorpecido seu tato. Até o sentido do olfato havia sumido após a lepra ter lhe invadido a mucosa nasal. Todas as suas conexões com o mundo, à exceção de seu paladar tinham sido rompidas. Com o passar das semanas, assistíamos aos efeitos disso tudo em José, enquanto sua mente começava a aceitar a realidade de ter perdido todo e qualquer contato significativo com o mundo de flores, rios, ilhas e pessoas.
O corpo de José respondeu com um doloroso reflexo do que estava acontecendo por dentro: os membros se retraíram em direção ao tronco, e ele começou a assumir uma posição fetal sobre a cama. Ele podia acordar e esquecer onde estava. Ele não sabia se era dia ou noite, e quando falava, não sabia se alguém o ouvia ou lhe respondia. Mesmo assim, às vezes ele falava, aumentando o tom de voz por não conseguir ouvir o volume e deixando afluir a inexplicável solidão de uma mente condenada ao confinamento solitário.
Em um mundo assim, os pensamentos andam em círculos e espirais, causando medos e suspeitas. A loucura não é a perda da percepção do mundo real? O corpo de José se enrolava cada vez mais sobre a cama. Ele estava se preparando para morrer na mesma posição em que tinha nascido. Todos que fazíamos parte da equipe, ao passarmos por seu quarto, parávamos à porta por alguns instantes, balançávamos a cabeça e continuávamos em frente. O que podíamos fazer?
Margaret visitava José dedicadamente. Incapaz de apenas observar aquele homem – que de outra forma seria saudável – se auto-destruir, ela sentia que devia tentar algum tipo de tratamento radical para recuperar, pelo menos em parte, a visão dele. Ele aguardava impacientemente a melhora na infecção dos olhos de José para poder marcar a cirurgia.
José, é claro, não entendia o que estava acontecendo quando o moveram em uma maca com rodas para a sala de cirurgia. Ele permaneceu passivamente deitado durante as duas horas da operação.
Margaret removeu as bandagens alguns dias depois; uma experiência que ela nunca esquecerá. Embora José já tivesse percebido algum movimento impreciso, e provavelmente raciocinado que alguém estava tentando ajudá-lo, nada o havia preparado para o que realmente aconteceu. À medida que os olhos lutavam contra a luz e se focavam lentamente sobre a equipe médica reunida ao redor da cama, o rosto que não sorria havia meses se abriu num enorme riso desdentado. O contato havia sido recuperado.
Naquele longo período de isolamento, o cérebro de José continuava intacto dentro do crânio, completo, com memória, emoções e instruções para comandar o corpo. Mas ficava inútil porque a comunicação havia sido bloqueada.
Penso em José quando penso no que Deus suporta ao decidir atuar como a Cabeça em um corpo composto de seres humanos. O órgão mais magnífico do corpo pode permanecer isolado e inútil, caso não haja a cooperação dos sentidos que lhe informam e das células que lhe obedecem. Deus escolheu esta mesma posição para Si mesmo, agindo não a despeito de nós ou contra nós, mas por meio de nós. Essa é a humilhação.
Mas também há um triunfo, e ele surge quando a comunicação é restabelecida. Quando os canais sensoriais de José foram restaurados, repentinamente tudo o que estava isolado e inútil ficou livre para se expressar ao mundo exterior. José deixou claro que queria sua cadeira de rodas parada na porta de seu quarto o dia todo. Ele se sentava lá, quieto, olhando a cada segundo para cima e para baixo os longos corredores do leprosário. Quando via outra pessoa vindo, seu rosto se abria naquele sorriso incontido.
Hoje, José tem contato com o mundo. Ele insiste em vir à nossa pequena igreja todo domingo, mesmo não conseguindo ouvir nada do culto. Com o que lhe restou dos dedos, ele mal pode segurar o botão de controle de sua cadeira de rodas elétrica, e o estreito campo de visão faz com que ele colida com os objetos ao longo dos compridos corredores. Mas ainda assim ele vem, independentemente do clima lá fora. Os outros membros aprenderam a cumprimentá-lo inclinando-se, colocando o rosto na frente dele e acenando. O maravilhoso sorriso de José invariavelmente aparece, e às vezes sua alta risada. Apesar de não enxergar direito e não poder ouvir ou sentir absolutamente nada, ele consegue de alguma forma sentir a amizade daquela igreja. Isso é suficiente para ele.
A mente de José já não está mais isolada e sozinha, mas unida às outras células em seu corpo. Tudo aquilo em seu poderoso cérebro tem agora uma conexão com o resto de nós aqui fora. Ele pode expressar a imagem que esteve lacrada lá dentro.

Yancey e dr Paul Brand, “À imagem e semelhança de Deus”

terça-feira, 27 de março de 2012

O relacionamento da cabeça com o corpo

Dentro da analogia deste livro, os relatos de Von Senden ilustram como o cérebro, isolado do mundo real em sua caixa de marfim, precisa interpretar a realidade a partir de indícios parciais, informados pelo resto do corpo. Quando uma condição como a cegueira limita essas informações, o corpo é afetado por inteiro.
De imediato admito que a analogia da percepção não pode ser levada muito longe. A mente ou a cabeça deste corpo – o próprio Deus na pessoa de Cristo – não depende das percepções obtidas por meio dos membros do Seu corpo nem é limitada a elas. O Seu conhecimento abrange tudo; Ele não precisa de nossas frágeis fibras para aumentar Sua sabedoria. Entretanto, em outro sentido, graças ao espantoso fato de Deus ter limitado a Si mesmo, a analogia da mente solitária se aplica.
Já vimos que Deus autolimita Sua atuação ao contar principalmente com falhos agentes humanos. Por caminhos além da nossa compreensão, Deus também escolheu fazer com que Sua presença na terra fosse dependente de nós, as mensagens enviadas pelos membros, ou células, de Seu corpo.
De todos os maravilhosos aspectos do corpo humano, não conheço nenhum que seja tão fantástico quanto o fato de todas as centenas de trilhões de células de meu corpo terem acesso ao cérebro. Muitas células, como as usadas na visão, têm conexão direta com os neurônios; outras têm canais imediatamente colocados à disposição quando precisam informar suas necessidades ou situação. E, no corpo de Cristo, não conheço nada tão fantástico quanto o fato de cada um de nós ter contato direto com Jesus, o Cabeça. Surpreendentemente, Ele ouve nossa voz, leva em consideração nossos pedidos e, quase literalmente, usa essas informações para influenciar o sentido de suas atitudes no mundo. “A oração de um justo é poderosa e eficaz”, (Tg5:16).
Por meio de nós, que atuamos como Suas mãos, ouvidos, olhos e neurônios, Deus permanece “em contato” com este mundo e com as pessoas que vivem nele. Suas ações levam em conta o que Lhe comunicamos. Há também uma “vantagem” para Deus, por assim dizer. Em diversas e formidáveis passagens, a Bíblia expressa a impressionante verdade de que Deus tem prazer em Sua Igreja: somos Seu “tesouro pessoal”, “um aroma agradável”, “presentes com os quais Ele Se alegra”. E por mais de trinta vezes no Novo Testamento nos lembra de que somos Seu corpo, unidos a Ele de forma tão íntima, que o que acontece a nós também acontece a Ele. Por mais impressionante que possa parecer, a conclusão é óbvia: Deus quer que sejamos Seus companheiros. Ele deseja receber mensagens de Seu corpo. Ele nos criou para que pudesse receber nosso amor.
A ação humana, como a oração, afeta o Paraíso. A conversão de um único pecador faz com que haja festa nos céus.
Logicamente, orar é o canal principal. A oração em si pode ser uma atividade de tempo integral. A Bíblia nos lembra com veemência que Deus ouve nossas orações. Por mais incrível que pareça, tem-se a impressão de que Deus sente falta do contato com os diferentes membros do corpo. A falta desse contato e a ausência da fé humana limitam o corpo espiritual, da mesma forma que a falta que de um sentido, como a visão, limita todo o corpo físico.
A intimidade ou canal aberto que agora temos com Deus remonta à conciliação ganha por Cristo para nós. Na encarnação, Ele assumiu o papel de célula, adentrando Sua própria criação. E ao longo de todo o Seu tempo na terra, Jesus sentiu a necessidade de Se retirar para entrar em comunhão com o Pai. Deus falando com Deus – o mistério da Trindade. Por Seu exemplo, o Filho de Deus nos mostrou como é imprescindível enviar um fluxo contínuo de mensagens para o Pai.

O corpo de Cristo tem uma clara vantagem sobre o corpo físico, pois naquele a Cabeça está totalmente acessível e receptiva a mais leve mensagem externa. A Cabeça do corpo de Cristo nunca precisa ser despertada ou instruída. Nenhuma carência de sabedoria ou de poder limita a ação de Deus no mundo. Em vez disso, a única limitação é a participação das células que são membros em relação à Cabeça. Todos os cristãos precisam apenas aprender a entregar a Deus cada emoção, cada atitude e cada experiência de suas vidas.
Davi é um exemplo de humano imperfeito, assassino e adúltero. No entanto, achou favor em Deus, a ponto de ser chamado “homem segundo o coração de Deus”. Ao ler os seus poemas posso perceber que mereceu essa denominação. Seus poemas contêm não apenas raiva e desespero, mas também alegria e louvor; desamparo e tristeza, mas também força e confiança; dor e vingança, mas também humildade e amor. Temperamentos claramente contraditórios se digladiam. Suas emoções são tumultuadas. Davi não escondia nada de Deus, fosse bom, fosse ruim. Creio que era isso o que Deus amava. A “célula” chamada Davi levava Deus a sério. Ele relatava diariamente, e às vezes a cada minuto, cada situação de sua vida e esperava que Deus lhe respondesse.

Yancey e dr Paul Brand, “À imagem e semelhança de Deus”,

domingo, 25 de março de 2012

Oração em favor da igreja

“Agora, pois, ó Deus nosso, ouve a oração do Teu servo e as suas súplicas e sobre o Teu santuário assolado faze resplandecer o rosto, por amor do Senhor”, (Dn9:17).

Esse homem de coração veraz não vivia para si. Daniel era ardoroso amante de seu país.
Sua oração é instrutiva para nós.
Ela sugere nossas ferventes súplicas a favor da igreja de Deus, nestes dias.
I – O LUGAR SANTO “TEU SANTUÁRIO”.
O templo era típico, e, para nossa edificação, deveremos ler o texto como se ele quisesse significar a casa espiritual. Há muitos pontos no símbolo que são dignos de nota, mas estes podem ser suficientes:
1. O templo era único e, como só podia haver um templo para Yahweh, assim também há apenas uma igreja.
2. O templo resultou de grande custo e vasta mão de obra; assim também foi a igreja edificada pelo Senhor Jesus, a um custo que jamais pode ser avaliado.
3. O templo era o santuário da habitação de Deus.
4. O templo era o lugar onde Deus era adorado.
5. O templo era o trono de Seu Poder: Sua Palavra provinha de Jerusalém; ali Ele governava Seu povo e destroçava Seus inimigos.
II – A ORAÇÃO FERVOROSA. “SOBRE O TEU SANTUÁRIO ASSOLADO FAZE RESPLANDECER O ROSTO”.
1. Ela estava acima de todo egoísmo. Essa era sua única oração, centro de todas as suas orações.
2. Ela se lança sobre Deus. “Ó Deus nosso”.
3. Era uma confissão de que ele nada podia fazer de si mesmo. Homens honestos não pedem a Deus que faça o que eles mesmos podem fazer.
4. Pedia uma ampla bênção. “Faze resplandecer o Teu rosto”. Isso significa muitas coisas, que também imploramos, a favor da igreja de Deus.
Ministros em seus lugares, fiéis em seu serviço.
Verdade proclamada em sua clareza. O rosto de Deus não pode brilhar sobre falsidade ou equívoco.
Deleite na comunhão. Poder no testemunho. Quando agradamos a Deus, Sua Palavra é Poderosa.
III – A CONDUTA CONSISTENTE É SUGERIDA POR ESS ORAÇÃO.
1. Lancemo-la fervorosamente no coração. Quer para alegria ou tristeza, que a conduta da igreja nos preocupe profundamente.
2. Façamos tudo o que pudermos por ela, ou nossa prece será uma zombaria.
3. Nada façamos para entristecer ao Senhor; pois tudo depende de Seu sorriso.
4. Oremos muito mais do que temos feito. Cada um de nós seja um Daniel.

Cito Thomas Adams: “A igreja pode estar enferma, mas não está morta. Morrer ela não pode, pois o Sangue do Rei Eterno a adquiriu, o Poder do Espírito Eterno agora a preserva, e a Misericórdia do Deus Eterno finalmente a coroará”.



Spurgeon

O homem do céu

O ataque foi tão duro que minha única reação foi me encolher e fixar o pensamento em Jesus, tentando não pensar na dor. Por fim, perdi a consciência.
O incidente foi tão violento que só não morri por milagre. Mais tarde, as palavras do salmista me vieram à mente: “Não fosse o Senhor, que esteve ao nosso lado, quando os homens se levantaram contra nós, e nos teriam engolido vivos, quando a sua ira se acendeu contra nós; as águas nos teriam submergido, e sobre a nossa alma teria passado a torrente; águas impetuosas teriam pássaros sobre a nossa alma. Bendito o Senhor, que não nos deu por presa aos dentes deles. Salvou-se a nossa alma, como um pássaro do laço dos passarinheiros; quebrou-se o laço, e nós nos vimos livres. O nosso socorro está em o nome do Senhor, criador do céu e da terra”, (Sl 124:2-8).
Acordei numa cela no quartel general de Departamento de Segurança Pública da cidade de Zhengzhou. O Irmão Xu e outros líderes estavam comigo. Eu me encontrava coberto de lama das botas dos oficiais, minhas orelhas estavam inchadas por causa da surra, e eu não conseguia ouvir muito bem.
Ficamos sabendo que a ordem para nos prender viera do governo central de Pequim, que havia descoberto que planejávamos nos unir. As igrejas domésticas isoladamente já representavam um espinho na carne para o estado comunista ateu. Sendo assim, a perspectiva do que poderia acontecer se nos uníssemos gerou terror nos escalões mais altos do governo. A ordem de Pequim determinava que as autoridades da Província de Henan deveriam tratar nosso caso com extrema seriedade. Os governantes desconheciam que o Reino de Deus não é deste mundo e temiam que os debates sobre a unidade resultassem em um partido político de oposição que poderia ameaçar a estabilidade do país.
As autoridades filmaram e fotografaram nossa detenção. A notícia vazou da China para o resto do mundo.
Sofremos torturas horrendas. Fomos algemados e amarrados juntos, com cordas, e depois surrados com varas e cassetetes. Não ficaríamos surpresos se nos levassem e nos executassem sem nenhum aviso.
Em minha audiência no tribunal o juiz declarou:
- Yun, estou farto de você. Vem fazendo oposição ao governo e virando a sociedade de cabeça pra baixo há anos. Fugiu da prisão muitas vezes. Sua última façanha foi pular de uma janela e quebrar as pernas. Responda, Yun, se você tiver oportunidade, vai tentar fugir de novo?
Pensei um pouco e respondi com a verdade:
- É uma boa pergunta, senhor juiz. Não vou mentir. Se eu tiver oportunidade, vou tentar fugir. Fui chamado para pregar as boas novas por toda a China, e tenho de fazer tudo o que for possível para obedecer ao chamado que Deus colocou em minha vida.
Minha resposta enfureceu a todos: juiz, guardas e oficiais do tribunal. O juiz falou com rispidez:
- Que ousadia falar isso, seu delinqüente! Vou quebrar suas pernas definitivamente, e você nunca mais vai conseguir fugir!
Fui levado a uma sala de interrogarório, onde vários guardas me forçaram a sentar no chão, com as pernas separadas. Implorei que não batessem em minhas pernas fraturadas, mas um homem de aparência sinistra endureceu o coração e pegou o cassetete. Para garantir que eu nunca conseguiria fugir, golpeou minhas pernas repetidas vezes, entre os joelhos e os tornozelos. Dilacerou-as até que eu não suportei mais a dor. Desabei ali no chão, gritando como um animal ferido. A dor excruciante percorria todo o meu corpo e também a mente. Tudo que eu podia fazer era tentar focalizar o pensamento no Senhor Jesus e em Seu sofrimento na cruz.
Tive certeza de que iria morrer, mas Deus me sustentou porque ainda não havia concluído a obra em mim. Minhas pernas ficaram completamente pretas do joelho pra baixo, e perdi a sensibilidade nelas. Meu corpo todo doía e havia hematomas da cabeça aos pés.

Yun foi libertado por uma ação direta do Senhor, no tempo perfeito de Deus, depois de cumprir apenas 7meses e 7dias da sentença de 7anos. Agora estávamos no aeroporto, aguardando sua chegada. Será que viria doente, cansado e abatido, depois de uma provação terrível?
De repente, Yun apareceu no portão de desembarque, muito diferente do que prevíamos. O rosto brilhava, e o sorriso ia de uma orelha a outra.
“Louvado seja Deus! Aleluia!” foram suas primeiras palavras. “Glória a Deus!”
Nós nos demos as mãos e curvamos a cabeça em oração de gratidão. Enquanto isso os demais passageiros passavam por nós apressadamente, rumo aos balcões do aeroporto, olhando-nos espantados.
O Irmão Yun é conhecido em toda a China como o “Homem do Céu”, por causa de um incidente ocorrido em 1984, quando se recusou a revelar às autoridades sua verdadeira identidade para não colocar em perigo outros cristãos. Diante das ameaças e da violência do Departamento de Segurança Pública, em vez de dizer seu nome e endereço, ele gritava:
“Sou um homem do céu! Meu lar é o céu!”
Os crentes, que ainda estavam reunidos em uma casa próxima, ouviram os gritos e perceberam que era um aviso. Fugiram e, por isso, escaparam da prisão.
Em sinal de respeito a coragem e ao amor de Yun pelo corpo de Cristo, os crentes da igreja doméstica da China o chama até hoje de “Homem do Céu”.
Yun é o primeiro a reconhecer que há muita coisa nele que não tem nada de celestial! Como todos nós, enfrenta tentações e fraquezas, mas ele sabe que, sem a Graça de Jesus, não tem nenhum valor. Uma vez, ele disse a Deling, sua esposa:
“Não somos absolutamente nada. Não temos nada de que nos orgulhar. Não possuímos habilidades nem coisa alguma a oferecer a Deus. O fato de Ele decidir nos usar decorre unicamente de Sua Graça. Não é mérito nosso. Não poderíamos nem pensar em nos queixar se Ele resolvesse levantar outras pessoas para cumprir Seus propósitos, sem nunca mais nos usar”.
Oswald Chambers escreveu: “Se você der a Deus o direito de controlar sua vida, Ele fará de você um experimento santo. E os experimentos d’Ele sempre dão certo”. Com toda certeza isso se aplica ao Irmão Yun. Desde que se encontrou com Jesus Cristo, ele vem se empenhando em servi-Lo de todo o coração. Conhecer suas experiências e aprendizado pode servir de encorajamento para cristãos – de qualquer parte do mundo – que estejam empenhados em seguir o Senhor Jesus.
O testemunho do irmão Yun reflete a fidelidade e a bondade de Deus. Mostra que o Senhor pegou um garoto faminto de uma vila pobre da Província de Henan, na China, e o usou para abalar o mundo. E em vez de se fixar nos muitos milagres ou nos sofrimentos que presenciou e experimentou, Yun prefere contemplar o caráter e a beleza de Jesus Cristo. Deseja que todo o mundo conheça Jesus como ele conhece, não como uma figura histórica e distante, mas como o Deus Todo-Poderoso, capaz de todas as coisas, sempre presente, cheio de amor.
Alguém disse: “Não são os grandes homens que transforma o mundo, mas sim os fracos, nas mãos de um Grande Deus”.
Quem conhece o Irmão Yun sabe que ele é um servo humilde de Deus, que não deseja que nada em sua vida traga glória para si mesmo nem para qualquer outro homem.
O Irmão Yun deseja que sua história conduza toda atenção e toda glória para o Único Homem do Céu – o Senhor Jesus Cristo.



Irmão Yun

O problema do sofrimento

Há certo paradoxo no Cristianismo acerca da tribulação. Abençoados são os pobres, mas por meio do ‘julgamento’ (isto é, da justiça social) e dos donativos devemos eliminar a pobreza onde quer que seja possível. Abençoados somos quando perseguidos, mas podemos evitar a perseguição voando de uma cidade para outra e podemos orar para ser poupados dela, tal como o Senhor orou no Getsêmani. No entanto, se o sofrimento é bom, não deve ser buscado, em vez de evitado? Respondo que o sofrimento não é bom em si mesmo. O que é bom em toda experiência de sofrimento é, para o sofredor, sua submissão à vontade de Deus e, para os espectadores, a compaixão despertada e os atos de clemência que a ela conduz.

O problema de evitar o sofrimento admite uma solução semelhante. Alguns ascetas aplicavam a tortura a si mesmos. Como leigo, não tenho opinião a dar sobre a prudência de semelhante costume, a tortura em si mesma é coisa bem diversa da tribulação enviada por Deus. Todos sabem que o jejum é uma experiência diferente de se perder o jantar por acidente ou em virtude da pobreza. O jejum afirma a vontade contra o apetite, sendo a recompensa o autodomínio, e o perigo, o orgulho. A fome voluntária subjuga a vontade e o apetite humanos à vontade Divina, propiciando ocasião para a submissão e nos expondo ao perigo da revolta. Mas o efeito redentor do sofrimento repousa, sobretudo, na tendência que ele tem de minorar a vontade rebelde. As práticas ascéticas, que fortalecem a vontade, só são úteis na medida em que facultam à vontade colocar a própria casa (as paixões) em ordem, numa preparação para oferecer o homem em sua totalidade a Deus. Elas são necessárias como meio: como fim, seriam abomináveis, pois, ao substituir a vontade pelo apetite e ali parar, apenas trocariam o eu animal pelo eu diabólico. Por essa razão é que já se disse que “só Deus pode mortificar”. A tribulação atua em um mundo – e pressupõe um mundo – em que os seres humanos comumente estão buscando, por meios legítimos, evitar seu mal natural e conseguir o bem natural. Se quisermos submeter a vontade a Deus, devemos ter uma vontade forte, e esta por sua vez deve ter propósitos. A renúncia cristã não é o mesmo que a “Apatia” estóica, mas uma certa prontidão para escolher a Deus, e não objetivos inferiores, que são em si mesmos legítimos. Por isso é que o Homem Perfeito levou ao Getsêmani uma vontade – e uma vontade forte – de escapar ao sofrimento e à morte, caso essa fuga fosse compatível com a vontade do Pai, aliada a uma perfeita prontidão para a obediência se assim não fosse. Alguns recomendam uma “total renúncia” no início do discipulado, mas creio que isso possa significar apenas uma total prontidão para toda renúncia em particular que possa ser exigida, pois não seria possível viver de momento em momento sem querer nada além da submissão a Deus como tal. O que seria a matéria da submissão? Pode parecer contraditório afirmar: “O que quero é submeter o que quero à vontade de Deus”, pois o segundo “o que” carece de conteúdo. Indubitavelmente, todos dispensamos cuidados em demasia para evitar o sofrimento, porém a intenção devidamente subordinada de evitá-lo, por meios legítimos, está em conformidade com a “natureza”, isto é, com todo o sistema de operação da vida de uma criatura para qual a obra redentora da tribulação é calculada.

C.S. Lewis

quinta-feira, 22 de março de 2012

A estranha genealogia de Jesus

“Esses são os ascendentes de Jesus Cristo, nascido na família do rei Davi e de Abraão. Abraão foi pai de Isaque, Isaque pai de Jacó, Jacó pai de Judá e de seus irmãos. Judá foi pai de Perez e Zerá, a mãe dos dois foi Tamar. Perez foi pai de Esrom, Esrom foi pai de Arão; Arão foi pai de Aminadabe; Aminadabe foi pai de Naassom; Naassom foi pai de Salmom; Salmom foi pai de Boaz, a mãe dele foi Raabe; Boaz foi pai de Obede, a mãe dele foi Rute, e Obede foi pai de Jessé; Jessé foi pai do rei Davi; Davi foi o pai de Salomão e a viúva de Urias foi a mãe dele. Salomão foi pai de Roboão; Roboão foi pai de Abias, e Abias foi pai de Asa.” Mt 1: 1 a 7.

Há pelo menos três motivos pelos quais nós lemos esse texto, pelos quais está inserido na Bíblia. A primeira razão é porque Deus, através desse texto, mostra Sua fidelidade. Mostrando que a promessa que Ele fez a Davi, que se chamou o pacto de Davi, Ele cumpriu.
A segunda razão é que Deus inseriu nesse texto o nome de algumas mulheres. A genealogia de Jesus está escrita e registrada em Mateus e em Lucas, porque Deus sempre Se preocupou em dar às mulheres um lugar de proeminência já que Ele sabia que nas regiões onde a Bíblia foi escrita as mulheres não tinham um papel como têm hoje. Elas estavam realmente relegadas a um plano secundário, a um plano inferior. Então, o Senhor fez questão de mostrar que, ainda que Ele tivesse criado a mulher a partir do homem, a mulher não nasceu para ser escrava do homem, não nasceu para ser esquecida pela humanidade. A mulher é instrumento de Deus para procriação da raça, para dar continuação a raça.
E o Senhor colocou, pelo menos, quatro mulheres aqui para mostrar para todos nós que a mulher tem um papel muito importante na nossa vida e muito importante para o próprio Deus. Foi através da mulher que entrou o pecado no mundo, mas foi a mulher também que pregou a maior mensagem que o mundo já viveu. Quando o Senhor ressuscitou não foi Pedro, nem João, nem Mateus, nem Lucas, nem Paulo que teve o primeiro contato com Jesus. Jesus Se apresentou a uma mulher. E o Senhor falou para ela: “você vai e conta pra todo mundo” e ela contou. E assim como o pecado entrou no mundo através da mulher a maior notícia de todos os tempos, a Vida disponível a nós, também entrou através da mulher. Foi Maria que deu a notícia, aos discípulos e a todos nós, de que o Senhor está vivo.
Não são só por esses motivos que quero falar sobre a genealogia de Jesus. O mais importante dos motivos é que o Senhor inseriu aqui algumas pessoas que jamais fariam parte da genealogia se dependesse do povo judeu, se dependesse dos escribas, dos fariseus, dos sacerdotes. O Senhor diz no versículo 3: “Judá foi pai de Perez e Zerá, e a mãe deles dois foi Tamar”. Quem foi Tamar? Tamar foi uma mulher que só pela Graça de Jesus aparece Sua na genealogia.
Primeiro essa genealogia fala dos homens e não das mulheres: tal homem gerou a tal homem, que gerou a tal homem que gerou a tal homem. Os homens assumiam o trono.
Por que o Senhor fez questão de dizer: “Judá foi pai de Perez e Zerá, e a mãe deles dois foi Tamar”? Porque Tamar era nora de Judá e, naquela época, se uma mulher ficasse viúva e não desse filhos ao seu marido antes dele morrer ela tinha que, obrigatoriamente, casar com um cunhado para dar linhagem a este homem, para que a memória dele não se apagasse. Então, quando Tamar ficou viúva ela tinha que esperar que seu cunhado chegasse a idade em que pudesse se casar, e ela estava esperando. Vou resumir bem a história para os irmãos. Um dia o seu sogro estava numa roda de varões nobres e honrados, e passando numa cidade diferente buscou uma prostituta. Tamar sabendo que o cunhado já tinha idade e não lhe era por marido, se cobriu passando por prostituta, e ele esteve com a própria nora, sem o saber, e não tendo dinheiro para pagar pelo serviço deixou seu bastão com ela até que mandasse o dinheiro. E Tamar se achou grávida do sogro. Quando chegou a notícia a Judá de que a sua nora indevidamente engravidou, sendo viúva e sem ter marido nenhum, ele foi o primeiro a chamá-la numa roda e falou da lei que diz que se uma mulher na condição dela aparecesse grávida tinha que ser apedrejada. A única coisa que Tamar disse foi: “Antes que me apedrejem eu gostaria de fazer conhecer o pai da criança que vai morrer comigo agora. Ele nem sequer me pagou, mas ele é dono desse bastão, ficou de voltar pra me pagar o serviço e até hoje não pagou”. E, quando ela mostra o bastão Judá caiu em si e disse: “Eu sou mais pecador que a minha nora que eu queria apedrejar e matá-la pelo pecado cometido. Eu sou mais pecador que ela”.
Os judeus colocariam Judá na trajetória até Jesus, mas jamais Tamar, mas como quem escreveu a Palavra foi o Senhor, porque a Bíblia é a Palavra de Deus, fez o Senhor questão de inserir, aqui no meio, uma mulher marginalizada, uma mulher que engravidou indevidamente, uma mulher a margem da sociedade, uma mulher que estava a ponto de ser morta pela lei, mas escapou e seu nome colocado na genealogia.
Diz: “Judá foi pai de Perez e Zerá”. Veja o que aparece na linhagem de Jesus, irmãos, dois homens que são filhos do sogro com a nora num incesto, numa questão que até hoje gera tanto reboliço. Naquela época isso aconteceu, mas Deus permitiu que isso aparecesse no texto sagrado com um propósito específico.
Adiante diz: “Salmom foi pai de Boaz, mas a mãe dele foi Raabe”. Quem foi Raabe? Foi uma escriturária nobre do distrito de Israel? Essa mulher foi uma governanta? Foi uma profetisa? Quem foi Raabe? Raabe foi uma mulher prostituta profissional da cidade de Jericó.
Deus deu ordem que Jericó fosse derrubada. Deus falou: “Vou entregar Jericó nas mãos de vocês: na verdade, já entreguei, vocês têm simplesmente que tomar posse”. E, quando os espias foram para saber como estava a situação antes de atacarem Jericó, essa mulher que vivia numa casa nas muralhas da cidade ouviu a notícia. Naquela época não tinha jornal nem revista como tem hoje, mas as notícias do que Deus tinha feito no Egito tinham chegado a Jericó. Ela ouviu a notícia e disse: “Israel está vindo aí e o Deus dele arrasa com tudo que fica no Seu caminho. Eles vão acabar com a gente”. E essa mulher escondeu em sua casa os espias que vieram para ver Jericó.
Eles estavam em Jericó, foram descobertos e enquanto fugiam ela os chamou para sua casa. Eles entraram na casa da prostituta e ela os escondeu no telhado, depois que passaram aqueles que os estavam procurando disse: “vocês podem ir embora agora, estão livres, mas não esqueçam, quando vocês tomarem a cidade, eu quero ser poupada porque eu sei o Deus que vocês servem”. E fizeram um acordo com um fio de escarlate. Disseram: “coloque na sua janela uma fita vermelha e nós vamos poupar o povo que estiver dentro de sua casa”.
Ainda hoje aqueles que são nossos familiares e entram debaixo da fita vermelha do Sangue de Jesus são tão abençoados como foi a família de Raabe. Raabe chamou sua família e disse: “só na minha casa há garantia de salvação, essa cidade vai ser destruída”. Raabe, a prostituta, quando o povo de Israel passou como um tanque, como um rolo compressor, e acabou com Jericó, Raabe acompanhou a procissão do povo de Israel, aqueles milhões de pessoas e foi com eles. Ela não era israelita, ela era uma mulher de Jericó, era uma prostituta, mas o Senhor colocou essa mulher no meio do povo. E no meio do povo ela conheceu um homem e a Bíblia diz: “Salmom foi pai de Boaz, mas a mãe dele foi Raabe”. Uma mulher que não tinha nada a ver com o povo de Israel e os judeus jamais colocariam o nome dela na história de Jesus, na história do Messias. Mas Raabe entrou porque Deus tinha um propósito específico nisto, não só o de abençoar uma mulher e registrar o nome dela, mas de colocar uma mulher de má reputação, conforme os comentários dos homens, uma mulher mau vista na sociedade, o Senhor a colocou na ascendência de Jesus.
Mas o texto continua: “Boaz foi pai de Obede, mas a mãe dele foi Rute”. Quem foi Rute? Rute não foi uma israelita, Rute foi uma moabita. Os moabitas descendiam dos filhos das filhas de Ló. Os irmãos sabem que Ló saiu de Sodoma viúvo e com duas filhas solteiras. As filhas embebedaram Ló na caverna e se deitaram com ele. Ló teve um filho com cada filha. Daí nasceram Edom e Moabe que Ló não sabia se chamava de filho ou de neto porque eram filhos dele, mas eram filhos das filhas dele. E esses dois povos que saíram dessa relação incestuosa entre Ló e suas duas filhas deram origem aos moabitas. E no meio dos moabitas estava Rute.
Noemi foi habitar, com seu marido e seus dois filhos, em Moabe. Lá, um de seus filhos casou com Rute. Depois Rute ficou viúva e voltou com a sogra que também ficara viúva pra morar de novo em Belém. E quando foi morar em Belém... estrangeira e expatriada, ela foi trabalhar nos campos colhendo o que caía da cesta dos colhedores. E aquele homem, Boaz, que era dono da plantação, se apaixonou por ela e se casou com Rute e Rute veio a entrar na genealogia de Jesus. Uma estrangeira, nascida de um povo estranho um povo inimigo do povo de Israel, um povo marginalizado, Deus trouxe para a genealogia de Jesus.
E: “Obede foi pai de Jessé”. E Jessé? “Jessé foi o pai do rei Davi, e Davi foi pai de Salomão da viúva de Urias”. A Bíblia fala no nome de Urias na genealogia de Jesus. Urias foi um dos valentes de Davi, um dos homens de confiança de Davi. Ele estava disposto a morrer para defender Davi. Quando Urias foi à guerra Davi se apaixonou pela mulher dele.
Primeiro Davi não sabia quem ela era. Davi viu uma mulher se banhando e se apaixonou, mandou que ela viesse, trouxeram a mulher, Davi esteve com ela. A mulher voltou pra casa, tudo combinado, está tudo certo, o pecado está debaixo do tapete, ninguém viu. O rei pecou, mas ninguém falaria nada... todo mundo estava na guerra. Mas depois ela mandou uma notícia: “estou grávida. Como vamos fazer?” Davi, então, se informa: “quem é esta mulher?” “Ela é mulher de um capitão, do comandante, ele é um dos homens de confiança do rei. É a mulher de Urias”. “Onde está Urias?” “Urias está na guerra”. E Davi, do adultério que havia cometido, passou pra outro abismo. Ele, então, providenciou a morte de Urias, para que morresse como um herói de guerra. E quando Urias morreu e chegou a notícia Davi lamenta: “que pena... morreu Urias... Já que morreu... a viúva está aí, tadinha... manda que venha de uma vez” E a viúva de Urias foi morar no palácio como uma nova esposa de Davi. Tudo resolvido. Betseba foi morar no palácio. Tudo resolvido, quem iria se levantar contra Davi porque agora ela era viúva. Ele estava protegendo uma viúva grávida. Que homem bom! Que coração generoso! Tudo funcionando bem... mas Deus mandou uma visita pra Davi, dessas visitas que nós não gostamos de receber.
O profeta Natã um dia incomodado pelo Senhor, foi lá visitar Davi. Davi pensava que todo mundo já tinha esquecido... Mas, irmãos, nós pensamos que o tempo apaga os pecados, ele não apaga os nossos pecados, só a confissão ao Senhor e o conseqüente perdão é que apaga os nossos pecados. A Bíblia diz que o Senhor garante que Ele não Se lembrará de nossos pecados se eles forem confessados. Mas Davi não tinha confessado, ele tinha ‘arrumado’ as coisas. Agora, chegou Natã.
Natã era profeta ‘chapa branca’, entrava no palácio a hora que quisesse. Entrou e encontrou Davi contente: “A que devo a visita?” “Eu vim pra conversar um pouco...” E contou um caso da cidade: “Preciso de sua ajuda. Há um homem que tinha uma ovelhinha só e o visinho dele tinha muitos animais. Mas o visinho, que tinha tantos animais, mandou matar a única ovelhinha que o homem tinha”. E Davi: “Isso não pode ficar impune! Esse homem tem que morrer, me dá o nome dele que eu vou tomar as devidas providências”. E Natã: “Vou dar o nome agora, anota aí: D-A-V-I, Davi”. “Como é o nome?” “Davi”. Não preciso contar o resto da história. Davi caiu em si porque Natã disse: “Tu és o homem”.
Esquecendo um pouco de Davi e de Natã... Irmãos, Urias, que morreu por causa de uma mulher sem escrúpulos e de um rei igualmente sem escrúpulos, Deus obrigou Mateus a registrar que “Jessé foi o pai de Davi, mas Davi foi o pai de Salomão da viúva de Urias”. Deus registrou o nome de Urias na genealogia: “Não vai passar em branco”.
Deus colocou Tamar que ficou grávida do sogro. Deus colocou Raabe, uma prostituta profissional, na ascendência de Jesus. Deus colocou Rute, uma descendente dos moabitas. E Deus colocou Betseba, uma mulher que foi esposa de um dos capitães de Davi a quem usou e depois matou seu marido pra que pudesse estar com ela.
Como essas mulheres de uma vida tão duvidosa fazem parte da genealogia de Jesus que nos salvou, que morreu por nós e que hoje nos presenteia com Sua presença aqui? Primeiro para nos mostrar o pacto com Davi. Segundo pra dar honra às mulheres.
Mas a maior razão é que o Senhor quer que saibamos que assim como Ele usou pessoas indignas para fazerem parte da genealogia do Messias, Ele usa algumas pessoas indignas, como eu e você, pra fazer a história da humanidade. O Senhor usa pessoas como eu e você que não temos um registro tão abençoado, não temos uma genealogia tão nobre... quem sabe tenhamos histórias de famílias problemáticas? Que venhamos de situações que não valham a pena serem lembradas? Assim como inseriu pessoas de histórias duvidosas na genealogia de Jesus, por essa mesma Misericórdia, o Senhor usa a mim e usa a você para que nós venhamos a fazer parte da história que Ele está escrevendo hoje em nossas vidas.
Não importa da onde você vem. Talvez você diga que é estrangeiro. Deus usou uma moabita como Rute para fazer parte da genealogia de Jesus. Talvez você diga que ninguém sabe da onde você vem e das coisas que você fez nesta terra. Foi assim com Raabe, todos quando a olhavam lembravam da prostituição. Ela não fazia por gostar, era por necessidade, ela vivia daquilo e Deus colocou uma prostituta profissional pra participar da genealogia do Messias.
O Messias Puro, que morreu por nós e que hoje está aqui, Ele não tem, irmãos, uma ascendência muito digna segundo valores sociais. Quando você lê a genealogia de Jesus se pergunta: como esse povo pode estar aqui? É por isso que os judeus ainda engasgam quando falamos que Jesus é o Messias. Porque como pode vir um Messias de uma linhagem tão problemática como esta? De gente como Rute, que era moabita, de gente como Raabe, que não era israelita e ainda era prostituta. De gente como Tamar que foi engravidada pelo sogro. Como Deus pode aceitar um negócio desses? Pode, assim como nos aceita hoje, por Sua Misericórdia. Quem sabe você não é conhecido hoje, mas amanhã alguém vai dizer a seu respeito, vai lembrar de seu nome, ainda que você tenha um histórico meio duvidoso, meio problemático. Deus, por Sua Misericórdia, ainda está disposto a usar nossas vidas. Isso é o que se chama Misericórdia!
Nós não sabemos os planos que Deus tem, mas uma coisa nós sabemos: Deus tem caminhos completamente diferentes dos nossos. Na lista de Deus entra gente que, pela Sua Misericórdia, Ele deseja usar. Gente que esteja mais preocupada em ser útil nas Mãos de Deus do que passar os diplomas que tem, de mostrar a família de onde veio, dos lugares de onde saiu.
Há um profundo desejo no coração de Deus em usar nossas vidas de uma maneira que nem imaginamos. “Como Deus vai usar minha vida?” Assim como os presidiários pegam fósforos queimados e unem um aos outros e colam e fazem portas jóias tremendamente bonitos... Não sei se vocês já viram os porta jóias que os presidiários fazem? Eles fazem uma pintura tão linda... fósforos queimados se tornam porta jóias. É o que Deus faz conosco. Nós somos, muitas vezes, fósforos queimados pra sociedade. O Senhor nos une, nos junta uns aos outros, e nós viramos um porta jóias. O Espírito Santo, que é a maior riqueza que podemos ter, habita dentro de nós.
Eu li, ontem, um comentário do pr Caio Fábio dizendo: “na realidade a única coisa que existe é o hoje, porque do ontem só restam fotografias e memórias boas ou ruins; ninguém tem acesso ao passado, ele pode ter feito bem ou mal a nós, mas não temos acesso a ele; e o nosso futuro nenhum de nós tem garantia de que vai viver”. Nós temos planos. Tiago falou da falibilidade dos planos humanos: “amanhã eu vou fazer... eu vou negociar...” nenhum de nós sabe se vai estar vivo amanhã. Mas o hoje está em nossas mãos, e hoje é o dia que o Senhor nos deu. Por isso falou: “nos alegremos e nos regozijemos n’Ele, esse é o dia que o Senhor nos deu”. Essa é a nossa hora, o nosso dia, é a hora em que o Senhor que usá-lo. Por que? Por que você é bomzinho? Por que tem família nobre? Não! Porque Deus é Misericordioso. Jeremias escreveu: “As Misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos”. É a Misericórdia do Senhor que quer usar você pra fazer diferença nesta cidade, neste país, nessa nação e no mundo inteiro. Por Misericórdia Deus quer usar você, só precisa que você diga: “Senhor, independente de meu passado, de meu histórico, do meu sobrenome entrego minha vida em suas mãos, usa-a como Tu quiseres”.

Jason Sousa

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Sua voz, nossa escolha

O bom piloto faz de tudo para levar os passageiros para casa. Vi um bom exemplo disso quando voava para o Missouri. A comissária de bordo nos disse para ficarmos sentados por causa de uma iminente turbulência. Era um vôo barulhento e o pessoal não obedeceu logo, de modo que ela voltou a nos avisar: “O vôo vai ficar turbulento. Para sua própria segurança, tomem seus lugares”.
A maioria obedeceu. Mas alguns não. Então ela mudou de tom: “Senhoras e senhores, para seu próprio bem, tomem seus lugares”.
Pensei que todos estavam sentados. Mas, ao que parece, eu estava errado, pois a próxima voz que ouvimos foi a do piloto. “Este é o capitão Brown”, avisou ele. “Há pessoas que se machucam indo ao sanitário em vez de ficarem em seus lugares. Vamos deixar bem claras as nossas responsabilidades. Meu trabalho é passar pela tempestade. O dos senhores é fazer o que eu mando. Agora sentem-se e apertem os cintos!”
Naquele momento abriu-se a porta do banheiro, um sujeito de rosto vermelho e sorriso amarelo saiu de lá e sentou-se na poltrona.
Será que o piloto errou? O piloto foi insensível ou insensato? Não, pelo contrário. Ele preferiu ver o homem seguro e envergonhado a vê-lo desinformado e ferido.
Bons pilotos fazem de tudo para levar os passageiros para casa.
É o que Deus faz. Eis uma pergunta crucial. Até onde você quer que Deus chegue só para captar sua atenção? Se Deus precisar escolher entre a sua segurança eterna e seu conforto terreno, o que você espera que Ele escolha? Não responda muito depressa. Pense um pouco.
Se Deus o visse de pé quando devia estar sentado, se Deus o visse em perigo e não em segurança, até onde você gostaria que Deus chegasse só para captar sua atenção?
E se Deus o mudasse para outra terra? (Como fez com Abraão.). E se Ele cancelasse sua aposentadoria? (Lembra-se de Moisés?). que tal a voz de um anjo ou o ventre de um peixe? (A la Gideão e Jonas.). Que tal uma promoção (como a de Daniel) ou um rebaixamento (como o de Sansão)?
Deus faz de tudo para captar sua atenção. Não é essa a mensagem da Bíblia? Não é essa a mensagem da Bíblia? Deus caçando. Deus buscando. Deus se enfiando debaixo da cama à cata de crianças escondidas, Deus vasculhando as moitas atrás de ovelhas perdidas. Buscando, dominando, puxando-nos de volta para Ele, vezes e vezes sem conta. Fazendo um cone com as mãos em torno da boca para gritar precipício adentro. Lutando contra nós, Jacós, nos Jaboques lamacentos da vida.
Apesar de todas as suas peculiaridades e singularidades, a Bíblia possui uma história simples. Deus fez o homem, o homem rejeitou a Deus. Deus não vai desistir até reconquistá-lo. de Moisés em Moabe a João em Patmos, ouve-se a voz: “Eu sou o piloto. Vocês são os passageiros. Meu trabalho é levá-los para casa. O de vocês é fazer o que eu mando”.
Deus é tão criativo quanto incansável. A mesma mão que enviou o maná para Israel levou Uzá à morte. A mesma mão que libertou os filhos de Israel levou-os cativos à Babilônia. Gentil e também firme. Terno e inflexível. Confiantemente firme. Pacientemente apressado. Ansiosamente tolerante. Gritando mansamente. Trovejando suavemente.
Um suave trovão.
É assim que João viu Jesus. O Evangelho de João possui dois temas: a oz de Deus e a escolha do homem.
Jesus disse : “Eu sou o pão da vida. Eu sou a luz do mundo. Eu sou a ressurreição e a vida. Eu sou a porta. Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Virei outra vez e vos levarei para Mim mesmo”.
Jesus proclamando – até oferecendo, mas nunca forçando:
Postado ao lado do paralítico? “Queres ficar são?”, (Jo5:6).
Olho no olho com o cego, agora curado: “Crês tu no Filho de Deus?”, (Jo9:35).
Junto ao túmulo de Lázaro, provando o coração de Maria: “Todo aquele que vive, e crê em Mim, nunca morrerá. Crês tu isto?”, (Jo11:26).
Testando os motivos de Pilatos: “Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-to outros de Mim?”, (Jo18:34).
Na primeira vez que João escuta Jesus falar, ouve uma pergunta: “Que buscais?”, (Jo1:38). Entre as últimas palavras de Jesus há ainda : “Amas-Me?”, (Jo21:17).
É desse Jesus que João se lembra. As perguntas honestas. As exigências trovejantes. O toque suave. Nunca chega sem ser convidado, mas, uma vez convidado, nunca pára antes de terminar, antes que se faça uma escolha.
Deus vai sussurrar. Ele vai gritar. Ele vai tocar e puxar. Ele vai tomar nossas cargas; vai, até, tomar nossas bênçãos. Se houver mil degraus entre Ele e nós, Ele vai tirar todos, exceto um. Vai deixar o último para nós. A escolha é nossa.
Pro favor, entenda. O alvo d’Ele não é deixar você feliz. O alvo d’Ele é fazer com que você seja d’Ele. O alvo d’Ele não é fazer você conseguir o que quer; é levá-lo para onde deve ir. E se isso significa um ou dois trancos para colocá-lo em seu lugar, que venham os trancos. Os desconfortos terrenos são bagatela se o troco é a paz celestial. Jesus disse: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo”, (Jo16:33).
Como Jesus conseguia falar com tanta autoridade? Quem Lhe dava o direito de assumir o comando? Simples. Jesus, assim como o piloto, sabe de coisas que não sabemos e consegue ver o que não conseguimos.
Que sabia o piloto? Sabia pilotar o avião.
Que via o piloto? Nuvens tempestuosas à frente.
Que sabe Deus? Ele sabe pilotar a história.
Que vê Deus? Acho que você entendeu a mensagem.
Deus quer que você volte para casa seguro.
Simplesmente pense que Ele é o piloto. Pense que você é o passageiro.

Max Lucado. Ouvindo Deus na tormenta. Ed. CPAD.

sábado, 28 de janeiro de 2012

O poder do amor e o amor ao poder

Durante toda a história cristã, o amor e o poder coexistem em conflito. Por esta razão, preocupo-me com o crescimento do poder no movimento evangélico. Houve tempo em que ou nos ignoravam ou zombavam de nós. Hoje, os evangélicos são mencionados frequentemente nas notícias e são bajulados por todos os políticos sensatos. Vários movimentos políticos surgiram com características claramente evangélicas. Considero esta tendência ao mesmo tempo encorajadora e alarmente. E por que alarmante? Apesar dos méritos de determinada questão – quer se discuta a legalização do aborto ou a preservação ambiental -, os movimentos políticos trazem o risco de colocar sobre si a capa do poder que asfixia o amor. Um movimento, por sua natureza, estabelece barreiras, faz distinções, julga. O amor, pelo contrário: derruba barreiras, supera distinções e concede a Graça.
...
As palavras de Paulo continuam a me perseguir:
“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria”.
De alguma forma, precisamos encarar o poder com humildade, temor e amor ardente por aqueles que estarão sob nossa autoridade...
Jesus não disse que todos saberiam que somos Seus discípulos se aprovássemos leis justas, dominássemos a moralidade, restaurássemos a decência familiar e governássemos com integridade. O que Ele disse é que saberiam que somos discípulos d’Ele se nos amássemos uns aos outros...
Acredito que Deus Se contém por um motivo: Ele sabe da limitação inerente a qualquer forma de poder. A força pode fazer tudo, exceto o mais importante: não pode suscitar o amor. Em um campo de concentração, como tantos testemunharam de formas tocantes, os guardas têm amplos poderes e autoridade para forçar qualquer atitude dos presos. Podem fazer com que a pessoa renuncie a seu Deus, amaldiçoe sua família, trabalhe de graça, coma excrementos humanos, mate e enterre o amigo mais chegado ou até mesmo o próprio filho. Tudo isso está no controle dos guardas. Só uma coisa escapa: o amor. Eles não podem forçar a pessoa a amá-los.
O amor não funciona de acordo com as regras do poder, e jamais poderá ser forçado. Neste fato podemos perceber o fio da razão por trás do uso (ou não) que Deus faz do poder. A Ele só interessa uma coisa de nossa parte: nosso amor. Foi para isto que nos criou. E não há demonstração de onipotência, por mais grandiosa que seja, que consiga fazer nascer o amor. O único modo foi se esvaziar completamente e se unir a nós, morrendo em nosso lugar. A partir daquele momento, passou a existir o amor.
Qualquer criança que freqüente uma Escola Bíblica sabe recitar a teologia mais profunda: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu único Filho”. E quando chegamos ao âmago de tudo, percebemos que isto é o evangelho cristão, uma demonstração não de poder, mas de amor.
Philip Yancey. Perguntas que precisam de respostas. Ed. Textus.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O que é Conversão

CONVERSÃO é não ter absolutamente nenhum outro ponto de vista que não venha do Evangelho.
CONVERSÃO é não ter nenhum outro ponto de partida que não parta do Evangelho.
CONVERSÃO é não ter nenhum outro chão para caminhar que não seja o do Evangelho.
CONVERSÃO é não almejar nenhum outro ponto de chegada que não seja o do Evangelho.
OU SEJA! CONVERSÃO é estar impregnada do Evangelho, dando razão a Deus todo dia, em um processo que pode ter começado um dia, mas que só terminará no Dia em que transformados de glória em glória nós nos tornarmos conforme a semelhança de Jesus.
CONVERSÃO é renovar a mente todo dia.
CONVERSÃO é discernir este século e não nos conformarmos com ele.
CONVERSÃO é ver o mundo no mundo, e ver “mundo” também no que se chama de “igreja”.
CONVERSÃO é chamar de mundo não necessariamente o ambiente fora das paredes eclesiásticas, e nem tampouco chamar de “Igreja” o ambiente dentro das paredes eclesiásticas.
CONVERSÃO é saber que mundo é um espírito, um pensamento, ou uma atitude que pode estar em qualquer lugar, e está freqüentemente nos concílios de um modo muito mais sofisticado do que está nos congressos políticos explicitamente definidores de política no mundo.
CONVERSÃO é manter a mente num estado de arrependimento constante, de metanóia, de mudança de mente, que por vezes acontece com dor e outras vezes só pela consciência que vai abraçando o entendimento e vai dando razão a Deus, e vai dando razão a Deus, e vai dando razão a Deus, e vai dizendo Deus tem razão. Sim! Conversão é crer que a Palavra tem razão sempre; e se ela tem razão eu quero conformar a minha vida conforme a verdade do Evangelho.

Caio Fábio

(Editado por Carlos Bregantim, retirado da entrevista concedida à ECOTEV em Fevereiro à de 2007 em São Paulo).

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ovelhas precisam de pastores

Os líderes estão mais ocupados e preocupados com estruturas eclesiásticas, crescimento estatístico, ferramentas tecnológicas, funcionalidade. São realidades que não podemos negar, mas que não se constituem na vocação...


Nossas igrejas hoje refletem mais as estruturas eficientes do mercado e menos a glória da imagem de Deus em Cristo. No entanto, as ovelhas de Jesus clamam cada vez mais por pastores, pastores com tempo e compaixão para ouvir o clamor de suas almas cansadas, aflitas, confusas em busca de orientação, maturidade, transformação.


Outra mudança na vocação pastoral é a introdução da figura do terapeuta, que ganhou popularidade na segunda metade do século XX, depois que Freud a introduziu no final do século XIX...


O que precisa ficar claro é que pastor e psicólogo são realidades completamente diferentes...


Quando alguém vai até o pastor, não está procurando um psicólogo, mas um pastor. É grande a frustração quando, em vez de penetrar nos labirintos da alma humana e conduzir ovelhas a Cristo no caminho da comunhão e da reconciliação, o pastor envereda por conversas, perguntas e preocupações que nenhuma relação têm com a oração, com Deus e com a vida outorgada por Ele.




Ricardo Barbosa de Sousa no Prefácio de Eugene Peterson. 'A Vocação espiritual do pastor'.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Oração

As cinco orações que marcam o começo da vida de Jesus no evangelho de Lucas e as três histórias de oração que instam nossa participação ativa nessas orações encontram ligações narrativas no livro de Atos, no qual lemos a história da formação da comunidade de Jesus. Da mesma forma como foi instituída como linguagem básica para os participantes da obra do Espírito na concepção, gestação e nascimento de Jesus, a oração é instituída aqui como linguagem básica da comunidade que vem a existir pelo Espírito e, depois, continua a orar com naturalidade, ousadia e honestidade como aprendeu a fazer por meio das histórias de Jesus.



E está orando. A linguagem comum da comunidade é a oração (At2:42). Na história da comunidade de Jesus que Lucas continua a contar, a oração aparece tanto de forma implícita quanto explícita: quando Pedro e João foram libertos da prisão e voltaram para relatar o que lhes havia ocorrido, os irmãos da comunidade, “unânimes, levantaram a voz a Deus”, (At4:24-31); quando o trabalho de atender às necessidades das pessoas tornou-se excessivo, os doze reuniram a comunidade e nomearam diáconos para esse trabalho, de modo que eles próprios pudessem se “(consagrar) à oração”, cuidando para que ela não fosse diluída ou dissipada, (6:1-6).


Enquanto era apedrejado até a morte, Estevão orou – a oração era a linguagem mais natural e profunda em seu interior (7:59); em Damasco, cego e sem comer a três dias, Paulo orou pedindo ajuda, que lhe foi dada por meio de Ananias e do Espírito Santo (9:36-43); toda ação na história magnífica e decisiva de Cornélio deu-se no contexto da oração (10:2,9,30-31); a primeira linha de defesa da comunidade contra as tramas assassinas do rei Herodes Agripa I foi a oração (14:23); quando a decisão do Concílio de Jerusalém foi transmitida, o seu conteúdo – fruto de muitas orações – foi descrito na expressão maravilhosa: “Pareceu bem ao Espírito e a nós” (15:28).


Quando Paulo e Silas chegaram a Filipos, procuraram “um lugar de oração” (16:13,16); quando foram presos, os dois missionários transformaram o cárcere filipense imediatamente numa capela de oração, onde “oravam e cantavam louvores a Deus” (16:25); a despedida triste de Paulo dos presbíteros efésios terminou quando, “ajoelhando-se, (Paulo) orou com todos eles” (20:36); depois de passar sete dias em Tiro, Lucas, que na época estava viajando com Paulo, relata que, “ajoelhados na praia, oramos” (21:5); quando Paulo contou, mais uma vez, a história de sua conversão a uma multidão de judeus hostis em Jerusalém, mencionou que Jesus lhe falou “enquanto orava no templo” (22:17).


Em sua última ida a Roma, uma viagem repleta de tempestades, pouco antes de o navio naufragar, Paulo dirigiu-se à tripulação dizendo-lhes o que havia acontecido enquanto ele orava na noite anterior – uma mensagem de consolo e segurança divinos (27:23-26); na manhã do naufrágio, Paulo, falando aos passageiros e à tripulação, 276 pessoas ao todo, rogou que comessem e “deu graças a Deus” (27:35-36); e, em Malta, a ilha do naufrágio, quando ficou sabendo que o pai de um homem que fez amizade com eles estava enfermo e à beira da morte, Paulo, “orando, impôs-lhe as mãos, e curou” (28:8).


A freqüência e a persistência da linguagem da oração na comunidade de Jesus ficam evidentes ao longo de toda a narrativa; no entanto, não é inoportuna. Não somos instados a orar nem recebemos exemplos de oração. Trata-se apenas do modo como a comunidade usa a linguagem. Lucas não comenta esse fato como incomum ou forçado. Pelo contrário: a oração é a linguagem natural e espontânea da comunidade.

Eugene H. Peterson. A maldição do Cristo genérico.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Chove em mim

Nós precisamos aprender a voltar a orar. Nós pensamos que oração é privilégio de pessoas que são importantes só aos nossos sentidos. Mas para Deus, que não faz acepção de pessoas, é só mais uma voz.


Elias era homem semelhante a nós. Tiago, irmão de Jesus, fez questão de dizer. Sendo o próprio Tiago a evocar Elias dizendo que Elias era semelhante a nós incluindo Tiago, que era irmão de Jesus. E nem porque era irmão de Jesus era diferente de nós. E orou. Por três anos e meio os céus fecharam, e orou de novo e Deus mandou chuva sobre a terra e foi rapidinho. Manda fogo no meio do dia, por volta das três da tarde e quando foi às 4:30, 5hs elias já estava com seu servo no Monte Carmenlo, lá no alto, olhando o Mar Mediterrâneo, com a cabeça emtre as pernas pedindo chuva. Quando ele orou e viu uma mãozinha de chuva no horizonte. Aí, disse ao ser servo: "Vai, corre e avisa a Acabe, porque vem chuva sobre a terra". E foi tamanho o aguaceiro depois de 3 anos e meio. E era um homem semelhante a nós.

Jesus nos assemelhou a todos os que nósw consideramos importantes nas galerias da nossa fé e disse que todos são farinha do mesmo saco e pepitas de ouro da mesma Nova Jerusalém. Portanto, "ore para que a vossa alegria seja completa. Nada tendes porque não pedis. Pedi e recebereis". É simples assim.

É que temos medo de orar e passar vergonha. A maioria não ora para não passar vergonha. Para não ter que se explicar depois. Não ora para não ter o risco de ter que brigar com Deus. "Meu Deus eu orei e não aconteceu". Para não ter uma discussão filosófica, teológica no caso de o pedido não vir conforme a encomenda do capricho. Ou, então, é por culpa, por inveja espiritual, por comparação. O 'cara' se compara com pessoas que ele acha iminentes diante dos céus. Tudo bobagem porque as ordens muito provavelmente estejam radicalmente invertidas o tempo todo aos olhos de Quem vê, o Deus Eterno. Portanto, bobagem nossa... Esse 'cara' acha que tem dia melhor para orar. No dia em que ele fez uma boa ação de escoteiro... esse é o melhor dia para orar.

Aí, não ora e não sabe que enquanto oro, mesmo que não chova do lado de fora, chove em mim. Mesmo que as coisas não mudem conforme o meu pedido, eu mudarei enquanto peço. Que o maior trasfomado na oração não é o ambiente, é o meu interior. Comece a crer porque aquele que não ora com medo de passar vergonha não crê.

Porque o que crê sabe que nunca passará vergonha porque a resposta poderá não vir conforme a limitação da minha solicitação, mas virá melhor, infinitamente melhor do que pedimos ou pensamos. E quem crê vislumbra logo, logo a melhoria do cenário que nem imaginava. Começa a agradecer por Deus não ter atingido a especificidade daquela solicitação. Porque agora compreende que a arquitetura daquela construção feita com material inimaginável produziu algo lindo.

Caio Fábio transcrição de mensagem do Caminho do Discípulo

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Cheios de Deus - Moody

"Se estamos cheios do Espírito, e do Poder, um dia de serviço com Poder vale mais do que um ano de serviço sem Poder.
Se estamos cheios do Espírito, ungidos, nossas palavras alcançarão os corações do povo".

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A assinatura de Jesus

Este livro não é uma pastoral delicada, nem uma série de meditações bem-comportadas para gente devota. É um livro sobre sermos heróis e heroínas por causa de Cristo Jesus – por causa de ninguém menos do que Cristo, e de tal forma que apenas os olhos de Jesus precisem ver. É um chamado para uma fé autêntica e um discipulado radical, à pureza do evangelho, à estrada principal para o Calvário e ao escândalo da Cruz, a uma vida de liberdade sob a assinatura de Jesus.


Em última análise, a fé não é a soma de nossas crenças, ou um modo de falar, ou um modo de pensar; é um modo de viver e pode ser articulado adequadamente apenas numa prática de vivências. Reconhecer Jesus como Salvador e Senhor é significativo à medida que tentamos viver como Ele viveu e ordenar nossa vida de acordo como os valores d’Ele. Não precisamos teorizar a respeito de Jesus; precisamos fazê-lo presente no nosso tempo, na nossa cultura, nas nossas circunstâncias. Apenas a verdadeira prática da fé cristã pode legitimizar o que cremos.


Quando nossas crenças dogmáticas e princípios morais não se materializam em discipulado, nossa santidade é uma ilusão. E o mundo não tem tempo para ilusões. Hoje em dia a comunidade cristã não incomoda o mundo. E por que deveria? A Cruz é lugar-comum no brinco da cantora de rock Madonna tanto quanto numa pedra tumular.


Brennan Manning, “A assinatura de Jesus”, ed.Textus

Aleluia - Michely Manuely - vídeo


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Que intimidade!!!

Vejam que oração linda feita pela a igreja diante da perseguição que estavam sofrendo.

"Tu, Soberano Senhor, que fizeste o céu, a terra e tudo o que neles existe; que disseste por intermédio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, teu servo:
Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs?
Levantaram-se os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra Seu Ungido;

porque verdadeiramente se ajuntaram, Herodes, Pôncio Pilatos, gentios e gente de Israel, nesta cidade, contra o Teu Santo Servo Jesus, ao qual ungiste, para fazerem tudo o que Tua mão e Teu propósito predeterminaram;
agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos Teus servos que anunciem com toda a intrepidez a Tua Palavra,
enquanto estendes a Mão para fazer curas, sinais e prodígios por intermédio do Nome do Teu Santo Servo Jesus".
Tendo eles orado, o lugar onde estavam reunidos tremeu; todos foram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a Palavra de Deus.

Que coisa linda!!!! Que intimidade!!!

Ao invés de ficarem chorando e lamentando e perguntando por que aquilo estava acontecendo, eles focaram os olhos em Cristo.
E reconheceram que o que estava acontecendo, na verdade, não era contra eles. Reconheceram a Soberania de Deus. Quem sabe lembraram de Jó!
Jó foi , segundo a palavra do próprio Deus, um homem íntegro e reto, cujas incitações de satanás não tinham causa. Portanto, tudo o que se levantou contra ele teve a permissão de Deus, um propósito de Deus.

Sendo assim, pediram a Deus que os capacitasse a passar por aquela situação cumprindo a Sua Vontade, ou seja, "anunciar com toda a intrepidez a Palavra de Deus", anunciar que "tudo provém de Deus... que estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou o ministério da reconciliação".

E todas as vezes que pedimos segundo a Sua Vontade, Ele nos ouve, e estamos certos de que obtemos o que pedimos.

Aí, ainda que você não sinta e não veja o chão literalmente tremer, saiba que, nessa hora, você é cheio do Espírito Santo para cumprir o chamado de Deus. Nessa hora, você é revestido de capacitação para realizar aquilo para o que foi chamado: anunciar as Boas Novas, anunciar Jesus.

Denise Gaspar 04-10-11

sábado, 1 de outubro de 2011

Em Cristo a Vitória

Em Cristo somos mais que vitoriosos!!!
Nossa vitória é Jesus.
Nossa vitória é a Presença de Jesus em nossas vidas. Não há nada mais precioso.
Vitória da Graça e de graça. Comprada pelo Sangue de Jesus.
Nossa vitória é o prêmio de nossa rendição, entrega total ao Amor de Deus. amor que nos ama incondicionalmente e que, como diz Sérgio Lópes em seu poema, não nos impede de sonhar, ao invés disso, renova e direciona os sonhos, e, ainda, nos capacita a realizá-los e vivê-los.
A VITÓRIA PERTENCE A JESUS!!!
A vitória é a consumação da Vontade e do Favor de Deus em nossas vidas.
A vitória não está na saciedade de nossas vontades e necessidades.
nossa vitória está na realização plena da vontade de Deus em nós, para nós e por nós.
Em Cristo somos mais que vencedores.
"Em Cristo", ou seja, rendidos à Sua Soberania e Seu Reinado.
É na plenitude de Sua Presença que somos mais que vitoriosos.

Ah! Quando descobrirmos de fato que a vontade d'Ele é melhor que a vida... que Sua vontade é boa, perfeita e agradável... quantas lutas cessarão...

Denise Gaspar
30-09-11

domingo, 25 de setembro de 2011

Não se mate. Apenas morra!

Jesus disse. Portanto, não adianta. Se não morrer, não nasce. Se não morrer, fica só. E não dá o fruto da vida, o fruto do ser, que é a manifestação crescente do ser na tomada da consciência transformadora. Mas se morrer, esse dá muito fruto; pois a vida da semente que hoje somos, só se manifesta se tivermos a coragem-fé de morrermos para a mentira de ser, entregando-nos à morte, que na existência significa a desistência de toda justiça própria, de toda auto-justificação, de toda fantasia sobre nós e o mundo; bem como das fantasias do “si - mesmo”; e também desistirmos das importâncias de nossos próprios pensamentos ou sentimentos, mergulhando assim no abismo da fé, que é chão para andar apenas segundo a Palavra.



Ora, esse morrer que faz nascer é crescente em nossa percepção. Mas se estabelece pela decisão interior que possamos fazer de buscar dar nome aos nossos sentimentos todos, sem deixarmo-nos levar pelos impulsos românticos e auto-enganados que nos afastem da verdade, ou que nos levem a fazer transferência de responsabilidade para fora de nós.



Nossa morte tem na Cruz sua expressão de poder e de inclusão. De inclusão pelo que Jesus fez; e de expressão de poder, pois, manifesta de modo histórico e dramático o e os atos de morte e de entrega que temos que fazer um dia, para termos que fazer todos os dias, sempre.



Jesus desconstituiu o poder da morte pelo poder de Seu viver-morrer sem o espírito da morte!



Mas nossa morte deve ser também desistência das vaidades e tolices das importâncias deste mundo.



Ora, isto significa somente celebrar em si mesmo o que é conquista da verdade interior.



Se o ser cresceu para dentro de Deus em conhecimento e amizade, então eu ganhei. Se não, então mesmo conquistando tudo ante todos, eu não ganhei nada.



Não há esforço em morrer. Para morrer basta desistir. Desistir, nesse caso, daquilo que é a morte se maquiando de vida.



O negócio não é se matar, é morrer!



Entretanto, se por todos os meios e modos o individuo não se move em seu ser, se não se converte, se não se deixa morrer, conforme o dia e a necessidade da hora — pode chegar a hora do amor de Deus se manifestar a ele como um morrer mortal, fulminante, existencialmente apocalíptico, a fim de sepultá-lo à força, posto que somente conhecendo a morte como manifestação candentemente dramática, essa pessoa morrerá, por já ter morrido para o mundo; e, assim, quem sabe, possa aproveitar a chance de ter sido feita morta de algum modo para a percepção dos outros, para, então, viver segundo Deus, conforme é o chamado da vida, e que pode ser atendido sem a necessidade de intervenções dramáticas de morte para a vida, mas apenas pela decisão-consciência-ato-verdade de todos os dias de nossa existência, entregando-nos ao morrer.



Se não for assim, tudo o mais de “bom” terá aparência de sabedoria, de piedade, de elegância, de intelectualidade, de fervor, de humanidade, de indulgência, de sensibilidade psicológica, de belas construções de sentimento, de leveza no dizer as coisas, de poesia, de bons ideais, de alvos estabelecidos; ou do oposto de tudo isso, o que nos levaria a mais indelével e charmosa anarquia — mas ainda deixa o individuo vivo para o “si - mesmo”.



Sim! Cada vez mais vivo segundo o “si - mesmo”; posto que o “si - mesmo” se alimenta de cada uma das coisas que eu acima mencionei.



Assim, termino como comecei, pois esta é uma viagem que vai espiralada na horizontal, e que cresce como se fosse um tubo que virará um cone, mas que leva a pessoa outra vez e outra vez pela mesma rota de antes, só que na dimensão de sua atual fase na jornada cronológica; ou seja: histórica.



Portanto, repito:



Não adianta. Se não morrer, não nasce. Se não morrer, fica só. E não dá o fruto da vida, o fruto do ser, que é a manifestação crescente do ser na tomada da consciência transformada e transformadora, em Cristo, conforme Jesus.



Em cada frase eu quis dizer o que disse. Assim, perdão, mas se não entendeu, leia outra vez.




Caio Fábio


27/04/07

domingo, 11 de setembro de 2011

Sangue e Vinho

Penso em por que Deus associou o Sangue ao vinho.


Eles não têm nada em comum além da cor.


O sangue é tirado à força, sob sofrimento.


O vinho é servido como iguaria em momentos festivos.


O Senhor os associou porque é em festa que trazemos à memória o Seu sofrimento e Sua dor. É com alegria que relembramos a fonte de nossa vitória eterna. Porque através de Sua morte foi-nos concedida a Vitória.


Por nosso resgate foi pago alto preço.


Jesus derramou Seu Sangue para nos reconciliar com o Pai.


Pelas Suas pisaduras somos sarados.


O castigo que nos traz a Paz estava sobre Ele.


É com alegria que celebramos a conquista eterna.
Essa é a alegria celebrada na Santa Ceia!"


Edilson Botelho em oração no culto na ig. Maranata-Tijuca em 04-11-2007

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O Reino de Deus

Acredito que todo verdadeiro crente em Cristo Jesus e, portanto, em seu Sacro-Ofício (sacrifício) e, também, que tenha feito uma Aliança neste Sangue, pode se considerar e ser considerado como um verdadeiro E.T.

E, como todo extra-terrestre (na verdade extra-mundo tenebroso) tem uma origem (na verdade, um Sentimento de Pertencimento) muito, muito distante da realidade, valores e conceitos histórico-filosófico-ideológico-moral-religioso, que são os referenciais que norteiam o ser humano em todas sociedades que construiu e ainda sobrevive.


Na verdade, para ter esse sentimento, essa certeza, o cristão deve simplesmente crer. Crer, de fato e verdade, que Cristo Jesus é “o Unigênito Filho de Deus” e Deus mesmo, sabendo que este é um dom com que Ele mesmo aGracia a todo homem ou mulher que se lh’E apresente com o coração contrito e compungido, reconhecendo que “Só o Senhor é Deus!”, que não há intermediários, nem advogados, nem intercessores entre o Pai e os homens, que não seja o Cordeiro de Deus, Aquele que se ofereceu para consumar a Reconciliação a Justificação definitiva junto ao Pai.


Essa Graça é derramada sobre iletrados ou sábios cientistas, que podem mesmo não entender seu próprio processo de metanóia, de mudança de mente, de mudança de vida, de mudança de valores que passam, então, a viver... Estes deixam de valorizar o que é material, temporal e transitório e vivem, de fato e verdade, uma Esperança como a que está descrita em Romanos 8:19 “...Porque a Criação aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus...”, entendo que esses filhos são os que foram comprados por Preço...e preço de Sangue.


O Homem precisa morrer e renascer para ter essa certeza, antes de tudo pelo uso do Direito ao Livre-Arbítrio, certeza de Pertencimento.


Em João 3, o Espírito Santo o inspira a escrever: “...Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus.”


Em Mateus 18:3 Jesus diz: “...Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus...”, “...Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.”.


O atento fariseu Nicodemos, um dos principais do judaísmo, não alcançava com todo seu conhecimento religioso das Escrituras, Jesus lhe apontou para uma Cidadania muito além dos farisaísmos, das exterioridades, dos ritualismos. Cristo lhe chama a atenção para o que haveria de dizer, literalmente, à pecadora samaritana registrado em João 4: “...Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim O adorem. Deus é Espírito, e é necessário que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade..."



O calhamaço, as massarocas, os imensos acúmulos histórico-filosófico-ideológico-ético-moral-religioso de nada nos valeram até os dias de hoje, senão para criar expectativas vãs, horizontes quiméricos e imaginados. Isso nos levou a desistência notória, mais observavelmente nestes tempos de pós-modernidade, daqueles referenciais tidos como os mais excelentes criados pela sabedoria humana: os filosóficos caíram por terra pela agrura da dissecação tanto do Materialismo Histórico, quanto do Materialismo Usurário; os ideológicos, também, por sua incapacidade de inserção da totalidade dos cidadãos de uma mesma sociedade em seu seio: em todas constatamos os excluídos e inadequados... e mais que isto: há um vazio além das construções materiais e abstratas.


O Homem só evolui tecnologicamente, em essência é o mesmo de todas as eras... o que o difere são as culturas, só.



Mas, nós os que somos servos do Senhor, Amados e amantes d’Ele, confiantes continuamos no Caminho... a despeito de todas mazelas dessa materialidade corrompida e transitória: “No mundo tereis aflições, mas tendes bom ânimo, Eu venci o Mundo.”


Já vivemos a Eternidade, sabemos em Quem temos crido! Já passamos da Morte para a Vida! O Reino já foi instalado dentro de nós, seus cidadãos... tal Selo (passaporte) foi-nos aGraciado pela Misericórdia, pelo Amor, que é a marca maior de Deus...


Esse Algo só poderia vir de Sua parte, pois nada temos que lhE oferecer, a não ser nossos corações sinceros e abertos à Sua Palavra, Autoridade e Amor...


Aleluia!!!




Miguel Júnior



Em 11/10/2010.


terça-feira, 16 de agosto de 2011

O oração para quem sonha e se compromete com a verdade

Pai, paizinho, meu ninho e meu refúgio, meu temor e meu amor, meu coração está cheio de gratidão e paz. Por isto te louvo!




Meu coração está cheio de orações e suplicas. E tu as conheces todas.



Peço-te que me deixes ver o acordar de teu poder, pois quero ouvir quando como Leão te levantares. Quero saltar de assustada alegria quando rugires, dizendo: Basta. Agora conhecereis o Meu Poder!



Pai, traze o teu tabernáculo para o meio de nós!



Acende a tua luz em nós, abre os nossos olhos, arranca o véu de nossos rostos!


Faze-nos vermo-nos cercados por tua voz como de muitas águas. Que logo chegue o dia em que já não possamos fugir.


Apaga o nosso fogo estranho, e faze cair do céu fogo santo sobre nossas cabeças. Queima nossa iniqüidade num instante, no ardor de tua santidade. E põe-nos nas tuas mãos como ouro depurado.



Faze a terra tremer sob nossos pés, e acorda-nos com o ruído impetuoso do mar. Faze estrelas caírem sobre nossas cabeças, torna o sol uma bola escura, um não sol; e faze a lua se tornar uma bola de sangue; mas desperta-nos para a tua Palavra. Sim, acorda-nos Senhor.



Abre, ó Pai, as comportas de nosso inconsciente, e faze-o derramar-se em sonhos, e trazer à luz a verdade que em nós clama pra falar. E que ouçamos as vozes da noite e as sabedorias do dia.


Assusta-nos fazendo-nos enxergar que a alma de nosso próximo é lugar santíssimo, e que deve ser reverenciada. Mostra a profundidade de nosso sacrilégio quando pisamos no chão sagrado do ser de nosso semelhante. Sim, traze-nos a tua revelação, e nos ajoelharemos uns diante dos outros: e adoraremos a ti em reverencia arrependida e reconciliada uns com os outros.


Faze-nos ver que o milênio não é uma era distante, mas que já é agora, quando o lobo e o cordeiro já podem pastar juntos, o leão e o boi podem comer palha na mesma estrebaria, a serpente se alimenta apenas de poeira, pois em tua graça, o coração passa a ser é esse lugar-milênio, onde os bichos se reconciliam primeiro dentro de nós.


Muda a palavra na boca dos que usam teu nome para os objetivos da ganância e do poder. Faze-os terem que conhecer a tua Palavra para que se convertam, e recebam o perdão de seus pecados.


Mostra a todos os que dizem te representar na Terra que tu és o Senhor, e que falas de ti mesmo. Ó, Pai, como anelo por este dia!


Traze, meu Paizinho, o mais profundo espírito de adoção que teu povo jamais antes experimentou. Sim, ensina a cada um de teus filhos o significado de dizer: Aba, pai.


Que de toda escravidão da Lei seja liberto o teu povo!


Ajuda-me a viver na Terra para ver o surgimento de milhões de filhos teus, meus irmãos, que vivam assim, nesse Espírito de Vida, a fim de que o mundo creia que o Evangelho é Palavra de Vida.


Vem, ó Espírito Vento, e sopra conforme o vento sopra, e leva-nos como filhos felizes e confiantes pelos mistérios de teus santos e contentes caminhos.


Em Jesus,




Amém.



Chico - Caminho da Graça






Amém,


Denise


sexta-feira, 29 de julho de 2011

Cuidado com os deuses substitutos

Nosso Santo Deus tem “ciúmes” quanto a nossa afeição e devoção. Ele advertiu os israelitas: “Não terás outros deuses além de Mim. Não farás para ti nenhum ídolo ... Não te prostrarás diante deles nem lhes prestarás culto, porque Eu o Senhor, o teu Deus, sou Deus zeloso”, (Ex20:3-5). Ele é o único que tem o direito de ocupar o trono de nosso coração. Ele deve ser exaltado e colocado no lugar mais elevado da nossa vida. Tudo o mais deve ter uma importância inferior.


Mesmo assim, de tempos em tempos, somos culpados de idolatria. Os falsos deuses e os ídolos da nossa sociedade podem não ser tão óbvios como os deuses do antigo Israel ou de outras culturas, mas a presença deles é igualmente real. Eles clamam pela nossa atenção e buscam conquistar nossa lealdade.


Em primeiro lugar, uma grande parte de nossa sociedade adora o deus da riqueza e da prosperidade. Muitas pessoas estão convencidas de que a riqueza é a chave para a felicidade. Elas colocam sua confiança em contas bancárias e posses. O espírito da ganância gradualmente transformou seus valores a ponto de o dinheiro ter se tornado o seu senhor.


Outros se voltam para o deus do prazer. Multidões estão convencidas de que a diversão é o principal alvo da vida. Pessoas preguiçosas e inativas vegetam diante da tela da tv. Fanáticos nos esportes não perdem um jogo. Outros buscam o entretenimento e a aventura na esperança de apagar o enfado da sua busca infrutífera por felicidade.


Os ambiciosos sacrificam-se ao deus da realização. O orgulho é o seu capataz implacável. Para essas pessoas compulsivas por trabalho, as realizações ou proezas são os “tijolos” da auto-estima. Nenhuma mudança é grande demais na sua busca por significado ou importância.


Por causa do deus da obsessão, algumas pessoas idolatram uma celebridade, herói ou mesmo um parente. Seu mundo gira em torno desse indivíduo. O espírito de obsessão intensifica sentimentos saudáveis de amor e admiração em uma adoração profana.


O deus da idolatria convence as pessoas de que a aparência é tudo. Sua vida gira em torno da beleza, moda e cuidados com a aparência física.


Finalmente, o deus da sensualidade seduziu muitos com a imoralidade. O sexo, que é um presente de Deus, foi distorcido em perversão e, tragicamente, muitas vezes termina em vícios, aborto, doença e morte.


Deuses substitutos usurpam a adoração e devoção que legitimamente pertence ao nosso Santo Deus. Na verdade, esses ídolos não podem preencher o vácuo que só Deus pode preencher no coração do homem. A santidade de Deus requer nossa devoção. O apóstolo João adverte vigorosamente: “Meus queridos filhos, afastem-se de qualquer coisa que possa tomar o lugar de Deus no coração de vocês”, (1Jo5:21). Onde está o seu coração? Você continua puro e fiel ao seu Santo Deus? Visto que Deus ´Santo, você pode devotar-se a Ele em pureza, adoração e serviço.



Bill Bright. A alegria de confiar em Deus. Santos Editora.