sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O mau de dentro e o diabo de fora

O pecado nasce das cobiças do coração, por isso Jesus disse que o que sai do homem é o que contamina. Não há diabo que possa tocar ou entrar numa pessoa se essa, pela comunhão e na dependência total de Deus, não der lugar aos maus desígnios do coração.

O que alimenta o diabo é o que está dentro do homem. E o homem não tem condições de se livrar ou domesticar o mau que está dentro dele. Mas, se, ao contrário, alimentar sua mente e seu espírito com o que é bom, puro e verdadeiro: a Palavra de Deus e der liberdade ao Espírito de Deus para agir em sua vida do seu interior fluirão rios de águas vivas.

“Então, Jesus lhes disse: assim vós também não entendeis? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e sai para lugar escuso? E, assim, considerou puro todos os alimentos.
E dizia: O que sai do homem, isso é o que o contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem”, Mc7: 18 a 23.

Denise Gaspar – 25-01-2010

sábado, 23 de janeiro de 2010

Ame o próximo como a si mesmo

Pois bem, quanto exatamente eu amo a mim mesmo?
Agora que eu estou pensando sobre isso, não posso dizer com precisão que sinto alguma ternura ou afeto por mim mesmo. Nem mesmo aprecio sempre a minha própria companhia.
Então, tudo indica que “amar o próximo” não quer dizer que me sinta interessado por ele” ou que o “ache atraente”. Eu já devia ter percebido isso antes, pois é claro que eu não posso me interessar por uma pessoa só tentando.

Será que eu me considero bom ou me acho um cara legal? Bem, temo que às vezes eu me veja assim mesmo (e esses, sem dúvida, são os meus piores momentos). Mas esse não é o motivo, porque eu me amo.

Na verdade, o que acontece é exatamente o contrário: meu amor-próprio é o que faz achar-me legal, mas achar-me legal não é uma boa razão para eu me amar. Semelhantemente, amar os meus inimigos também não significa que tenho que achá-los legais.

Isso é um grande alívio, pois grande parte das pessoas imagina que perdoar os inimigos significa fazer de conta que eles não são caras tão ruins, mesmo quando a evidência dos fatos mostra que eles o são. Dê um passo além.

Nos meus momentos de maior lucidez eu não só não me acho uma pessoa legal, como tenho plena consciência de que na verdade sou um ser bastante asqueroso. Sou capaz de olhar para algumas coisas que eu já cometi com horror e asco. Então, parto do pressuposto de que também me é permitido ter asco e ódio de alguns atos cometidos pelos meus inimigos.
Pensando bem, agora me lembro de ter tido professores de educação cristã há muito tempo que me ensinaram que devo odiar as coisas más que as pessoas praticam, sem odiar as pessoas más; ou como eles o teriam dito: odiar o pecado, em vez de odiar o pecador.
Essa distinção me parecia bastante tola e sem sentido: como seria possível odiar o que a pessoa fez, sem odiá-la? Mas anos depois ocorreu-me que havia um homem com o qual eu estive fazendo isso a vida toda – comigo mesmo.

Não importa o quanto eu possa desgostar de minha própria covardia, presunção ou ambição, não deixarei de me amar por isso. Nunca tive a menor dificuldade quanto a isso.

Na verdade, a razão por que eu odiava o que fazia era que eu me amava. Era exatamente o fato de amar a mim mesmo que me fazia lamentar a descoberta de que eu era o tipo de cara que fazia aquelas coisas.

Conseqüentemente, o cristianismo não espera que reduzamos em um só milímetro o ódio que sentimos pela crueldade e traição. Temos mais é que odiar essas coisas. Nenhuma palavra do que dissermos sobre elas precisa ser desdita. Por ouro lado, temos que odiar essas coisas nos outros, da mesma forma que as odiamos em nós mesmos: lamentando e, esperando que, se possível, de alguma forma, algum dia e em algum lugar, ele possa ser curado, voltando a se tornar humano.


C.S. Lewis. Cristianismo puro e simples.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Quais as nossas obras?

“sendo justificados gratuitamente, por sua Graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus”, (Rm 3:24).


Sabemos que a salvação de nossas almas é alcançada única e exclusivamente pela fé em Jesus. Por Seu Amor somos atraídos e pela Sua Graça alcançados. Não há nada, absolutamente nada, que nos faça merecedores de tamanho Amor. O Amor de Deus é incompreensível e inabalável. Não há nada que possamos fazer para que Ele nos Ame mais e nos tenha em favoritismo. E, igualmente é impossível fazermos alguma coisa que diminua o Seu Amor por nós. Deus não tem raiva ou ressentimento, nem mesmo daqueles que morreram negando o Seu Amor. A Sua Palavra nos diz que Ele não tem prazer na morte do ímpio, e que a Sua vontade é que todos cheguem ao arrependimento e sejam salvos.
“Tão certo como Eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta de seu caminho e viva”, (Ez 33:11).
E, através de Paulo: “Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da Verdade”, (1Tm 2: 3 e 4).
Muitos cristãos, no entanto, usam o seu tempo pré-ocupados com afazeres e desgastam-se com preocupações infundadas. Pensando em resolver o que Deus já providenciou. Transcrevo aqui parte de um texto, de Charles L. Allen, através do qual Deus ministrou ao meu coração.
“A maior parte das nossas preocupações é com o dia de amanhã, como aconteceu àquelas mulheres que se encaminhavam para o túmulo de Cristo. Elas não puderam apreciar as belezas daquele sol matinal e das flores que ladeavam a estrada. Estavam preocupadas com a questão de quem removeria a pedra da porta do sepulcro. Ao chegarem lá, viram que ela já estava removida.”
Quando Lázaro morreu, suas irmãs, Marta e Maria, ocuparam-se em chorar e ao encontrarem-se com Jesus ocuparam-se em lamentar: “Senhor, se Tu estiveras aqui, não teria morrido meu irmão”.
No entanto, diante da verdade inegável de que Ele tudo já realizou e providenciou para nós, muitos crentes acham que não há nada a ser feito. Estes enganam-se tanto quanto aqueles que vivem perturbados por suas pré-ocupações com o dia de amanhã.
Deus é Soberano sobre todas as coisas. É Soberano sobre a natureza e a história. E uma vez tendo entregue nossas vidas em Suas mãos nada nos acontecerá sem Sua permissão e controle. Ainda que não entendamos. Tenho aprendido que quando as circunstâncias nos chegam... as aflições da vida, as quais Jesus se referiu... temos de buscar saber qual o seu propósito. O que Ele quer que aprendamos através desta situação.
Jesus já havia dito às irmãs: “Se credes verás a Glória de Deus”. Portanto, naquela situação elas tinham de firmar sua fé nas Palavras de Jesus: “Eu Sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em Mim, ainda que morra, viverá.” Elas fraquejaram diante da morte de seu querido e abateram-se no primeiro momento, mas recobraram-se e creram. Creram e viram a Glória de Deus na ressurreição de seu irmão Lázarro.
Assim como fez Abraão quando entregou Isaque. Ele sabia, quando subiu ao monte com o rapaz para o sacrificar, que ambos voltariam. Ainda que fosse sacrificado, ele sabia que o Senhor o levantaria do pó.
Assim como o centurião que creu na Palavra de Jesus quanto a cura de seu servo.
Na hora da aflição olhemos para o alto buscando o comando de Jesus. “Senhor, o que devo fazer nesta situação?”
Jesus tinha dito aos discípulos que após Sua morte O esperassem na Galiléia, pois Ele ressuscitaria e iria para lá encontrar com eles, Ele não disse para se trancarem em casa ou para embalsamá-lO.
Disse para tirarem a pedra do túmulo de Lázaro e para desatá-lo.
O que Ele diz para você hoje? Ouça, creia e obedeça!!!


Denise Gaspar - 2000

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Crédito onde crédito não é dívida

Lembra dos bons e velhos tempos, quando o cartão de crédito era marcado manualmente? O balconista podia pegar seu cartão, colocá-lo numa máquina para imprimir, e rrac-rrac, os números eram registrados e a compra feita. Quando tinha quatorze anos, aprendi a operar o tal invento, num posto de gasolina, na esquina da Broadway com a Quarta Avenida. Limpava pára-brisas, bombeava gasolina e checava o óleo.
Minha tarefa preferida, entretanto era carimbar cartões de crédito. Não há nada como a sensação do poder que invade, quando você faz correr o impressor sobre o cartão. Eu sempre relanceava as vistas ao freguês para vê-lo estremecer quando eu rrac-rraqueava o seu cartão.
Comprar com cartão de crédito hoje em dia já não é tão dramático. Agora, a tarja magnética introduzida na fenda, ou os números digitados num teclado. Nenhum ruído. Nenhum drama. Nenhum esforço.
Traga de volta os dias do rrac-rrac, quando a compra era enunciada a todos os ouvidos.
Você compra gasolina, rrac-rrac.
Você debita algumas roupas, rrac-rrac.
Você paga o jantar, rrac-rrac.
Se o ruído não alcança você, o demonstrativo do final do mês o fará. Trinta dias é um tempo razoável para se rrac-rraquear compras suficientes para rrac-rraquear seu orçamento.
E uma existência é suficiente para se rrac-rraquear alguns débitos no céu.
Você grita com seus filhos, rrac-rrac.
Você cobiça o caro de um amigo, rrac-rrac.
Você inveja o sucesso de seu visinho, rrac-rrac.
Você quebra uma promessa, rrac-rrac.
Você mente, rrac-rrac.
Você perde o controle, rrac-rrac.
Você cochila lendo este livro, rrac-rrac, rrac-rrac, rrac-rrac.
Débito e mais débito.
Inicialmente, tentamos compensar a dívida. Cada oração é um cheque preenchido; cada boa ação, um pagamento feito. Se pudéssemos ter um bom ato para cada mau ato, não estaria nossa conta balanceada no final? Se eu posso compensar minha maldição com elogios, minha luxúria com lealdade, minhas queixas com contribuições, meus vícios com vitórias – não estará minha conta justificada?
Estaria, exceto por dois problemas.
Primeiro, não sei o custo de cada pecado. O preço da gasolina é fácil de achar. Pudesse o do pecado ser tão evidente. Mas não é. O que se cobra, por exemplo, por se conduzir loucamente no tráfego? Eu marco o motorista que corta à minha frente. O que faço para pagar este crime? Dirijo a 70 por hora, numa zona de 80? Aceno e sorrio para dez carros consecutivos? Quem sabe? Ou, se eu acordo de mau humor? O que se paga por um par de horas lamurientas? Poderia o culto do próximo domingo compensar a manhã irritável de hoje? E o que equivaleria a um mau humor? Será que se cobra menos pela irritabilidade num dia nublado que num dia claro? Ou, me é permitido ficar aborrecido um certo número de dias por ano?
Isto pode tornar-se confuso, você sabe. E não é apenas o custo de meu pecado que ignoro; a ocasião deles, também. Algumas vezes peco, e nem fico sabendo! Eu tinha 12 anos quando compreendi que era pecado odiar meu inimigo. Minha bicicleta fora roubada quando eu tinha 8. Odiei o ladrão por 4 anos! Como faço para pagar aquele pecado? Eu ganharia uma isenção baseada na ignorância?

E quanto aos pecados que cometo agora, sem saber? E quanto aos nossos pecados secretos? E você? Alguns pecados de omissão no demonstrativo deste mês? Você deixou passar alguma chance de fazer o bem? Deixou escapar a oportunidade de perdoar? Negligenciou uma porta aberta para servir? Você aproveitou cada oportunidade de encorajar seus amigos?
Rrac-rrac, rrac-rrac, rrac-rrac.
Existem outros pontos importantes. O tempo da Graça, por exemplo. Meu cartão de crédito permite um pagamento mínimo, e então arrola a dívida pro mês seguinte. E Deus o faz? Ele deixaria eu pagar a ganância de hoje no próximo ano? E quanto aos juros? Se eu deixo meu pecado em meu demonstrativo por vários meses. Isso incorrerá em mais pecado? E falando em demonstrativo. Onde está ele? Posso vê-lo? Com quem está? Como pago os estragos?
É isso aí. Essa é a questão. Como lidar com as dívidas que tenho para com Deus?
Nego-as? Minha consciência não deixaria.
Acho pecados piores nos outros? Deus não cairia nessa.
Reivindico isenção por linhagem? Orgulho familiar não ajudaria.
Tento compensar? Poderia, mas isso nos leva de volta ao problema: desconhecemos o custo do pecado. Nem mesmo sabemos o quanto devemos.
Então o que fazemos? Ouça a resposta de Paulo.
“Sendo justificados gratuitamente pela Sua Graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no Seu Sangue”, (Rm3:24-25).
Simplesmente por: o custo de seus pecados é mais do que você pode pagar. O presente do seu Deus é maior do que você imagina. “O homem é justificado pela fé”, conclui Paulo, “sem as obras da lei”, (v. 28). Esta pode muito bem ser a verdade espiritual mais difícil de se compreender. Por alguma razão, as pessoas aceitam a Jesus como Senhor, antes de aceitá-lo como Salvador. É mais fácil compreender Seu Poder que a Sua Misericórdia. Celebramos o túmulo vazio bem antes de nos ajoelharmos perante a Cruz.


Max Lucado. Nas garras da Graça. Ed. CPAD.

sábado, 9 de janeiro de 2010

O enxerto

Disse Jesus:
“Eu Sou a Videira Verdadeira, e Meu Pai é o Agricultor.
Todo ramo que estando em Mim, não der fruto, Ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda.
Vocês já estão limpos pela Palavra que tenho lhes falado; permaneçam em Mim, e Eu permanecerei em vocês.
Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo se não permanecer na videira, assim, nem vocês o podem dar, se não permanecerem em Mim.
Eu Sou a Videira, vocês, os ramos.
Quem permanece me Mim, e Eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer.”
João 15: 1 a 5

Nessa passagem Jesus revela a relação de total dependência entre nós e Ele para que nossa comunhão com o Pai seja salutar e produtiva.
Ele usa a imagem do enxerto feito na agricultura. Nós somos a oliveira brava enxertada na Videira Verdadeira e, tal como na botânica, o enxerto passa a depender inteiramente da planta em que foi enxertado. Ele vive porque a Videira vive, ele se alimenta porque Ela o alimenta.
Alimentando-se da seiva que vem da Videira o enxerto vai tendo sua natureza transformada. Alimentados do Amor de Deus temos nossa natureza transformada.
Começamos a produzir novo tipo de fruto. Agora, conforme o Amor. Sem Jesus, somos incapazes de produzir tais frutos. Porque Ele é o próprio Amor.
Não estamos falando de ser bonzinhos, de ter uma vida politicamente correta e nem de justiça social. É muito mais. É Amar, é viver uma vida de Perdão, de Graça, de Paz, de Alegria, apesar do que nos cerca.
Estamos falando de uma nova perspectiva de vida. Nossos olhos serão limpos pelo colírio de Deus e nosso enfoque frente à vida será transformado.
Estamos falando de uma vida em comunhão com Deus e com o Seu Propósito. Estamos falando de uma vida de Triunfo Eterno. Algo muito maior que as vitórias temporais e seculares.
Receba a bênção da Revelação do Amor de Deus por você em Cristo Jesus.

Denise Gaspar -16-01-2007.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O Oleiro e o barro


“Desci à casa do oleiro, e eis que estava à sua obra sobre as rodas”. Jeremias observou o oleiro em sua labuta. O oleiro estava na roda, trabalhando em uma massa de barro ainda disforme. Ele girava o torno e seus habilidosos dedos davam forma ao barro. Uma leve pressão aqui, outra intensa ali, e um vaso começava a surgir do barro disforme.
Você tem idéia da importância da cerâmica? A invenção do trabalho em barro deu início a uma verdadeira revolução. Antes do surgimento dessa atividade havia somente tribos nômades, conduzindo rebanhos de animais, deslocando-se de um lado para outro, movidas pela falta de água e alimento. Não havia tempo para desenvolver coisa alguma, nem descanso para dedicar-se à reflexão. Era uma cultura de subsistência, de busca diária de sobrevivência. Porém, a invenção da cerâmica tornou possível armazenar e transportar víveres. Agora era possível permanecer mais tempo num lugar, pois havia como guardar a água e os grãos para o inverno seguinte. Era possível cozinhar e transportar mercadorias. A cerâmica assinalou uma revolução que resultou no que chamamos de civilização – a Era Neolítica.
Tente imaginar como a vida seria diferente se não houvesse recipientes nos quais pudéssemos armazenar as coisas: nada de potes e panelas, tigelas e pratos, baldes e jarras, canecas e barris, nada de caixas de papelão e envelopes de papel pardo, nada de sacos de grãos e tanques para armazenar líquidos. A administração dos mantimentos seria reduzida ao que se usa num único dia, ao que se pode levar nas mãos. O advento da cerâmica possibilitou o desenvolvimento das comunidades. A vida estendeu-se para além do imediato.
O impacto da invenção da cerâmica foi imenso. Porém, existiu algo mais nisso tudo que foi igualmente importante. Ninguém jamais foi capaz de fazer um pote de barro que fosse apenas um pote de barro.
Cada um deles é uma pequena obra de arte. Os oleiros estão sempre inovando, criando novos contornos, tamanhos e processos de modelação para dar forma e acabamento finais que resultem numa combinação agradável de curvas. Não existe uma peça de cerâmica que, além de ser útil, não seja ao mesmo tempo bela. Ela é modelada, desenhada, lavada ao forno e pintada. É um dos utensílios mais funcionais que existem, e também um dos mais bonitos.
Na época em que Jeremias viveu, ninguém colocava uma peça de cerâmica na prateleira apenas para admirá-la, usando-a somente como item decorativo, a fim de dar um toque de estética ao ambiente. Porém, o contrário também era verdade. Ninguém usava a peça de cerâmica apenas por causa de sua utilidade – sempre havia no objeto os sinais das mãos de um artista.
É difícil compreendermos perfeitamente a importância dessa associação, pois vivemos num mundo diferente. Geralmente, fazemos distinção entre o que é útil e o que é belo, entre o necessário e o decorativo. Usamos sacos de papel pardo para guardar mantimentos, sem nenhuma preocupação estética. Afinal, tudo o que queremos é algo para guardar os produtos de casa. Se quisermos embelezar as paredes de nossos lares compramos quadros. Construímos prédios de escritórios sem nenhuma originalidade e feias fábricas.
Penas visando à funcionalidade dos trabalhos que serão desempenhados. Em contrapartida, construímos lindos museus para abrigar objetos de arte. Houve, porém, períodos na história em que as coisas eram melhores, quando o necessário e o belo estavam interligados, quando, na verdade, era inimaginável separar essas duas características. Com certeza era assim para Jeremias: não havia sacos de papel e museus, mas havia a cerâmica. Por toda parte. Útil e bela. Funcionalmente necessária e artisticamente bonita. Duas características presentes numa mesma peça que, de forma nenhuma, podiam ser vistas em separado.
A imaginação criadora de Jeremias começou a trabalhar quando ele viu aquele oleiro moldando o barro disforme na roda. É provável que Jeremias já tivesse visto muitos oleiros trabalhando antes, mas, naquela ocasião, ele viu algo mais – ele vislumbrou Deus modelando um povo para sua glória. Um povo de Deus. Homens e mulheres criados à imagem divina. Necessários, mas não só isso – belos também. Formosos mas não apenas isso – úteis também. Cada ser humano é um misto de necessidade e liberdade. Não há pessoa que não seja útil, que não tenha seu papel dentro do que Deus está realizando. E não há ninguém que não seja único, dotado de linhas, cores e formas totalmente distintas das que há em qualquer outro. Todas essas verdades tornaram-se cristalinas na mente de Jeremias na casa do oleiro: o aspecto bruto do barro, úmido e sem vida, ia sendo modelado para um propósito específico pelas mãos habilidosas do oleiro e, enquanto o barro ia adquirindo forma, o profeta compreendeu a singular individualidade e a ampla utilidade que aquele barro teria quando todo o processo, da modelagem ao acabamento final, passando pela pintura e pelo cozimento, fosse concluído. Deus nos molda de acordo com Seus eternos propósitos e inicia esse processo aqui mesmo. O pó de onde viemos e a imagem de Deus à qual fomos feitos são um e os mesmos.

Eugene H. Peterson. Ânimo. Ed. Mundo cristão.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Pense nisso

O que é de fato importante acerca de Deus
e Sua criação é apenas o que Jesus disse que era;
ou seja: amor a Deus e amor ao próximo;
e tudo isto de modo simples e prático,
sem nenhuma converseira ou dissertação.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Evangelho Maltrapilho 2

Os primeiros no Reino de Deus

E o que parece a vocês? Um homem tinha dois filhos. Chegando-se ao primeiro, disse: Filho, vai hoje trabalhar na vinha. Ele respondeu: Sim, senhor; porém não foi. Dirigindo-se ao segundo, disse-lhe a mesma coisa. Mas este respondeu: Não quero; depois, arrependido, foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?
Disseram-Lhe: O segundo.
Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes precedem vocês no Reino de Deus. Porque João veio a vocês no caminho da justiça, e vocês não acreditaram nele; ao passo que publicanos e metretrizes creram. Vocês, porém, mesmo vendo isso, não se arrependeram, afinal para acreditarem nele. Mt21:28 a 32.

Se queremos captar em toda a sua força o ensino de Jesus aqui, é importante que lembremos a atitude judaica com relação às crianças na Palestina do primeiro século. Hoje em dia, nossa tendência é idealizar a infância como a feliz idade da inocência, da despreocupação e da fé singela, mas no tempo do Novo Testamento as crianças não eram consideradas de qualquer importância e mereciam pouca atenção ou favor. Crianças naquela sociedade não tinham status algum – simplesmente não contavam. A criança era encarada com escárnio.
Para o discípulo de Jesus, “tornar-se como criancinha” significava a disposição de aceitar-se como sendo de pouca monta e ser considerado sem importância. A criancinha que é a imagem do reino é símbolo daqueles que ocupam as posições mais inferiores na sociedade, os pobres e oprimidos, os mendigos, as prostitutas e os cobradores de impostos – as pessoas que Jesus com freqüência chamava de “pequeninos” e de “últimos”. A preocupação de Jesus era que esses pequeninos não deveriam ser desprezados ou tratados como inferiores. “Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos”. (Mt 18:10). Ele estava muito consciente dos sentimentos de vergonha e inferioridade deles, e por causa da sua compaixão eles eram, a seus olhos, de valor extraordinariamente grande. No que Lhe dizia respeito, eles não tinham nada a temer. O reino era deles. “Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai Se agradou em dar-vos o Seu Reino”. (Lc12:32).
Os bebês de colo (napioi) estão na mesma condição das crianças (paidia). A Graça de Deus recai sobre elas porque são criaturas insignificantes, não por causa de suas boas qualidades. Embora possam conscientizar-se de sua irrelevância, isso não significa que lhes serão concedidas revelações. Jesus atribui expressamente a felicidade deles ao bom prazer do Pai, a eudokia divina. As dádivas não são determinadas pela menor qualidade ou virtude pessoal. São pura liberalidade. De uma vez por todas, Jesus desfere um golpe mortal em qualquer distinção entre a elite e o povo comum na comunidade cristã.
O evangelho declara que, não importa quão dedicados e devotos sejamos, não somos capazes de salvar a nós mesmos. O que Jesus fez foi suficiente. À medida que nos mantemos santos pelos nossos próprios esforços como os fariseus ou neutros como Pilatos, (não damos o salto de confiança), deixamos que as prostitutas e os publicanos entrem primeiro no reino enquanto nós ficamos atrás tendo nossas supostas virtudes dissipadas de nós. As meretrizes e vigaristas entram antes de nós porque sabem que não podem salvar a si mesmos; que não têm como tornarem-se apresentáveis ou amáveis. Eles arriscaram tudo em Jesus; sabendo que estavam muito aquém dos requisitos, não foram orgulhosos demais para aceitar a esmola da Graça admirável.
Esses pecadores, essa gente desprezada, estão mais perto de Deus do que não se vêem pecadores. Não são as meretrizes e os ladrões que acham mais difícil de se arrepender: são vocês, tão seguros da sua devoção e da sua farsa que não têm qualquer necessidade de conversão. Eles podem ter desobedecido ao chamado de Deus, podem ter sido degredados pelas suas profissões, mas demonstram tristeza e arrependimento. Mais do que tudo isso, porém, essas são pessoas que dão valor à bondade de Deus: são um paradigma do reino diante de vocês, pois elas têm o que lhes falta – uma profunda gratidão pelo amor de Deus e um profundo assombro diante da sua misericórdia.
Oremos como o rabino, Joshua Abraham Heschel:
“Querido Deus, dê-me a graça do assombro. Surpreenda-me, maravilhe-me, encha-me de assombro em cada fenda do Seu universo. Conceda-me o deleite de ver como Jesus Cristo age em dez mil lugares, adorável em mãos e pernas, adorável ao Pai em olhos que não os dele, nas feições dos rostos dos homens. Arrebata-me a cada dia com suas incontáveis maravilhas. Não peço conhecer a razão de todas; peço apenas compartilhar da maravilha de todas”.
Adaptado de Brennan Manning “O Evangelho Maltrapilho”, ed. Textus.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O Evangelho Maltrapilho 1

Creio que a Reforma realmente começou no dia em que Martinho Lutero orou sobre o significado das palavras de Paulo em Romanos 1: 17: “visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá pela fé”. Como muitos cristãos dos nossos dias, Lutero se debatia noite adentro com a questão fundamental: de que forma o evangelho de Cristo podia ser realmente chamado de Boas novas se Deus é um juiz justo que retribui aos bons e pune os perversos? Será que Jesus veio revelar essa terrível mensagem?

Porém, como observa Jaroslav Pelikan: “Lutero repentinamente chegou à percepção de que a “justiça de Deus” da qual Paulo falava nessa passagem não era a justiça pela qual Deus era justo em si mesmo (que seria uma forma passiva de justiça), mas a justiça pela qual, por causa de Jesus Cristo, Deus tornou justos pecadores (isto é, justiça ativa) através do perdão dos pecados na justificação. Quando descobriu isso, Lutero afirmou que os próprios portões do Paraíso haviam-se aberto para ele.

Que verdade atordoante!

“Justificação pela Graça mediante a fé” é a frase erudita dos teólogos para o que Chesterton chamou certa vez de “amor selvagem de Deus”. Ele não é instável nem caprichoso; não conhece épocas de mudança. Deus tem um único posicionamento inflexível com relação a nós: Ele nos Ama. Ele é o único Deus jamais conhecido pelo homem que Ama os pecadores.

Jesus afirma, com efeito, que o Reino do Pai não é uma subdivisão para os justos nem para os que sentem possuir o segredo de Estado da Salvação. O Reino não é um condomínio fechado elegante com regras esnobes a respeito de quem pode viver ali dentro. Não; ele é para um elenco mais numeroso de pessoas, mais rústico e menos exigente, que compreendem que são pecadores porque já experimentaram o efeito nauseante da luta moral.

São esses os pecadores-convidados chamados por Jesus para se aproximarem com Ele ao redor da mesa do banquete. Essa história permanece perturbadora para aqueles que não compreendem que homens e mulheres que são verdadeiramente preenchidos com a Luz são aqueles que fitaram profundamente as trevas da sua existência imperfeita. Talvez tenha sido depois de meditar sobre essa passagem que Morton Kelsey escreveu: “A Igreja não é um museu para santos, mas um hospital para pecadores”.

A Boa Nova significa que podemos parar de mentir a nós mesmos. O doce som da Graça admirável nos salva da necessidade do auto-engano. Ele nos impede de negar que, embora Cristo tenha sido vitorioso, a batalha contra a lascívia, a cobiça e o orgulho ainda ecoa dentro de nós. Na condição de pecador redimido, posso reconhecer com qual freqüência sou insensível, irritável, exasperado e rancoroso com os que me são mais próximos. Quando vou à igreja, posso deixar meu chapéu branco em casa e admitir que falhei. Deus não apenas me Ama como eu sou, mas também me conhece como sou. Por causa disso não preciso aplicar maquiagem espiritual para fazer-me aceitável diante d’Ele. Posso reconhecer a posse de minha miséria, impotência e carência.

Quando sou honesto, admito que sou um amontoado de paradoxos... Viver pela Graça significa reconhecer toda a história da minha vida, o lado bom e o ruim. Ao admitir o meu lado escuro, aprendo quem sou e o que a Graça de Deus significa. Como colocou Thomas Merton: “Um santo não é alguém bom, mas alguém que experimenta a Bondade de Deus.”

Tudo de bom é nosso não por direito, mas meramente pela liberalidade de um Deus Gracioso. Embora haja muito que podemos ter feito por merecer – nosso diploma e nosso salário, nossa casa e nosso jardim e uma noite de sono caprichada – tudo é possível apenas porque nos foi dado tanto a própria vida, os olhos para ver e mãos para tocar, mente para formar idéias e coração para bater com amor. A nós nos foram dados Deus em nossa alma e Cristo na nossa carne. Temos o poder de crer quando outros negam; de ter esperança quando outros desesperam; de amar quando outros ferem. Isso e muito mais é pura e simplesmente de presente; não é recompensa à nossa fidelidade, à nossa disposição generosa, à nossa vida heróica de oração. Até mesmo nossa fidelidade é um presente. “Se nos voltamos para Deus”, disse Agostinho, “até mesmo isso é um presente de Deus.” Minha consciência mais profunda a respeito de mim mesmo é de que sou profundamente Amado por Jesus Cristo e não fiz nada para consegui-lo ou merecê-lo.

Adaptado de Brennan Manning. “O Evangelho Maltrapilho”, ed. Textus.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Uma lágrima corajosa

Nunca esquecerei o incidente que ocorreu no natal de 1951 na Coréia. Billy Graham e eu estávamos visitando feridos em um hospital cirúrgico móvel do exército perto de Heartbreak Ridge, onde violento combate estava em andamento.

Nós estávamos prontos para sair da tenda quando dois enfermeiros do exército carregavam um homem jovem para dentro sobre uma maca ensangüentada. Ele fora ferido nas costas estava deitado de bruços. Billy foi até ele, se inclinou e começou a falar enquanto os médicos o preparavam para a cirurgia. Incapaz de ver o rosto do homem, Billy deitou-se de costas no chão e olhou para cima em seus olhos. “Você gostaria que eu orasse com você?”, perguntou Billy. “Sim, por favor”, ele respondeu . Billy orou, pedindo a Deus para fortificar e curar o homem.

“Obrigado e feliz natal, senhor Graham”, disse o jovem homem quando Billy terminou.
Houve um silêncio momentâneo. Todos nós estávamos tremendamente comovidos.
Então, uma lágrima desceu pelo rosto do soldado e caiu sobre a bochecha de Billy.
Lá fora, Billy passou seus dedos na parte umedecida de seu rosto e disse: Essa lágrima é o melhor presente de natal que eu jamais ganhei.”


Grady Wilson in Crescendo a fé com Billy Graham. Ed. SBN

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Fique a bordo

“Diz Jesus: É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma” (Lc 21:19).

Muitas vezes, não entendemos o propósito de Deus nas nossas vidas, não entendemos as circunstâncias ou o que Ele nos diz e pede. Voltemo-nos aos Evangelhos e veremos que, em todo tempo, Jesus falava das coisas espirituais e os seus interlocutores entendiam e respondiam sobre as naturais, são inúmeros os exemplos bíblicos. Foi assim até a vinda do Espírito Santo, o Espírito da Verdade. Só estando atentos à Palavra de Deus, ao Espírito Santo e ao Seu mover Santo é que podemos ouvir a Sua voz para obedecê-lA.
O Senhor Se manifesta, com prazer, àqueles que O amam e O buscam e vivem em conformidade com a Sua Palavra. Ele garante que esses jamais serão confundidos ou envergonhados.
Caso ilustrativo é o da mulher samaritana na fonte de Jacó. Jesus lhe falava da Água da Vida, falava de Si próprio e da unção do Espírito Santo que estava por vir e ela entendia e respondia sobre a água do poço, do trabalho em buscá-la, do balde que Jesus não tinha...
Tem vezes em que deixamos nossa atenção voltada à circunstância. E nos vemos naquele poço conversando com Jesus, e, a princípio, nos sentimos como aquela mulher. Falamos, contamo-Lhe coisas, fazemos perguntas e Ele responde coisas que aparentemente não têm nada a ver com a conversa. Sabemos que a resposta é d’Ele, traz paz, regozijo, fala de coisas que precisamos ouvir, nos fazem bem, mas em relação ao perguntado... não entendemos muito! Na verdade, nós costumamos nos deter na superficialidade das questões. Muitas vezes, nossos ouvidos se confundem, porque desviamos nossa atenção da Voz e da Palavra do Senhor e nos atentamos para vozes de nossa alma, de nossos problemas ou mesmo do mundo. E, como conseqüência, ficamos sem O entender e ao Seu propósito para nós. Então, Ele, amorosamente, nos fala indo ao centro da questão.
Enquanto buscamos a revelação, através do Espírito Santo, no tempo de Deus, temos que falar como Pedro após ensinamentos de Jesus em que eles não entenderam nada e pelo que muitos se afastaram: “Senhor, para onde irei? Só Tu tens as Palavras de Vida Eterna, e eu tenho crido e conhecido que Tu és o Santo de Deus”, (Jo 6:68).
Reconheçamos que somos dependentes de Jesus: “Senhor, não posso me afastar de Ti, não posso viver sem Ti e sem a Tua revelação, sem o Teu olhar doce e carinhoso que me conduz a pastos verdejantes, sem o perfume de Tua Presença.”
Quando parece que nada dá certo, quando não enxergamos à frente, quando não entendemos os porquês, lembremos da experiência vivida por Paulo no mar Adriático. Uma tempestade violenta se levantou, a embarcação ia se despedaçando e o perigo de serem lançados contra as rochas fez com que os marinheiros se desesperassem. Aos olhos humanos e pelos seus próprios conhecimentos lhes parecia mais perigoso ficar no navio, e alguns se preparavam para fazer o que era mais lógico, fugir num bote. Entretanto, veio a voz do Senhor através de Paulo: “Se não permanecerem à bordo, vós não podereis salvar-vos”. E os que permaneceram na Palavra que o Senhor dissera, sobreviveram.
Num primeiro momento, pode e deve ter parecido um absurdo aos olhos e aos conhecimentos humanos, o que dissera o Senhor...
Mas fiquemos à bordo, permaneçamos na Sua Palavra, e a Vitória é certa, para a Glória do Nome d'Aquele que Vive e Reina para sempre!!!! JESUS CRISTO.


Denise Gaspar

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Parar de perambular e, então, confiar

Achei fascinante um dos livros de Henri Nouwen, O secreto som do amor. Nele Nouwen emprega os termos confiar e confiança várias vezes. Alguns exemplos:

A cada momento precisamos decidir confiar na voz que nos diz: “Eu te amo. Eu te teci no ventre de tua mãe”, (Sl139:13). Pare de perambular por aí. Pelo contrário, volte para casa e confie que Deus lhe trará o que você precisa. Pois, por tudo que você consegue se lembrar, você tem sido alguém que se preocupa em agradar os outros, dependendo deles para ter sua identidade. Mas agora você deve abrir mão de todos os apoios que produz para si mesmo e confiar que Deus está com você e lhe dará o que você mais precisa.

O que quero dizer sobre a necessidade de se confiar em Deus?
Em algum lugar ao longo do caminho, na vida de um cristão maduro, a fé junta-se com a esperança e transforma-se em confiança. Baseada na experiência que temos da fidelidade invariável de Deus, floresce a confiança de que Ele está conosco para continuar e terminar o que começou.

Brennan Manning in Confiança cega.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A mensagem de meu pai




Naquele dia, eu aprendi que Pai Celestial incrivelmente maravilhoso que eu tenho também.
Enquanto refletia sobre o ministério mundial de meu pai, Billy Graham, cheguei à conclusão de que, aquilo que ele fez por mim naquele dia havia tanto tempo, ele tinha feito por milhões de outras pessoas.


Ele sempre tinha falado a verdade, mas a vestia com tamanha graça e amor que tornou Deus atraente para que pecadores, em mais de 186 nações ao redor do mundo, corressem para o Pai Celestial através, da confissão e do arrependimento. E eles têm ouvido Ele sussurrar palavras de amor, perdão e restauração:

Eu sei tudo a seu respeito há tanto tempo e tenho esperado para que você venha até Mim. Eu amo você. Eu posso consertar tudo. Eu posso pegar a sua vida totalmente destruída e torná-la melhor. Você pode começar novamente. Você pode nascer de novo. Agora. Comigo.


A mensagem que meu pai aplicou em nosso lar na tarde da minha graduação e a mensagem que ele tem pregado dos púlpitos pelo mundo inteiro é a mesma.
Vidas têm sido transformadas, não por causa de meu pai, mas por causa de sua mensagem.
É a mensagem do amor de Deus pelos pecadores.
É o Evangelho de Jesus Cristo.

Anne Graham Lotz in Crescendo a fé com Billy Graham. Ed. SBN

sábado, 5 de dezembro de 2009

Nossa oração

A nossa oração constante nestes dias é que possamos permanecer em uma posição de sermos úteis para Deus e ter uma influência em chamar o mundo de volta a Ele antes que seja tarde demais.
Se você é um incrédulo, um cético ou simplesmente indiferente, eu sei pelo que você está passando. Eu mesmo passei por tudo isso. Se você acha que é apenas naturalmente fraco, deixe-me lhe assegurar que muitas pessoas que um dia eram fracas, hoje são os obreiros mais fortes. A Escritura Sagrada diz que a força vem da fraqueza.

Billy Graham

Amém, Jesus!!!
Denise

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Consciência de Jesus

O Evangelho só cresce em nós,
se a consciência de Jesus
for crescente em nós.

O Evangelho é o Nome

Evangelho é vir e aprender com Aquele que é manso e humilde de coração, achar descanso para a alma Nele; e trocar a canga da angustia pelo peso-leve de Seu fardo de alegrias.

Evangelho é achar o tesouro que nos evangelhos é uma parábola!

Evangelho é a chance de nascer de novo e de ter no coração o reino de Deus!

Evangelho é certeza de perdão; mas que trás consigo o compromisso com o perdão ao próximo; que, no Evangelho, não é um sacrifício, mas algo agradável como um grande privilégio!

Evangelho é ser forte contra a mentira e doce ante qualquer que seja a confissão de verdade!

Evangelho é a alegria de dar a vida pelos amigos; e até pelos inimigos!

Evangelho é, portanto, andar como Ele andou; e isto para total benefício de quem O segue em fé!

Evangelho é assim... igualzinho a Jesus!

E para eu dizer o que é Evangelho, com minhas imensas limitações, teria que escrever tudo o que vejo, sinto, percebo e recebo de Jesus todos os dias; além de tudo o que de Sua Graça vejo nos evangelhos, e enxergo como Evangelho de salvação, na minha vida, e na de todo aquele que crê e busca andar conforme a Sua mente.

Assim, ao invés de buscar decorar os evangelhos, busque entender o seu espírito; pois Jesus disse: “As minhas palavras são espírito e são vida”.

Enquanto o Evangelho não se torna um entendimento em fé, e que nos concede cada vez mais ver, sentir, e decidir conforme Jesus, nenhum benefício do Evangelho chegou até nós.

O Evangelho é Caminho, Verdade e Vida — e Caminho, Verdade e Vida só estão em Jesus. Portanto, o Evangelho é Jesus e Jesus é o Evangelho; e tudo o que não for assim e conforme o espírito de Cristo, pode até ganhar o apelido de “evangelho”, mas não é Evangelho.
Ora, é apenas por crer que os 4 evangelhos só se tornam Evangelho se cridos e praticados como entendimento e consciência; e também é somente por ter o testemunho de toda a História da Igreja quanto ao fato de que sem Bíblias, o povo fica nas trevas; mas também que com Bíblias, porém sem ter a Jesus como a “chave hermenêutica” da leitura, o povo fica “evangélico” — que ouso dizer que nem mesmo a Bíblia ajuda se a pessoa não tiver entendido que Jesus é o Evangelho; e que até da Bíblia muitas coisas deixam de ser Evangelho pelo simples fato de não terem sido encarnadas por Jesus como vida.

O local físico onde posso ler os 4 evangelhos é a Bíblia. Porém se na leitura eu não olhar tudo a partir da certeza de que Jesus é o Evangelho, a Bíblia servirá apenas para dividir e dividir as pessoas em nome de Deus; porém sem Deus em nenhuma das divisões; todas feitas em nome de verdades de fariseus; as quais, para Jesus, ainda quando eram verdadeiras, se tornavam mentira; posto que não eram praticadas pela via do amor que fez Deus se encarnar em Jesus.


Nele, que é o Evangelho.

Caio Fábio

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O fruto de que Deus Se alimenta


O verdadeiro louvor nasce da Presença de Jesus.

Só pelo Seu Espírito podemos bendizer e engrandecer a Deus.

Nós, que nos rendemos ao Senhorio de Cristo, oferecemos a Deus um banquete.
Louvamos a Deus quando nossas vidas são a expressão de Seu Amor e Graça.
Aí, Deus Se alegra e Se banqueteia!



"Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é fruto de lábios que confessam o Seu Nome". Hb13:15.
Denise Gaspar

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Culpa e culpa

Como tudo o mais em nosso mundo caótico, a culpa está sujeita a ser mal empregada.
Em vez de servir de estímulo para que lidemos com o problema, ela se torna problema.
Os terapeutas, não raro, rabalham compessoas que têm obsessão nociva da culpa, confundindo falsa culpa com culpa verdadeira.
A falsa culpa ocorre quando uma pessoa se pune por não corresponder aos padrões de outra (s) pessoa (s) - podem ser os pais, pode ser a igreja ou a sociedade.
A verdadeira culpa ocorre quando uma pessoa reconhece não corresponder aos padrões de Deus.

Phillip Yancey. Rumores de outro mundo.


"Desprezas a riqueza da bondade, e tolerância,
e longanimidade de Deus,
ignorando que a Bondade de Deus é que
te conduz ao arrependimento?" Rm2:4

domingo, 29 de novembro de 2009

Pensamentos de Jesus a seu respeito:

Eu sei que pensamentos tenho a seu respeito, diz o Senhor;

pensamentos de paz e não de mal, para lhe dar o fim que você deseja.

Então, Me invocará, passará a orar a Mim, e Eu lhe ouvirei.
Buscar-Me-á e Me achará quando Me buscar de todo o seu coração.
Serei achado por você, diz o Senhor, e farei mudar a sua sorte.

Jr 29: 11 a 14a.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Jejum agradável a Jesus

Clama a plenos pulmões, não te detenhas, ergue a voz como a trombeta e anuncia ao Meu povo a sua transgressão e à casa de Jacó, os seus pecados.
Mesmo neste estado, ainda Me procuram dia a dia, têm prazer em saber os Meus caminhos; como povo que pratica a justiça e não deixa o direito do seu Deus, perguntam-Me pelos direitos da justiça, têm prazer em se chegar a Deus, dizendo:
Por que jejuamos nós, e Tu não atentas para isso? Por que afligimos a nossa alma, e Tu não o levas em conta?

Eis que, no dia em jejuais, cuidais dos vossos próprios interesses e exigis que se faça todo o vosso trabalho. Eis que jejuais para contendas e rixas e para ferires com punho iníquo; jejuando assim como hoje, não se fará ouvir voz no alto.
Seria este o jejum que escolhi, que o homem um dia aflija a sua alma, incline a sua cabeça como o junco e estenda debaixo de si pano de saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aceitável ao Senhor?

Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo?
Porventura, não é que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante?

Então,
romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda; então, clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás por socorro, e Ele dirá: Eis-Me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o dedo que ameaça, o falar injurioso; se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio dia.

O Senhor te guiará continuamente, fartará a tua alma até em lugares áridos e fortificará os teus ossos; serás como um jardim regado e como manancial cujas águas jamais faltam. Os teus filhos edificarão as antigas ruínas; levantarás os fundamentos de muitas gerações e serás chamado reparador de brechas e restaurador de veredas para que o país se torne habitável.

Isaías 58: 1 a 12.
Jejum agradável a Jesus não é a abstinência de alimentos.
Jejum agradável a Jesus é que vivamos em AMOR

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Pastor: líder e terapeuta

Tenho observado nestes últimos anos duas grandes mudanças culturais que atingiram em cheio o coração da vocação e do ministério pastoral. Estas mudanças são de natureza semântica e trazem desdobramentos, nem sempre percebidos, que afetam grandemente os pastores e, por conseqüência a igreja. São duas palavras que foram recentemente incorporadas na descrição da vocação pastoral: líder e terapeuta.
Fala-se cada vez menos em formação pastoral e mais em formação de líderes. Curiosamente, “líder” não é uma palavra que aparece na Bíblia para descrever aquele que serve a Deus em Sua igreja. Também na aparece na longa história de vinte séculos de vocação pastoral... trata-se de uma expressão relativamente nova...
A expressão “pastor” ou “sacerdote” é teológica e biblicamente mais bem definida. Embora suas imagens sejam emprestadas da vida rural ou dos ritos pagãos, ajustam-se ao propósito bíblico do chamado divino. A expressão “líder”, porém, tem sua definição claramente determinada pelo mercado e pelo contexto secular...
Os líderes estão mais ocupados e preocupados com estruturas eclesiásticas, crescimento estatístico, ferramentas tecnológicas, funcionalidade. São realidades que não podemos negar, mas que não se constituem na vocação. Como pai e marido, tenho responsabilidades, contas para pagar, consertos domésticos para fazer, poupança para comprar uma casa própria, mas não é isto que define minha vocação de pai, um lar, uma família. O que define um lar é a comunhão e a amizade, o crescimento e o amadurecimento pessoal, espiritual. Moral e afetivo, a hospitalidade, o perdão, a Graça de Deus. É isto que o apóstolo Paulo quer dizer quando afirma em sua carta aos Gálatas: “...meus filhos, por quem, de novo sofro as dores do parto, até ser Cristo formado em vós”. Para ele, o que mais importava não era a funcionalidade de seu ministério, o sucesso de sua carreira, a eficiência de seu apostolado, mas Cristo, a imagem de Cristo sendo refletida na vida de seus filhos e filhas na fé.
Nossas igrejas hoje refletem mais as estruturas eficientes do mercado e menos a glória da imagem de Deus em Cristo. No entanto, as ovelhas de Jesus clamam cada vez mais por pastores, pastores com tempo e compaixão para ouvir o clamor de suas almas cansadas, aflitas, confusas em busca de orientação, maturidade, transformação.
A outra mudança na vocação pastoral é a introdução da figura do terapeuta, que ganhou popularidade na segunda metade do séc. XX, depois que Freud a introduziu no final do séc. XIX... O que precisa ficar claro é que pastor e psicólogo são realidades completamente diferentes.
Quando alguém vai até o pastor, não está procurando um psicólogo, mas um pastor. É grande a frustração quando, em vez de conduzir a ovelhas de Cristo no caminho da comunhão e reconciliação, o pastor envereda por conversas, perguntas e preocupações que nenhuma relação têm com a oração, com Deus e com a vida outorgada por ele.

Ricardo Barbosa de Souza

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O pastor contemplativo

A oração é a ação mais humana em que podemos nos envolver. Temos o comportamento em comum com os animais. O pensamento em comum com os anjos. A oração, atenção e reação do ser humano perante Deus, é humana.
Todas as pessoas, crentes e descrentes, que estudaram muito e cuidadosamente a singularidade da iniciativa humana concordam nesse ponto: a oração é a nossa atividade mais fundamental. A vida de oração, sua prática, está no centro da atividade humana. Observada no contexto das civilizações mundiais e estendida pelos séculos, o que se destaca é o lugar estranho que nós pastores modernos ocupamos no panorama da oração. Para nós, ela é um produto de consumo. É um item na lista da piedade, mais ou menos externo a nós, e em grande parte trivializado.
Isso realmente é estranho. Sacerdotes, gurus, profetas, curandeiros e xamãs de todos os grupos religiosos que conhecemos, se descrevem basicamente como pessoas que oram. Seu negócio é com Deus, o espírito e a alma. Responsavelmente ligados a tudo que é natural, sua meta é o sobrenatural.
É raro encontrar pastores modernos que sejam realmente contemplativos. Que abracem as disciplinas que nutrem um acesso contínuo e pronto à alma e a Deus, que se vejam como pessoas de oração dentro de uma comunidade de oração. Como foi que nos desconectamos de nossos ancestrais que tanto oravam?
A tarefa à qual me dediquei, e na qual encontrei ajuda em Jonas, é recuperar a consciência da realidade abrangente e integradora da oração – especialmente para pastores. Porque os pastores, cuja tarefa principal é ensinar pessoas a orar e orar por elas, estão tratando a oração como um ato cerimonial. Se quisermos que a santidade vocacional seja algo além do desejo piedoso, nós os pastores devemos mergulhar nas profundezas da oração...
Ainda não somos uma multidão, mas as minorias têm a fama de produzirem transformações...
Estamos procurando uma saída, ou um retorno, uma maneira de viver no que estou aprendendo a chamar de vida de santidade vocacional. A contemplação é o caminho. Pegar esse caminho – colocando um pé diante do outro com certeza e perseverança – é uma questão de grande urgência, pois o número de almas danificadas entre os que trabalham com as almas dos outros é enorme. Ainda não vi as estatísticas dos naufrágios dos que falam e agem em nome de Jesus nesse mundo de tempestades de dor e pecado (como as estatísticas anuais que temos da carnificina em nossas estradas), mas os números, se os tivéssemos, certamente nos chocariam e alertariam. No momento em que alguém assume o trabalho que lida com nossos semelhantes no centro e no fundo do ser, onde Deus , pecado e santidade são questões principais, ficamos sujeitos a inúmeros perigos, interferências, fingimentos e erros que de outra forma não nos ameaçariam. O suposto “trabalho espiritual” nos expõe a pecados espirituais. Tentações da carne, por mais difícil que seja resistir a elas, pelo menos são fáceis de detectar. As tentações do espírito geralmente aparecem disfarçadas de convites à virtude.
Qualquer cristão corre risco em qualquer uma dessas tentações. Porém, aqueles que trabalham abertamente como cristãos – pastores, professores, missionários, capelães, reformadores – vivem num ambiente muito perigoso, porque A própria natureza do trabalho é uma tentação constante ao pecado. O pecado é, para usar uma palavra antiga, o orgulho. Geralmente é quase impossível identificá-lo como orgulho, especialmente nas primeiras fases. Parece e dá a sensação de compromisso enérgico, zelo sacrificial, devoção altruísta.
Esse orgulho agravado pela vocação geralmente começa na fronteira entre fé pessoal e ministério público. Em nossa fé pessoal, acreditamos que Deus nos criou, salvou e abençoou. Em nossa vocação ministerial, embarcamos numa carreira de criar, salvar e abençoar no lugar de Deus. Tornamo-nos cristãos porque nos convencemos de que precisávamos de um Salvador. Entretanto, na hora em que embarcamos na vida ministerial, começamos a agir pelo Salvador.

Algo quase sempre dá errado. Em nosso zelo de proclamar o Salvador e cumprir seus mandamentos, esquecemos de nossa necessidade básica e diária do Salvador. A princípio, é quase invisível essa diferença entre nossa necessidade do Salvador e nosso trabalho pelo Salvador. Sentimo-nos tão bem, tão agradecidos, tão salvos. Essas pessoas ao nosso redor se encontram tão necessitadas! Lançamo-nos diretamente à luta. No caminho, a maioria de nós acaba identificando nosso trabalho com o de Cristo de tal maneira que o próprio Cristo é deixado de lado, e nosso trabalho recebe toda a atenção. Porque a obra é tão atraente, tão envolvente – tão correta -, trabalhamos com o que parece ser energia divina. Um belo dia, nos encontramos (ou os outros nos encontram) acabados de tanto trabalhar. O trabalho pode ser maravilhoso, mas à medida que trabalhamos, acabamos nos tornando bem menos que maravilhosos, ficamos irritados, exaustos, implicantes e condescendentes.
A alternativa para agir como deuses que não precisam de Deus é nos tornarmos pastores contemplativos... A contemplação compreende as enormes realidades de adoração e oração sem as quais nos tornamos pastores obcecados pelo desempenho profissional e pelos programas...
A vida contemplativa cria e libera grande quantidade de energia para o mundo – a energia vivificante da Graça de Deus, e não a agitação irritante de nosso orgulho.


Eugene Peterson. A vocação espiritual do pastor. Ed. Textus.


PENSE CARINHOSAMENTE NISSO EM ORAÇÃO!!!

Denise Gaspar

Como O conhecemos????


“(A Deus) aprouve revelar Seu Filho em mim”, Gl 1:16.

Ainda que pudesse, eu não trocaria de lugar com os discípulos, nem com aqueles que estavam no Monte da Transfiguração. E Cristo com quem conviveram estava limitado pelo tempo e espaço. Ele estava na Galiléia? Portanto, não poderia ser encontrado em Jerusalém. Estava em Jerusalém? Logo os homens O procuravam em vão na Galiléia.

Hoje, Cristo não se limita pelo tempo nem pelo espaço, pois vive segundo o Poder de uma Vida Eterna, e aprove ao Pai revelá-Lo em meu coração.

Ele esteve com eles por vezes; porém, está comigo sempre.

Eles O conheceram segundo a carne, viram-no, tocaram-no, conviveram com Ele no mais íntimo contato.

“E, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não O conhecemos deste modo”, (2Co5:16) e, não obstante, eu O conheço em verdade, pois O conheço segundo aprouve a Deus que Ele fosse conhecido.

Deus não me concedeu o espírito de sabedoria e revelação no conhecimento de Cristo?

“Não foi carne e sangue quem to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus,” (Mt16:17)

O fundamento da Igreja não é apenas Cristo, mas também o conhecimento de Cristo.

A tragédia hoje é que muitos de nós nas igrejas – na verdade, muitas assim chamadas igrejas --, carecem deste fundamento. Não O conhecemos. Para nós, Ele é um Cristo teórico ou doutrinário, não um Cristo revelado.

Entretanto, a teoria não prevalecerá contra o inferno, que é o que Jesus declara Sua igreja fará. Será que nos esquecemos da razão pela qual fomos chamados?

Visitando lares no ocidente, eu via por vezes, um belo prato de porcelana que não se destinava a ser usado à mesa, mas, a ser pendurado na parede como um objeto valioso de decoração. Parece-me que muitos pensam na Igreja desta forma: como algo a ser admirado pela perfeição de sua forma.

Pelo contrário, a Igreja de Deus serve para uso e não para decoração!

Uma aparência de vida pode parecer suficiente quando as condições são favoráveis, mas quando as portas do inferno se levantam contra nós, sabemos muito bem que o que cada um de nós necessita, acima de tudo, é de uma visão dada por Deus de Seu Filho.

É o conhecimento pessoal que tem valor nos momentos de provação.

W. Nee. Uma mesa no deserto: ouse encontrar-se com Deus todos os dias, ed. Dos Clássicos.

domingo, 15 de novembro de 2009

O barquinho

Aliança

“Em contraste com nossa civilização, os hebreus vivem num mundo de aliança em vez de contratos. A idéia de contrato era-lhes desconhecida.
O Deus de Israel ‘se importa pouco com contratos e relações financeiras, bem como despreza a obediência e servilismo de um escravo.

A esfera que Ele escolheu para tratar com o homem é a Aliança’.

O relacionamento que mantém com a outra parte é de benevolência e afeição... A vida de Deus interage com a das pessoas.

Viver em aliança significa participar do companheirismo entre Deus e Seu povo.

A religião bíblica não corresponde ao que o homem faz com seu tempo de solidão, mas sim ao que ele faz em face da preocupação que Deus tem por todos os homens”.


Abraham J. Heschel. The Prophets.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A Palavra como meio

Algumas pessoas podem perguntar: Por que a luz de Deus foi oferecida em forma de linguagem? Como é concebível que o divino esteja contido em vasos tão frágeis como consoantes e vogais?

Essa pergunta revela o pecado de nossa era: tratar de forma superficial o meio que transporta as ondas de luz do espírito.

O que mais é capaz de unir os homens através das distâncias do tempo e do espaço?

De todas as coisas terrestres, as palavras são o que nunca morrem.

Há tão pouca matéria nelas, porém tanto significado ...

Deus tomou palavras hebraicas e soprou nelas Seu Poder, e elas se tornaram um vínculo vivo, carregado com o Espírito Divino.

A partir desse dia, as palavras se tornaram ligações entre o céu e a terra.

Que outro meio poderia ser empregado para conduzir o divino? Figuras esmaltadas na Lua? Estátuas esculpidas nas montanhas?

Abraham Heschel. God in seach of man. Citado por Eugene Peterson, in Ânimo.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Ele dormiu

“Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem. E eles, despedindo a multidão, O levaram assim como estava no barco; e outros barcos o seguiam. Ora levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água. E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles O despertaram e Lhe disseram: Mestre, não te importas que pereçamos? E, Ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança. Então lhes disse: Por que sois assim tímidos? Como é que não tendes fé? E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é Este que até o vento e o mar Lhe obedecem?” Mt 8: 23 a 27.
...

Jesus estava no barco. Eles não tinham a menor dúvida da Presença de Jesus e, nem tão pouco, de Seu Poder. Eles já O vinham acompanhando e observando. Ouvi meu pastor algumas vezes dizendo que se Jesus estava dormindo eles deveriam puxar o travesseiro e dormir também. Isso é confiança. Isso é certeza de Seu Poder.
Esse entendimento traz a resposta para a pergunta: “Como pôde haver uma tempestade estando Jesus no barco?”. “Como pode haver uma tempestade quando estamos fazendo aquilo que o Senhor nos mandou fazer?” Foi Jesus que mandou que entrassem no barco e passassem para o outro lado.
A Presença de Jesus não nos garante ausência de problemas, tempestades e dores. A presença de Jesus nos garante que sairemos ilesos deles. Se confiamos n’Ele, se sabemos que estamos enfrentando uma circunstância difícil fazendo ou estando onde Ele nos quer, então só nos resta uma saída: descansar.
Se o Mestre dorme profundamente, não pensemos como os aprendizes que iam com Ele no barco: que Ele pouco Se incomoda que venhamos a perecer. Se o Mestre dorme, durmamos.
Bom é trazermos à lembrança o que nos dá esperança:

“Aquietai-vos e sabei que Eu Sou Deus,” (Sl 46:10).
“Porque assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: Em vos converterdes e em sossegardes, está a vossa salvação; na tranqüilidade e na confiança, a vossa força”, (Is 30:15).

Denise Gaspar 19-01-2007

domingo, 8 de novembro de 2009

Bem-aventurados os insáciaveis!!!


Mateus 5:6; 6:25-34

O conceito humano de SANTIDADE relacionado ao mundo material, faz com que se admire uma pessoa e sua espiritualidade tanto mais quanto essa tal pessoa possa viver em simplicidade, com muito pouco, ou quase nada; e, assim, nesse estado, viva contente.

Desse modo, quanto menos uma pessoa precise para viver, mais revela sua beleza e sua perfeição de consciência; e mais será admirada pelos homens. Assim, quanto MENOS prisão e desejo pelo que é material, mais liberdade e contentamento.

Mas esse mesmo princípio—o de desejar pouco, ou quase nada—não se aplica em relação a Deus. No que respeita a Deus a SANTIDADE é a sede, é a fome, é a necessidade, é busca, é o desejo de ter mais, de ser mais em Deus e para Deus...e que é fruto de se saber como um “MENOS”, como o menor, como o mais carente.

“Dos pecadores eu sou o principal”—dizia Paulo.

Portanto, quanto mais imperfeito for o homem para si mesmo, e quanto mais carente de Deus, tanto mais perfeito será o seu imperfeito caminhar.

Precisar de Deus não é vergonha. Alias, nada eleva tanto um ser humano quanto sua pobreza espiritual, sua fome, sua necessidade.

Nada há mais horrível do que se ver alguém que passa pela vida sem sentir falta de Deus; sem achar que precisa Dele.

Afinal de contas, o que é o homem?

Jesus disse em Mateus capítulo seis que o homem não é um show cósmico de ornamentos. Lírios são externamente mais belos!

A vida do homem não consiste nos bens que possui, e nem sua beleza humana se manifesta como afirmação de pobreza como virtude.

O que torna um homem grande é sua pequenez; e, sobretudo, sua consciente carência de Deus!

Assim, paradoxalmente—como sempre—, o grande poder de um homem vem de sua total consciência de fraqueza.

Sim, o poder de um homem vem de sua total admissão de incapacidade quanto a realizar qualquer coisa. Sim, o poder do homem vem dele dizer e crer que sem Deus nada se pode fazer.

Quando sei que não posso Nada, então, nada podendo, Deus pode por mim.

Desse modo, a virtude humana diante de Deus é o inverso de sua virtude diante dos homens; pois se entre os homens o santo é que não precisa de quase nada, e vive contente; todavia, diante de Deus, o homem que caminha em perfeição é justamente o que carece, o que quer mais, o que não se contenta...e tem sede.

Isto porque mesmo que alguém aprenda a se contentar materialmente com Nada, ou quase isso; no entanto, em Deus, e no espírito, ele só será coerente com seu próprio caminho de simplificação material, se, todavia, viver como alguém que pede, busca, bate, e confessa total carência.

Isto porque aquilo que é elevado diante dos homens, disse Jesus, é abominação diante de Deus; inclusive o show de simplicidade e virtuosismo material—pela simplificação dos desejos materiais—, que de nada vale se o coração não viver sempre com fome, e almejando comer o Pão que está na mesa de Deus.

Caio Fábio

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Nossa necessidade do Poder de Deus


Para vivermos da forma que Deus quer... Para nos tornarmos mais parecidos com Cristo... Para seguirmos nossa jornada sabiamente... Precisamos tanto do perdão de Deus quanto de Sua bondade. Precisamos da obra de Jesus por nós e precisamos da obra do Espírito Santo em nós. À grande Graça do perdão Deus acrescenta a grande Graça do Espírito Santo.
As pessoas têm muitas idéias diferentes sobre o Espírito Santo – algumas baseadas na Bíblia, algumas não. Alguns comparam o Espírito Santo a uma força espiritual impessoal, um pouco como a eletricidade ou a gravidade. Outros pensam no Espírito em termos de emoção ou sentimento; quando acham que sentem a presença de Deus dentro delas, classificam o sentimento como “o Espírito Santo”. E há os que pensam apenas na Graça que o Espírito pode conceder a eles. Esses, porém, não entenderam o fundamental.
A Bíblia nos diz que há três importantes verdades sobre o Espírito Santo. Primeira, Ele é uma pessoa. Ele tem todos os atributos ou características de uma pessoa. Ele fala conosco, Ele nos ordena, Ele intercede por nós, Ele nos ouve, Ele nos guia, e assim por diante. Também podemos mentir para Ele ou ofendê-Lo; podemos até mesmo blasfemar contra Ele ou magoá-Lo. Nada disso seria possível se Ele fosse apenas uma força impessoal – mas isso é possível, porque Ele é uma pessoa. “O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus”, (Rm8:16).
Segundo, Ele é uma força. O Espírito Santo é um canal ou instrumento invisível de Poder de Deus no mundo, aquele por intermédio de quem Deus opera para realizar Seu desejo. Antes do mundo ser criado, “o Espírito de Deus Se movia sobre a face das águas”, (Gn1:2). Jó declarou: “o Espírito de Deus me fez”, (Jó33:4). Lemos sobre Sansão que “o Espírito do SENHOR apossou-Se dele” e ele conseguiu se libertar de seus captores, (Jz15:14). Quando Deus escolheu Beseleel para supervisionar a construção do Templo ou Tabernáculo onde as pessoas iriam cultuar, ele disse: “E o enchi do Espírito de Deus, dando-lhe destreza, habilidade e plena capacidade artística para (...) executar todo tipo de obra artesanal”, (Ex31:3).

Terceiro, Ele é Deus. Assim como Deus é plenamente divino, também o Espírito Santo é plenamente divino. A Bíblia também diz que é eterno – assim como Deus é eterno. A Bíblia também diz que Ele está presente em toda parte e que é onisciente e todo-poderoso – mais uma vez, atributos exclusivos de Deus. (Satanás, por acaso, não é assim; Ele é poderoso, por exemplo, mas não todo-poderoso.)
Ademais, a Bíblia declara explicitamente que o Espírito Santo é Deus: “O Senhor é o Espírito”, (2Co3:17). Em certo momento, a Bíblia O chama de “o Espírito de Cristo” ou “o Espírito de Deus” – novamente indicando Sua natureza divina. O Espírito Santo é o próprio Deus. Assim como Deus é uma Pessoa, também o Espírito Santo; assim como Deus é todo-poderoso, também o Espírito Santo. O que é verdade para Deus é verdade para o Espírito Santo, porque Ele é Deus.

No final de uma de suas cartas, Paulo escreveu: “A Graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vocês”, (2Co13:14). Todos três – Pai, Filho, Espírito Santo – são distintos, mas também são unidos como um. Nós não adoramos três deuses (coisa de que os cristãos algumas vezes foram acusados); nós adoramos um Deus, que Se revela a nós em três pessoas. Alguns usam o sol para ilustrar a Trindade: o sol é um objeto no espaço, mas ele produz luz e calor – e ainda assim ele é um. A água pode ser um sólido, um líquido ou um gás, mas continua a ser água.
O filho pequeno de um amigo meu estava perguntando ao pai como Deus pai podia ser Deus e Jesus, o Filho, também podia ser Deus. Isso não faria de Jesus Seu próprio pai? – perguntou ele (crianças têm o hábito de fazer difíceis perguntas teológicas!). eles estavam no carro da família, e com uma inspiração súbita meu amigo respondeu algo assim: “Filho, sob o capô do carro há uma única bateria, mas eu posso usá-la para acender os faróis, tocar a buzina ou ligar o carro. Como isso acontece é um mistério para mim – mas acontece!”
Essas imagens podem nos ajudar a compreender a verdade da Trindade, mas nenhuma delas a explica completamente. No fim é um mistério que nunca iremos compreender deste lado da vida. Sempre me lembro das palavras de Paulo: “Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como se em espelho; mas então veremos face a face. Agora conheço em parte; então conhecerei plenamente”, (1Co13:12). Mas isso não elimina a verdade. Nós cultuamos Deus como Pai, Filho e Espírito Santo, pois isso é o que Ele É: a Santíssima Trindade.

É educativo destacar alguns dos termos usados por Jesus para descrever a obra do Espírito Santo. O Espírito, disse ele, nos convencerá de nossos pecados: “Quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo”, (Jo16:8). Antes mesmo que possamos nos entregar a Cristo, o Espírito Santo precisa primeiramente nos convencer de nossos pecados e abrir nossos olhos para a verdade do Evangelho.
Ele também será nosso professor e guia: “Quando o Espírito da verdade vier, Ele os guiará a toda a verdade”, (Jo18:13). É por isso que a Bíblia é tão importante, porque o mesmo Espírito que guiou sua redação agora quer que a compreendamos – e sem Ele não podemos compreender plenamente seu significado. Ele também nos guia diariamente enquanto buscamos o desejo de Deus para nossa vida.
Além do mais, disse Jesus, o Espírito nos ajudará a contar aos outros sobre Cristo: “Mas receberão Poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão Minhas testemunhas (...) até os confins da terra”, (At1:8) o Espírito está à frente de nós quando O invocamos – preparando o caminho, dando-nos as palavras e nos incutindo coragem.

Billy Graham, A jornada, ed. Thomas Nelson Brasil.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Empenhe-se em alcançá-la!

Busque a Paz e empenhe-se em alcançá-la.
Esse é o grande bem.
A grande vitória não é ter razão.
A grande vitória é pacificar.
Jesus não disse: bem aventurados os que provam as suas razões, porque serão chamados filhos de Deus,

Jesus disse: “Bem aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.
Alguém tem que ceder quando ninguém cede.
O ideal é que todo mundo ceda, mas se ninguém cede,
Ceda!

Caio Fábio em pregação

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O chamado do discípulo

Para Jesus o fruto é amor. O mandamento de Deus é Amor por Amor. Ele diz permaneçam neste Amor e vocês serão Meus discípulos.
Têm pessoas que pensam poder obedecer ao mandamento por medo. Aquele que teme não é aperfeiçoado no Amor. Por isso, as pessoas que dizem amar a Deus, mas O obedecem por medo, não O amam. A maioria não obedece ao mandamento do Amor porque tem apenas medo de Deus, por isso não tem fruto. Porque o medo não produz como fruto o amor. O fruto do medo não é outro, senão o seu próprio: o medo. O fruto do medo é o legalismo, é o pavor de Deus, é a barganha com Deus.
Só o amor produz esse fruto desassombrado. Só o amor produz o amor. É por amor.
O primeiro fruto do discípulo é amar a Deus somente pelo que Ele É, e não pelo que Ele me dá ou pela circunstância que estou vivendo.
É seguir Jesus por nada. Amar a Deus por nada. Ser de Deus por nada.
Quem quer isto?
Eu me torno discípulo quando aprendo a amá-Lo por nada, em todas as situações. Eu O amo quando tenho, quando não tenho. Eu O amo quando ganho, quando perco. Eu O amo quando meu filho nasce, quando morre... Eu me torno discípulo por amá-Lo sem perguntas, sem questões. Amá-Lo por amor.
Aí você começa a ser discípulo.
O segundo fruto do discípulo é o amor ao não discípulo. Amar ao seu igual, amar ao que lhe ama é fácil, qualquer um o faz. A Graça diz que você tem que amar não por troca ou por compatibilidade. É de Graça.
Você se torna discípulo quando aprende a amar o não discípulo, ao diferente com o mesmo entranhamento de misericórdia e graça com o qual você ama ao que é concorde a você.
O fruto do discípulo é viver como discípulo. Só vivendo como discípulo é gera o discípulo. Você não é discípulo porque um dia foi feito discípulo. Você é discípulo porque vai sendo discípulo crescendo em obediência ao dogma do Amor. Dogma que não é romântico, mas que se manifesta na horizontalidade dos encontros de todos os dias. Sabendo que essa não será uma escolha nossa, mas que nós fomos cativados por um desígnio divino que Se tornou irresistível em nós embora tudo em nós lute contra isso todos os dias.
Por isso, o único modo de me manter como discípulo no Caminho é andando conforme o único dogma do Evangelho que é o amor que se manifesta uns pelos outros e tem como paradigma e consistência de Amor o Pai que tem intimidade com o Filho e a certeza do Amor que entrega o Filho que não Se torna um Salvador traumatizado, pelo contrário, Ele mesmo repete o Pai Se dando de Graça pela vida humana.
Esse é o padrão que a gente deve ter, embora nossa natureza não goste. Caso contrário, não somos discípulos.
O que é feito com amor no nome do Deus que é Amor permanece e dá muito fruto.

Caio Fábio na pregação O chamado do discípulo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Por que perdoar?


O escândalo do perdão confronta qualquer pessoa que concorde com um cessar-fogo moral apenas porque alguém diz: “Sinto muito”. Quando me sinto ofendido, posso imaginar uma centena de motivos contra o perdão. Ele precisa aprender uma lição. Não quero incentivar o comportamento irresponsável. Vou deixá-la em banho-maria por um tempo; vai-lhe fazer bem. Ela precisa aprender que suas atitudes têm conseqüências. Fui ofendido – não preciso dar o primeiro passo. Como posso perdoar se ele nem mesmo está arrependido? Eu controlo meus argumentos até que aconteça alguma coisa que derrube a minha resistência. Quando, finalmente, amoleço a ponto de conceder o perdão, isso parece uma capitulação, um salto da lógica fria para um sentimento piegas.
Por que, afinal, dei um salto desses? Já mencionei um fator que me motiva como cristão: na qualidade de filho do Pai, recebo ordens de perdoar. Mas os cristãos não têm o monopólio do perdão. Por que alguns de nós, cristãos e não cristãos igualmente, escolhemos esta atitude nada natural? Posso identificar em alguns motivos pragmáticos, e quanto mais penso nesses motivos para o perdão, mais reconheço neles lógica que parece fundamental, e não apenas “difícil”.

Primeiro, o perdão é a única alternativa que pode deter o ciclo da culpa e da dor, interrompendo a cadeia da ausência de Graça. No Novo Testamento, a palavra para perdão significa, literalmente, soltar, jogar para longe, libertar-se.
Prontamente admito que o perdão é injusto.

O perdão oferece uma saída. Ele resolve todas as questões da culpa e da justiça, ele permite um relacionamento renovado, que começa outra vez. Desse modo, disse Solzhenitsyn, nós diferimos de todos os animais. Não é a nossa capacidade de pensar, mas a nossa capacidade de nos arrependermos e perdoar que nos torna diferentes. Apenas seres humanos podem realizar esse ato antinatural, que transcende a implacável lei da natureza.
Se não transcendemos a natureza, continuamos amarrados a pessoas que não podemos perdoar, presos em suas garras apertadas. Este princípio se aplica até mesmo quando uma das partes é totalmente inocente e a outra, totalmente culpada, pois a parte inocente vai carregar a ferida até que consiga encontrar um caminho para receber alívio. E o perdão é o único caminho.


O segundo grande poder do perdão é que ele pode aliviar a força opressora da culpa no perpetrador.
A culpa faz sua corrosiva mesmo quando conscientemente é reprimida. O perdão magnânimo dá possibilidade de transformação à parte culpada. Lewis Smede detalha: “Quando você perdoa alguém, você secciona o erro da pessoa que o cometeu. Você separa essa pessoa do ato ruim. Você o recria. Em um momento você a identifica radicalmente como a pessoa que errou contra você. No outro, você muda a identidade dela. Ela é refeita em suas lembranças.
Você não pensa nela agora como a pessoa que o feriu, mas, sim, como a pessoa que precisa de você. Você não a sente agora como a pessoa que se alienou de você, mas, sim, como a pessoa que pertence a você. Antes a considerava como uma pessoa poderosa no mal, mas agora você a vê como fraca em suas necessidades. Você recriou o passado dela refazendo-a numa pessoa cujo erro tornou o seu passado doloroso”.
Smede acrescenta muitas advertências. Perdão não é o mesmo que indulto, ele adverte: você pode perdoar uma pessoa que errou contra você e ainda assim, insistir em um castigo justo para esse erro. Mas, se você consegue obrigar-se a perdoar, você irá liberar o poder de cura tanto em você como na pessoa que o ofendeu.

A justiça tem uma espécie racional e correta de poder. O poder da Graça é diferente: não é temporal – é transformador, sobrenatural.

Sei que o perdão, e apenas o perdão, pode iniciar o degelo na parte culpada.


O perdão – não merecido, não adquirido – pode cortar as cordas e soltar o fardo opressivo da culpa. O Novo Testamento mostra um Jesus ressurreto levando Pedro pela mão através do ritual triplo de perdão. Pedro não precisava andar pela vida culpado, de olhos baixos como quem traiu o Filho de Deus. Definitivamente não. Sobre as costas de tais pecadores transformados Cristo edificou a Sua igreja.
O perdão quebra o ciclo da culpa e afrouxa a força opressora do pecado. Realiza as duas coisas por meio de uma notável ligação, colocando o perdoador do mesmo lado de quem cometeu o erro. Por meio disso, percebemos que não somos tão diferentes do culpado, como gostaríamos de pensar. “Eu também sou diferente do que eu mesma me imagino. Saber disto é perdoar”, disse Simone Weil.


Yancey. “Maravilhosa Graça, ed Vida.